domingo, 17 de setembro de 2006

DO CONCURSO QUE NÃO GANHEI - III

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contos de escárnio e mal viver de um alguém
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por entre os becos sem vez nem voz, onde só ruídos ruminantes ecoam sós,
nasce e cresce o que há de mais biológico no ser dito humano,
nasce e cresce meus desejos de podridão e picuinha,
nasce e cresce eu em tudo que renego e suplico,
nasce o suplício sadista de te ver em tão pouco
quando tanto poderias ser e ainda sim,
És.
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te invejo pois carregas na essência biológica
o tesouro maior que não conquistastes
nem nunca irá perder, pois está intrínseco
ainda que seco e sufocado,
e mesmo que cotidianamente podado em descuidos,
sempre consegue me transcender.
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não valorizas, por quê?
mas não, por favor, não valorizes,
pois me terás sempre aos teus pés e punhos.
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finja com verdade inteiriça o desvalor do meu implorar
e assim terás o gosto de me ver arrastando gozante,
perdendo em teus rastros a tamanha burguesia desprovida de genes,
dotada de calos, de contas de faz de conta,
de rotinas latejantes por não te ser.
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verás meus cabelos esticados, tingidos, bem tratados.
terás teus sebos engruvinhados, despontados e insistentes,
esvaindo sem direção às inspirações
que nego até o fim de todo toque primeiro,
então,
entrego-me minguante entre suas cracas e cascas-de-banana-banquete
de ratos amigos e caçados na solidão da fome
da corpulência modelada pela dureza dos esconderijos sujos.
a natureza em sua energia demente.
escória podre volumosa que lambuzo de desejos carnívoros,
que abuso,
mas,
recuo-me com medo na segurança longilínea da cobertura rica e carente
que se esconde pedinte e insone,
desesperadamente lamentante de gozo e dor.
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volto.
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volte pra mim, te imploro que aceites meus trocados,
bocados e boquetes inválidos de uma boca vazia, murcha.
teus lábios me preenchem inteiramente com tuas carnes,
me perdem sem volta em sua maciez.
teus membros me adentram num impulso de vômito e pavor.
me agarro nas grades.
te grito que pares pela palma que estancas meus sons,
que me impede de tudo,
que me roças em pelos-se,
que me seguras em pacificando-me,
que me controlas em ativando-te.
um desbaratino ondulatório e repetitivo
dos membros gigantes,
dos rostos sulcados,
da pele escura de lama,
dos olhos vermelhos de insanidade
o entorpecente pacificador
do corpo lustroso, e dinâmico de formas.
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formas meu desespero mais esperado.
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por dias e noites escorro-me de nojo pelo ralo do banheiro.
por dias e noites alucino-me de encontro à tua escassez sólida,
rígida de fome numa consistência noturna
que enxergo de longe
e me trai e atrai ao teu encontro.
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És o que não existe em mim.
És o escuro úmido e sádico do beco que me contem inteiramente
numa dominação sem piedade e sem medidas.
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na escuridão negra sofres e goza sem voz
num mudo de segurança insana.
teus espasmos de não prazer e de raiva me enchem de inveja e orgulho,
me enchem de vazios do término doloroso
que já nem olho mais
por temor da recaída
pela fome de ti em mim.
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não existe nós
pois te sou.
não existe eu
pois não sei se sou.
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viva o descontínuo do mundo,
pois vivo a compra do sonho.
seja sempre todo esse escuro,
todo esse escasso,
todo esse esquivo da sorte,
vizinho da morte,
escravo da beleza,
senhor de mim.
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Um comentário:

Anônimo disse...

impossível