quarta-feira, 31 de agosto de 2016

POEMA PARA AGOSTO DE 2016

O Agosto infinito chegou ao fim
E todas as coisas respiram um misto de alívio e de dor
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Na memória
Ainda cicatriza o desenho dos dias
A lágrima pela criança que se foi
A lágrima pela explosão artística e esportiva
A lágrima pela decisão pessoal que ainda dói
As mãos trêmulas por aquilo que ainda vem
E a exaustão de sentir os pés pesados
Arrastando no gosto amargo do chão
.
O Agosto infinito chegou ao fim...
.
No ar
O semblante da glória e da vergonha
Se mesclam a um único e mesmo suor nacional
Vindo de emoções tão distintas
E de horas tão sublimes e tortuosas
Que me parece que pouca poeira restou assentada
.
O chão está limpo
Mas o ar está carregado!
.
Tudo agora é em latência
E se digladiam nos céus
A beleza e o horror
Traçando os limites de um novo país
.
A nação dorme exausta
A nação não dorme mais
A nação não dormirá nunca mais
A nação é sem volta
E
A Pátria do Evangelho
Fez-se novamente o Coração do Mundo
Riscando mais um traço
No desenho vasto de sua humana missão
.
Nossa nação que se abriu
Em lancinantes espetáculos
De dança, choro e grito
Ainda reverbera a proposta marginal
De uma promessa que nunca se realiza
.
O Agosto infinito chegou ao fim...
.
O Brasil não é mais o mesmo
O Brasil quebrou cascas de dentro para fora
E agora
O oceano vem banhar um novo litoral
Rasgado de rios que nascem num novo chão
.
Mas...
.
Não sei porquê
Ainda permanece a estranha sensação
De que não mudamos tanto assim
E de que ainda muita semeadura
Minguará antes de se tornar vida
Murchando sem poder encantar
O olhar que as espera
.
Após um mês que valeu por tantos ciclos
Rasga-se uma página do calendário
Uma descartável convenção social
Que leva embora sulcada em si
Rasuras diversas de nunca se esquecer
.
Mas ainda assim prefiro crer que
Neste momento de tamanho tropicalismo
Lançaremos nossos corpos renovados
Em direção a uma alvorada mais possível
Pulsões de um futuro que nascerá
Vindouro de qualquer canto
Onde almas foram tocadas
Onde almas foram despertadas
Pelos tantos diferentes campos humanos
Que fervilharam entre nós
Neste mês sem margens
.
O Agosto infinito chegou ao fim...
.
Será?!


Sincrônico II

No domingo, dia 25, estava eu sentado num bar quando parou um carro no semáforo e dentro dele estava o Agnaldo Rayol.
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Levei um susto, olhei fixamente e ele me acenou com a cabeça.
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Até aí tudo bem, já que encontrar pessoas famosas pela rua não é algo tão incomum assim.
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Mas, qual não foi minha surpresa quando, o cara da mesa do lado vira e diz que ele também se chama Agnaldo Rayol e que é primo do cantor que acabara de passar.
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Fiquei meio incrédulo, mas ele se defendeu dizendo vários nomes de familiares, qual seria seu grau do parentesco com o tenor e etc...
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Seria mais um exemplo de Sincronicidade?!
.
Intrigante!
 
 

terça-feira, 30 de agosto de 2016

A la Voltaire...

Hoje, descendo a Augusta, acompanhei uma manifestação Pró-Dilma que caminhava em direção ao centro da cidade.
 
Vi policiais sendo filmados por manifestantes e se sentindo incomodados, vi manifestantes sendo filmados por policiais e se sentindo constrangidos.
 
A tensão mútua no campo onde tanta coisa pode vir à tona para, só assim, ser vista, analisada e resolvida!
 
No fundo, o mais interessante era o fato de todos estarem ali.
 
Acredito que, na política, ninguém precisa ser perfeito.
 
A política é o campo onde é mais permitido a ponderação passional.
 
O estritamente racional cabe mais a Filosofia.
 
Política é, em essência, o ser-humano tentando ser humano, sendo errado ou sendo correto.
 
Sempre foi assim e, por algum tempo, assim será!
 
O amadurecimento político de uma sociedade é penoso e longo.
 
O que não podemos é deixar de dizer, deixar de tentar, deixar de manifestar.
 
A política é o campo da tentativa, o campo do embate, não o campo da perfeição.
 
E acredito que será deste cenário que já vivemos, há alguns anos, que sairão nossos futuros homens de estado, homens de opinião formada, homens de construção e de paz!
 
"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las..."
 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Carnavália mais possível...

 
 
Seria
o
Carnaval
uma
espécie
de
Hinduísmo
pós-moderno?!
 
 

sábado, 20 de agosto de 2016

Palavras pequenas... Sentidos inenarráveis!!!

É claro que não somos máquinas exatas geradoras de sentimentos e sensações, e é por isso mesmo que uma das coisas mais complexas para uma alma é sentir o sentido que supera o erro, a falha, a raiva, o desamor!
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A razão descortina, mas a correta sensação escancara!
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Não somos exatos no sentimento e muito menos na razão. O novo caminho capaz de invalidar o passado é algo inédito até que, quase sem querer, chegamos a experienciá-lo dentro de nossos corpos, de nossos espíritos.
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Quando uma nova sensação se faz vislumbrada, quando uma nova sensação se faz vibrada no corpo, sentida em sentido compreendido, eis o primeiro grande passo para a superação rumo a algo mais elevado.
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E isso é de uma complexidade tremenda, pois a venerada razão se explica muito mais facilmente que a profunda e modificadora sensação.

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Um dos pontos mais cruciais do mistério está em saber sentir o mistério na pequenina face dele que se entrega à revelação naquele átomo de segundo.
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Uma centelha de instante que cabe, somente a nós mesmos, sabermos aproveitá-lo!
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sábado, 13 de agosto de 2016

Sincrônico

Ontem, 12 de Agosto, ocorreu-me uma passagem muito interessante daquilo que Jung definiu como Sincronicidade...
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Estava eu na lavanderia de minha casa quando comecei a pensar em uma das alunas do colégio que dou aula, por conta da conversa que tive, há alguns meses, com a professora de matemática na qual elogiamos muito essa estudante.
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Quando saio da lavanderia e passo pela sala, qual não foi minha surpresa quando me deparei com uma atleta dos jogos olímpicos prestes a fazer um salto e que um de seus nomes era exatamente o mesmo desta aluna: CATHERINE.
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Um nome um tanto incomum, ao menos para nós brasileiros, mas que, mesmo assim, ali estava uma alcunha igual à da aluna que eu havia pensado fazia apenas alguns segundos.
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Nesse exato momento, lembrei-me do conceito defendido pelo psicanalista e senti que estava vivendo um exemplo desse intrigante fenômeno que tange nosso dia-a-dia de uma maneira tão sutil que, por vezes, ou não o percebemos, ou o confundimos com a simples coincidência errática!
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Acredito ter experienciado um exemplo de sincronia legítima!
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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Ouvindo, ocorreu-me isto!

Quantas passagens ditas mágicas e sobrenaturais dos relatos religiosos não são apenas metáforas humanizadas, assim relatadas, para poderem melhor equivaler à grandiosidade do trabalho espiritual que nelas resultou e que, talvez, somente de maneira mitológica, poderiam ser melhor representadas enquanto momento de sublime beleza da história da humanidade?!
 
 
  P.s: E talvez isso fosse, simplesmente, o que era necessário em um tempo passado!!!

sábado, 23 de julho de 2016

Sentido tendência dolorida...

Como
me
tende
a
ser
fácil
sentir
o
que
de
errado
em
coisas
que
aparentam
ser
absolutamente
corretas
!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

anjo de minha aldeia (poema ligeiro)

anjo de minha aldeia
tu que muito me abala
o coração que cala
e o olho que pranteia
 
anjo de minha aldeia
tu que espalhas as brasas
caídas de tuas asas
e assim tudo me incendeia
 
anjo de minha aldeia
tu que voas tão distante
feito a ave mais errante
escapada de minha teia
 
anjo de minha aldeia
retorne casto a mim
qual silente querubim
pois o amor inda permeia

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Diálogo interno

 - Quantas variáveis incontroláveis nos perfazem sem que as controlemos.
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 - Mas, mesmo assim, que energia ininterruptamente maravilhosa pode ter o futuro!
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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Post 1600 - Coisas Guardadas (Sexta de Carnaval de 2013)

Molhar o chão de cerveja para melhor dançar
Correr por qualquer canto
Parando, pois, em qualquer encanto
Sempre sendo nenhum lugar
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Tentando sentir qualquer coisa
Enquanto vejo o dia chegando
E algum desmando em mim mandando
Rebentando desvarios sem pensar
.
Vãos!
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Coisas Guardadas (27/10/2015)

O que sou eu? Eu sou isso que sinto dentro de mim quando não faço força para ser alguma coisa!

Coisas Guardadas (23/10/2015)

Uma imagem vale mais do que mil palavras, mas 1000 palavras bem escritas podem nos remeter a muito mais do que mil e uma imagens.
 

Coisas Guardadas (Mantiqueira Paulistana)

Gosto de sentir a língua do vento lambendo minha nuca
Sôfrego elemento em sua direção única
Mas que quando apalpando minhas cercanias
Se me multiplica em novas formas nos dias
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Elemento amórfico
Gaseificado liberto
Escudo utópico
O que, em mim, se faz moldura decerto
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O vento quebra a curva no meu cotovelo
Desenha os ângulos retos dos meus passos
Transpassa ligeiro os meus sutis rastros
Suplantando a saudade do lugar que não estou
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E feito um casulo novelo
Ando eu
solto
pela rua
Aconchegado em seu ventre errante
Sorrindo em meu aerado semblante que flutua
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Sortido sou traçado múltiplo do espaço urbano
Fluxo de gás e gente se esgueirando sem lugar
Ampliado é o ser que vive
Amalgamado pelo ar.
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Coisas Guardadas (31/08/2015)

Sempre penso demais no passado
Isso não muito me convém
Se caminho melhor descansado
Posso sem ele ir mais além

Coisas Guardadas (Repensado)

É uma pena que as transcrições mais conhecidas do sertão sejam feitas por quem conseguiu sair de lá.
 
 

Coisas Guardadas (06/09/2015 - III)

Como é interessante sentir o passado gradativamente se banhar de nostalgia, por pior que ele tenha sido! Sinto que alguns passados de anos atrás, quando eu já tinha uma certa idade, começam a se banhar de uma luminosidade diferente dentro de minhas memórias e, mesmo tendo sido tempos dos mais difíceis que vivi nesta vida, seus contornos já iniciam um processo de amalgamação que até me fazem sentir alguma saudade!

Coisas Guardadas (06/09/2015 - II)

Elis, a imperatriz da voz feminina brasileira!
 

Coisas Guardadas (06/09/2015)

Tudo seremos tantas coisas que já nem sei!

Coisas Guardadas (05/09/2015)

Será que o mundo se divide entre sensíveis e espertos?

terça-feira, 21 de junho de 2016

Post 1590 - Quase Finalizando um Semestre

Dar aula para crianças e jovens é como maravilhar-se de uma fonte de água frágil e ininterrupta: temos um pequeno espaço de tempo para observar, interferir e até mesmo saciarmo-nos inocentemente dela, pois logo os fluxos nascentes já estarão indo, sem mais controle, sem cessar e sem fim, para outras junções maiores, as quais não mais poderemos moldar como no momento primeiro.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Eu me lembro do dia em que...

Eu me lembro do dia em que, depois de algumas noites submergidos num mar de desvarios, tivemos que voltar à rotina das horas que fluem sem tanta euforia. Lembro-me de termos desligado de uma determinada maneira tão voluptuosa e transgressora naquele tanto de nada demais que fizemos que, voltando ao colégio, sentimos uma vaguidão dolorida que parecia nunca ter fim... Mas nós sabemos que tudo tem fim!
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Nós não acreditamos no infinito. Nós cremos no cíclico. Dentro de nós, dentro do que mais pensamos por nós mesmos, nem Deus é infinito. Deus é cíclico e seus ciclos não são sem fim. Seus ciclos possuem finalidade, possuem começo, desenrolo, finalmentes e apocalipse. Assim sempre foi com todas as coisas visíveis e invisíveis.
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E assim sempre foi conosco, sempre foi com tantas coisas que tantas e tantas pessoas conhecem por aí. Coisas que passam pelos seus dias, pelos seus mundos, pelas suas horas, pelos seus sonhos, pelos seus não sonhos, pelas coisas que vão indo embora sem que tenhamos nem mesmo sentido da maneira como esperávamos ter o direito de sentir.
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Mas desta maneira são inúmeras coisas e assim também foi aquele carnaval de 2015. Cinco dias de imenso desregrado, imenso não horário de tudo, tão inofensivas tentativas, tantas farras, tantas danças, tantos embriagados, tantos vais e vens pelos cantos dos bairros paulistanos e coisas do tipo: o baixo República, o alto Higienópolis, o miolo da Praça do Rotary e a sempre Santa Cecília.
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Mas invariavelmente chega a hora de voltar. Sempre chega a hora de respirar mais compassadamente, mais sutilmente, mais cabisbaixamente e ir adiante no serviço nosso de cada instante e assim tanto e tanto por diante.
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Chegamos como quem havia saído há séculos infinitos de um lugar ainda um pouco desconhecido e sentamos nos espaços cabíveis a um novo funcionário que ainda nem sequer havia completado uma lua grande dentro daquilo.

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Relembrar as pastas, relembrar as pessoas, relembrar o que fazer, como fazer, o tanto a se fazer, os pontos desligados, o curso que não existia, os mais de 200 alunos que invariavelmente chegariam e teriam de ser atendidos e colocados a direcionar suas energias para algo que fizesse o grande ciclo girar.
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Mas como estranho estava aquela vacuitude varrida enormemente aos cantos de nós e de onde pareciam nos cantar melodias dos cinco séculos que apartados dali estivemos ao longo daquela festividade carnal.
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Nossos olhos não se detinham no que devia, nossos pensamentos ainda estavam embevecidos das ruas, do sofá, das voltas, dos cigarros, das cervejas e dos tantos lugares de cantos que se nos habitamos.
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Olhar os pontos, sentir o espaço, os olhares que nos detinham, o volume dos ruídos, as sensações no corpo, o suor, a vontade de sair correndo, a não coisa que nos saía sem pedir permissão, uma outra coisa independente que, em nós, nos controlava, não nos deixando prosseguir naquilo que deveríamos fazer com urgência naquele espaço.
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O rastro, o rasgo, o risco, o posposto, a angústia vazia, uma negridão em nossas cabeças, em nosso corpo, em nossos dentes, em nossas mãos, em nossas unhas, o tremor nas pernas, nas pálpebras, a respiração que não saciava, o volume de tudo o que não queríamos mais, o que não suportávamos mais.
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Tivemos que levantar. Juro que sim! Tivemos que dar uma volta em algum não lugar, em alguma órbita intransponível, em algum pouco espaço permitido naquele novo emprego. E assim foi o jeito feito.
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Saímos da sala dos professores e caminhamos alguns passos pelo corredor com barulhos esparsos de crianças e jovens. Encaminhamo-nos para a direção do primeiro ponto em que lembrávamos de termos estado ali: a janela do segundo andar. Paramos, nos viramos sem querer virar, sem querer nada, sem saber porque estava fazendo aquilo. A única coisa que sabíamos era que aquilo doía e deveria parar.
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E foi então que tive a sensação de ter sido levemente subdividido em duas esferas. Algo em minha memória profunda brotara e eu recobrei de lugares em que me parece que já estive nessa vida, mas lugares que não parecem estar aqui na Terra.
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Campos e profundezas que não pertencem a este mundo, mas são palpáveis. Não fazem parte do plano espiritual, fazem parte de algum outro plano, talvez material, e que, por vezes, fui levado para lá.
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Imagens vagas que para mim, mesmo estando no corredor de olhos abertos, pareciam assaltar-me a vista aberta e me colocarem de frente para tão reconhecível local ao qual era impossível se chegar.
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Um sentimento de engrenagem profunda, de cratera dentro-fora, uma instância silenciosa, um local de gestação de vida, de coisas basilares, colunas que de tão longe-perto nos processam calcadas em outros rincões.
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E foi quando, subitamente, toda a angústia foi exorcizada de minha pele, de minha carne. Senti, de dentro para fora, uma força inundando todo o possível de mim, limpando e dominando meus pensamentos, renovando fortemente toda minha alma que, em segundos, pareceu ter sido profundamente transformada.
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Entendo que tudo possa parecer um grande desvario aos olhos dos que me leem, mas, impressionou-me a intensidade das imagens que vi, o poder da sensação de transformação que se fez mais forte dentro de mim do que a totalidade do que eu poderia realizar. Uma sutil sensação de ter estado lá, de ter sido levado para lá como se fosse uma outra dimensão em que estive algumas vezes.
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Seria, mais ou menos como se, quando eu dormisse, eu acordasse em outro canto e vivesse um pouco aquela realidade, no entanto, eu não teria permissão de trazer as lembranças do que se passou. Sei que existem sonhos que podem parecer tão reais que juramos termos vivido e pode este ser mais um caso, mas enfim...  Algo bastante difícil de entender!
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Voltamos então ao local de onde havíamos saído, ao nosso espaço que nos resta e sentimos uma sensação que nos remetia a alguma pessoa que conhecíamos, mas que não estávamos conseguindo reconhecer.
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Quem era aquela pessoa? De quem era aquela energia? Aquela presença? Aquela alma? Nós podíamos reconhecer aquilo como sendo de alguém próximo, mas não conseguíamos dar nome e rosto àquilo que estávamos sentindo.
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E foi quando, de repente tive a plena convicção de que alma era aquela, de que alma estava ali, de qual ente havia passado naquele momento de dores para mostrar sua presença, sua força, sua continuidade em outro canto, seu amor!
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Aquela energia que senti, de repente, tão bem-acabada, tão precisa, tão pertencente a alguém que não era eu, uma energia que não havia sido inventada por mim, tão humana e tão gostosa de se sentir... Era a energia da minha avó Cândida!
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A partir desse ponto, todo o resto do dia flui bem!
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Cândida Passos de Sousa
 

terça-feira, 31 de maio de 2016

Professorado

Na doutrina de ensinar, não se diz o que se sente, mas se aprende a sentir o que precisa ser dito. Devemos ir além da imediata sinceridade. Devemos ir de encontro a maestria! E acredito que a persona do professor pode mesmo melhorar a pessoa por detrás deste papel!
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No frio de alguns anos atrás!

No frio, eu tenho um constante cigarro acesso dentro de mim, ainda que nem sempre o tenha entre os dedos.
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Sinto-me na constante gestão de um embrião de fogo que se me aquece por perpétuo moto em continuidade.

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É um arrastado acalorado que se incuba dentro de meu ânimo quieto, o recanto silente humano que se dormita em meus regaços aconchegantes.
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Sinto uma renovada chama que chama ao recolhimento de meus intentos, ao calar de minhas margens, uma queda profunda ao que resta de côncavo dentro de minhas entranhas.
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No frio, faço a gestação, sem gesto e sem movimento, de coisas tão minhas, de coisas tão deliciosamente interiores, soprando aqui no peito uma chama inalcançável e inócua que nestes momentos tanto mais me alimenta.
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Sinto a temperatura na pele e sorrio sem mexer os lábios, sem contrair os olhos, mantendo-me impávido sorridente, neste ambiente aquietado que a madrugada por muito me seduz.
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A janela eu não toco, mas também não me faço sensível  à necessidade de gestos que me lancem ao mundo exterior.
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Todos os gestos são antes imaginários que reais!
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Meus movimentos são apenas minúsculas pulsações que esboçam intenções de transformação que não se fazem necessárias.

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A palpitação acalorada de minhas interioridades quer antes que o ar ao meu redor não as sinta, mas as pressinta enquanto quase não feitura de mim.
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Pretendo intrigar a  atmosfera de minha casa não revelando que estou vivo. Sou uma teatralização da não vida, uma estátua de sal milenar, esperando, submersa em si. 
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Tudo é uma espécie de vergonha escolhida que, melindrosamente, escoa dentro de minhas formas como uma sombra sem nome, inteira em seu estado no agora do verbo.
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Tudo dentro de minha casa está em sua inércia primordial, como antes de todas as coisas.

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Estamos antes da explosão das mãos de Deus!
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Somos enormidades anônimas encaixadas para se aquecerem mutuamente e, assim, o absoluto silêncio é apenas quebrado pelos dedos que teimam em prosseguirem com a digitação, apesar de eu mesmo quase negá-la.
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Mas não nego!
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Vendados

São muitas as respostas absolutas para nosso nível de questionamento.
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Somos seres que desconhecemos tanto, temos tanto a ilusão de que sabemos, tanto procuramos significados onde reina o acaso e, ao mesmo tempo, tanto fechamos os olhos para os pontos em que verdades de vasta grandeza se nos mostram.
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Partindo do ponto em que estamos, múltiplos caminhos explicativos se proliferam em diversas direções, traçando profundas possibilidades de verdades ascendentes que nos iluminariam se tivéssemos a inquietude de procurá-las. 
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Mas quantas ignorâncias carregamos e desconhecemos!
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Quantos entendimentos falsos nos sustentam por anos a fio!
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São muitas as respostas absolutas que chegam até nosso nível de questionamento, mas nossos olhos são demasiadamente estreitos frente a tão vasta luz que nos rodeia.

Mosaico Macaco

Aqueles que são capazes de encontrar um porquê profundo para seus próprios sentimentos são privilegiados.
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Quantos de nós não somos capazes disso e passamos uma vida inteira de sofrimentos sem explicações que nos bastem?
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Quantos se calam por calar?
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Quantos se calam por cansaço, por resignação pura, sem motivos, mas também sem vontade?
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E aquele que encontra seus motivos profundos de vida, não estaria sendo enganado por si mesmo?
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Talvez o segredo esteja em fazer da vida seu próprio depositório constante de pequenos significados, de pequenos momentos e grandes amizades que, ao final, construirão o mosaico maior de uma história cuja beleza escapou das mãos e do entendimento pleno de seu artista criador.
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Novamente a Mente

A estrutura da mente se constrói do sentir ao pensar, da pulsão profunda à interpretação consciente, do não verbal ao verbal; e isto está mais do que dito pela neurofisiologia e pela psicanálise.
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Aquilo que pensamos, muitas vezes, é aquilo que lembramos de pensar ao sentirmos o que às vezes pouco entendemos.
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O controle do raciocínio está em renovar o que se sente, mas, para renovar o que se sente, por vezes, é necessário raciocínio.
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Eis aí um clássico nó de nós mesmos.
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E, ao fundo de tudo isso, está o cérebro como uma grande usina geradora do humano, inserido numa cosmologia maior do que ele mesmo.
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O excesso de mente é um caminho para a perdição dela mesma.
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Ela é inserida nas coisas e não dominante de todas as coisas internas possíveis.
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Infeliz daquele que se utiliza somente dela.
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Inominável Dúvida

Quantas coisas bonitas morrem no pensamento?
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Quantas gratidões minguam na alma, às vezes, não por covardia, mas por não haver como dizer?
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Quantas palavras se apagam da memória imediata por não poderem conviver com a dureza do dia-a-dia?
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Como quantas pessoas gostariam de dizer de seus sentimentos bonitos para outras, mas não encontram momentos para se expressar?
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Não que não sintam, nem que não tenham coragem, mas, simplesmente, os momentos da vida não nos permitem falar, pois devemos manter nossas durezas respeitáveis na convivência social e, assim, não nos permitimos ser mais humanos.
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Haveria um fluxo daquilo que não é dito, porém, sentido entre essas pessoas?
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Ou tudo que se é, está apenas no fisicalizável, no audível, no dizível, na colocação da voz?
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Eu acredito que existam trocas mais etéreas!
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No entanto, qual é a clareza dessa troca? Quantas pessoas dominam o reconhecimento dos pequenos sinais intercambiáveis entre as pessoas?
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O que não se diz, pode ser sentido? Acho que sim! Mas o quanto isto é claro?
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E o quanto do que pensamos estar trocando não é apenas uma ilusão de conclusão solitária que se pensa ser real?
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E, ainda além disso, penso, às vezes, se o que não nos dizemos pela palavra, mas por outros meios mais sutis, poderá, algum dia, saciar a alma que queria ter se declarado?
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Como se chama a sensação que resta quando pensamos ter transmitido um sentimento, mas não sabemos bem ao certo se a pessoa capitou o que deixamos subentendido?
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Inominável Dúvida!

Venha a nós! Vamos a vós!

Tudo o que você faz ou, simplesmente pensa, tem uma resultante exata; uma resposta do universo que pode demorar mas que, com certeza, um dia, chegará até você.
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No entanto, dependendo do momento, a própria conclusão sensível daquilo que se pensou pode vir imediatamente após o ato de pensar.
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Ou seja, quando estamos mais despertos, podemos sentir, logo após o pensamento, algum sentimento resultante daquilo que imaginamos.
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Há momentos em que estamos assim e
saber reconhece-los é essencial para nosso aprimoramento!
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É como se algo em nós estivesse em conexão com esferas mais sutis da energia e a troca se dá com mais intensidade, com mais precisão, com mais rapidez.
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E então tocamos de leve a face da Verdade!
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Nesses momentos, devemos nos ater, com cuidado e observância, aos caminhos apontados por estes fluxos sensíveis que se nos fazem maiores!
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Momentos como estes são ótimos para nos reinterpretarmos, recolocando-nos coisas que temos guardadas dentro de nossas almas.
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sexta-feira, 27 de maio de 2016

O Avesso do Avesso

 
Como é vergonhoso e dolorido, para mim, o processo de recuperar a fé após alguns dias desafiando-a, negando-a, blasfemando-a, maldizendo-a...

sábado, 14 de maio de 2016

Prefácio Musical Futuro

Sabe o que vai acontecer daqui a 100 anos?
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As pessoas continuaram a ouvir Beatles, Pink Floyd, Legião e também Milton Nascimento, na intensidade e momento oportuno de cada um.
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Assim também somos nós, hoje, com Bach, Mozart, Beethoven e além tempo.
Vivemos, sem saber, o que ainda chamarão de Época Clássica da Música Popular.
E, paralelo aos contemporâneos dos clássicos, estamos participando, sem saber, de um processo marcante eterno do que virá!
Que sorte a deles poder vivenciá-los em vida!
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E que sorte a nossa poder sentir, também em vida, o que vivificará, continuamente, o futuro da música vindoura do povo!
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A Feminina Voz do Cantor 
Milton Nascimento
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P.S: Por quanto tempo durará o link desse vídeo?!
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P.S: E por quanto tempo durará essa música?!

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Dia-a-Diá-logo

 - Quanta sapiência existe na formação da genética das vozes, na prenunciação, delineação e posterior realização dos timbres que tanto nos encantam!
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- Mas seria a voz fruto do acaso talento ou do exercício cotidiano?
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- Acho que nenhum dos dois se faz somente em si! O engendramento é anterior a isso, e a complementação é cíclica!
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- Mas o que viria antes, o cantar bonito para se gostar de cantar ou o gostar de cantar para se cantar com beleza?
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- Acredito que seja algo duplo que se alimenta.
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- Ah sim, acho que faz sentido! Um conjunto de coisas sem tempo que se fazem fazer realidade.
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 - Com certeza! É a beleza do canto estimulando o gosto e o gosto fazendo brotar, mais e mais, a sublime beleza!
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Cotianesco!

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Ando reparando no meu cotidiano recente e acho que estou mais percebendo as sutilezas do caminho que não nos pertencem; as sutilezas do dentro e do que tanto nos escapa além das fronteiras do corpo.
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E são justamente nesses pontos que mais se faz a influência das inteligências superiores.
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Os pontos sutis que a tudo perpassam!
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Os entremeios que não percebemos de imediato!
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E como me impressiona o quão falho podem ser o humano e o acaso!
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sexta-feira, 29 de abril de 2016

0 - Enfim, Balanço Geral de 2015

Queria dizer que, tendo em vista a quantidade de coisas que ando vendo e o pouco tempo que tenho para registrá-las aqui no blog, à partir de 2016 não vou mais me obrigar a escrever resenhas sobre tudo que tomo contato ao longo do ano. Escreverei aqui somente sobre aquilo que me marcar de alguma maneira.
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Além disso, o tempo me fez balancear melhor o valor a ser dado para este endereço virtual e para este tipo de postagem!
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Outra coisa, algumas datas colocadas ao lado de cada título estão meio aproximadas, mas, a maioria está certa! Adquiri o hábito de colocar o dia em que fui ver a peça, ou o filme, ou o dia em que acabei de ler o livro.
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Gostei de fazer as marcações de data pois dão um panorama de mais ou menos que fase do ano em que eu fiz tal coisa. Se foi no inverno, no verão, nas férias, no primeiro semestre ou no segundo; coisas do tipo.
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Alguns livros terminaram próximos ou por serem pequenos ou por eu estar lendo mais de um ao mesmo tempo.
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Enfim, 2015 foi um ano bom e ainda sinto saudades dele, mesmo já estando tão longe!
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Cinemas:
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1. Ida
2. Dois dias, uma noite
3. Cássia Éler
4. Birdman
5. A teoria de tudo
6. O sal da terra
7. As maravilhas
8. Mad Max Estrada da Fúria
9. Miss Julie
10. Enquanto somos jovens
11. O último poema do Rinoceronte
12. Divertida Mente
13. Jurassic World
14. Uma nova amiga
15. Jimmy`s Hall
16. O último Cine Drive-In
17. Que horas ela volta?
18. Homem Irracional
19. De cabeça erguida
20. O Clube
21. Lulu, nua e crua
22. A Travessia
23. Música, amigos e festa
24. Ponte dos Espiões
25. 007 – Spectre
26. Chatô, o rei do Brasil
27. O Clã
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Livros:
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1. Pra seguir minha jornada
2. Sonetos do Bocage
3. Os protocolos dos sábios de Sião
4. Em alguma parte alguma
5. O homem dos 40 escudos
6. Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho
7. Em uma noite sem luar
8. Ninguém escreve ao coronel
9. O remorso de Baltazar Serapião
10. A razão de Deus
11. Sociedade Excitada, Filosofia da Sensação
12. O pequeno príncipe
13. Conversas entre escritores
14. Religião dos Espíritos
15. O livro da filosofia
16. O inspetor geral
17. A paixão segundo G.H
18. A vida de Galileu
19. Lírica de Camões
20. Contos Completos da Virgínia Woolf
21. Moby Dick
22. Fuente Ovejuna
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Teatros:
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1. Ópera do Malandro
2. Sobre cartas e desejos infinitos
3. 1915
4. Urinal, o musical
5. O Impostor Geral
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Shows:
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1. Milton Nascimento (Festival Espetacular)
2. Gonzaguinha, 70 anos (Vale do Anhangabaú)
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Óperas:
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1. O amor dos três reis
2. Um homem só
3. Ainadamar
4. Poranduba
5. Eugene Onegin
6. Thais
7. Bodas no Monastério
8. Manon Lescaut
9. Lohengrin
10. O Homem dos Crocodilos
11. Édipo Rei
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Dança:
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1. Anatomia da Melancolia
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1 - Thais (Ópera) – Resenhas 2015

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Thais foi simplesmente o espetáculo mais lindo que assisti no ano de 2015!
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Ópera magnificamente montada no Theatro Municipal de São Paulo entre o final de Julho e o começo de Agosto do ano passado.
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E que felicidade ter conseguido ir justamente na última récita, quando todo aquele colosso estava se despedindo do mais importante palco paulistano!
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A ópera narra a estória de Thais, uma sacerdotisa grega (se não estou enganado) que vive uma vida de gozo e espiritualidade, desfrutando dos prazeres do corpo em comunhão com as pulsações do espírito.
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Sua fama é tanta que um alto funcionário da Igreja Romana é encarregado de inseri-la no Catolicismo, alegando que toda aquela ritualística seguida por ela seria algo profano, não verdadeiro e que poderia levá-la a perdição.
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Thais aceita o convite e refaz sua vida, mudando sua morada para poder melhor seguir os preceitos ditos cristãos.
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Então, tem-se uma longa transformação nos dois personagens centrais que vão se encaminhando para o extraordinário canto da cena final!
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Thaís, deitada no alto do palco canta suas glórias cristãs, as tantas magníficas belezas que a esperavam, os céus que se abriam diante de seus olhos.
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Enquanto isso, o funcionário católico amargura sua humanidade, terrivelmente dilacerado de amores pela ex-sacerdotisa, vivendo o martírio do celibato que o impede de seguir seu coração.
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Ela flutuando em direção a Deus e ele amordaçado ao chão e ao amor irrealizado!
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Ele fora vítima de sua própria fé, enquanto Thais havia conseguido realizar seu processo de conversão, entregando-se sublimemente ao caminho pregado por Cristo.
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Ele, ao converter tamanha beleza espiritual feminina, criara para si seu Carma mais dolorido.
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Ao retirar dos domínios pagãos tamanha espiritualidade, Athanaël criara sua maldição mais doce, seu martírio mais humano, sua dor mais sublime.
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Athanaël fundara seu remorso mais angustiante, pois, seu amor pelo divino fora abalado justamente por aquela que ele convertera à sua doutrina religiosa, alegando ser esta algo superior.
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Uma conjunção de aspectos humanos e divinos entrelaçados numa teia de significados extremamente profundos que transcendem o acontecimento artístico que se desenrolou naquele espaço!
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E que voz tinha a soprano!
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Além dos elementos musicais, é necessário falar também dos aspectos estéticos que deram ainda mais beleza a esse lindo enredo.
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O cenário estava fenomenal, todo feito em branco, sendo que as luzes iam dando as mudanças de cor ao longo de toda encenação.
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Os figurinos estavam lindíssimos e os movimentos cênicos dos corpos davam a impressão de um longa e constante passagem de tempo. Os personagens entravam do fundo do palco e iam saindo vagarosamente em direção à direita do espectador ou àquilo que seria a esquerda dos que estavam no palco.
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Muito dos acontecimentos sutis da cena se deram por um lento e contínuo movimento de caminhada vagarosa e solene que se balanceava com tudo aquilo que estava acontecendo no centro da cena.
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E que poder tiveram aquelas grandes figuras andando constantemente por longos minutos ou até horas.
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Um arraste elegante de elementos e informações teatrais que pareciam querer extrapolar as margens do palco do Municipal, dando a impressão de que aqueles que por ali passavam continuariam sua jornada, andando eternamente além das paredes daquele Palácio, do Theatro, indo a algum lugar equidistante de todas as coisas que ali estavam acontecendo, riscando um horizonte longínquo que talvez pudesse indicar a saída de toda trama que ali estava sendo desenhada.
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A transcendência do espaço por um simples, lento, mas constante caminhar!
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As danças também estavam muito bonitas! O Balé da Cidade de São Paulo possui um conjunto de bailarinos de altíssima qualidade!
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Após toda essa beleza, fiquei ainda mais impressionado com todo aquele acontecimento artístico quando soube que apenas um homem fora o responsável por toda parte visual.
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E o gênio por trás de todo esse esplendor é o italiano Stefano Poda que assinou não só a Direção cênica, a Cenografia e os Figurinos como também o Desenho de luz e, para arrebatar, a própria Coreografia. Ou seja, este artista responde, excetuando a música, por toda a grande beleza que aconteceu naquele palco!
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Fiquei abismado!
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Essa montagem foi feita por Poda para ser encenada, primeiramente, no Teatro Regio de Turim, em sua pátria. Sua qualidade é tanta que ela foi eleita como uma das 20 melhores montagens em todo Mundo dos últimos 20 anos. Isso de acordo com a renomada BBC Music Magazine.
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Ou seja, é algo que se consegue ver apenas algumas poucas vezes na vida!
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O significado das esculturas, o sagrado e o profano, os deuses alados e os corpos nus, as figuras místicas de diferentes frentes religiosas que passaram pelo palco, tudo pertenceu àquele tipo de arte que nos leva às mais altas esferas!
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FICHA TÉCNICA:
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THAÏS - Jules Massenet



Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo
Coro Lírico Municipal de São Paulo
Balé da Cidade de São Paulo
Alain Guingal – Direção musical e Regência
Gabriel Rhein-Schirato – Regente assistente
Stefano Poda – Direção cênica, Cenografia, Figurinos, Desenho de luz e Coreografia
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ELENCO:
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Thaïs:
Ermonela Jaho
Sara Rossi Daldoss
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Athanaël:
Lado Ataneli
André Heyboer
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Nicias:
Jean–François Borras
Luc Robert
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Palémon:
Károly Szemerédy
Saulo Javan
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Crobyle - Carla Cottini
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Myrtale - Malena Dayen
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Albine - Ana Lucia Benedetti
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Charmeuse - Lina Mendes
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Um servo - Eduardo Trindade
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Stefano Poda