domingo, 17 de setembro de 2006

DO CONCURSO QUE NÃO GANHEI - V

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Cicatriz
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A luz reflete nas marcas de minha mão lacrimejada
Mãos trêmulas, eternamente oscilantes
Que hesitam, que apenas se debatem
Como energéticas figuras deformadas
Formadas por milhões de átomos atômicos
Partículas ínfimas, fontes de vida e dú-vida
Que em um simples toque, pode romper em explosões
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Desconfio que a fragilidade dos momentos seja definível pelas mãos
Cada instante é modelável por simples dedos
Por fálicas falhas que em toda sua complexidade
Não são capazes de sequer riscar simples retas
Retas determinantes dos tempos
Caóticos são/somos suas memórias
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Se o tempo é uma linha, a mão que o determina é um instrumento
Se a faca tem o corte, o dedo também fere
Fere como febre aguda, corrosiva como fervura em lágrimas
Água borbulhante que cai sobre os pés
O dedo é lâmina, bisturi
Fatias de um canibalismo suculento
O dedo rasga carnes e almas
Almas desfeitas nos toques das teclas e dedos
Dedilhados infinitos, energéticos
Dedos e palmas nos ritmos
Compassos quaternários compostos
Circulares de 5 por 8, 10 por 1 mim derivado
Mão instrumento de junção, mão divina criação, mão criatura de precisão
É criança livre e solta, brinca, arranha, arranja
Aranha de 5 patas, saltita, transfigura-se, pinta, borda, articula, expressa
Sonha
Ainda que eternamente oscilante
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Quantos cortes existem nesses versos?
Quantos portes de suculência carnívora sou capaz de adentrar?
Quão afiados são os escritos redimidos à vida pelas mãos?
Quantos são meus anseios que se expressam apressados
Por esses toques que se avolumam cada vez mais
Num batuque canibal de horas noturnas?
Um ritual de machucados literários que dançam em volta da fogueira
Vociferando líquidos internos de desejos belos e minguantes
Em mim: guantes, em fim: antes
Indivíduo canhoto afável dos olhos cálidos num calado
Do corte gritante de multidões reprimidas num interior capital
Capitalista de negação, comunista de egoísmo
Todos somos assim
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Instrumento de voz muda
São 10 os seres que falam neste instante de rouquidão vocal
Perplexo demais pra transparecer orgulho ou depressão
Feliz da inveja alheia, ainda que pouco poética
Mais ainda patética, digna de exclusão
A mão é instrumento de exorcização de males de mares de males demais
Maré de azar refletido eu nas mãos lacrimejadas
Mimadas por catarolantes serem em teclado e teclas sonoras
De batuque ou melodia efêmera
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É fêmera fêmea a mão do corte da linha perdida da vida
Quiroalgumacoisa que duvido, mas não nego por temor
Ceticismo tamanho de dar dó, mas ainda assim inteiriço
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A mão lacrimejada lacrimosa e clássica serve de espelho refletor
Ainda que a palma não seja mirada
Apenas apóia-se em pequenino instantes
Desajeitada – hesitante na superfície escaldante
De um teclado de possibilidades
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Seus cortes minam a seiva do arrependimento
Vermelhidão incisiva que se impera perante olhares da dor indignante
Esses seus cortes oh mão
Não sabem de suas maravilhas cicatrizantes do que não sangra realmente
Mas é capaz de encharcar de escracho e descrença redentora
Meu cotidiano de mundos em desavenças
Seus cortes tiram proveito do deleito incestuoso de mins em guerrilha exterminante
Minha família de propriedades sente saudades do bucolismo que aqui cochilava
Entre os leitos lindos de exteriorização regenerativa
Pelos meios de 10 vias públicas ao meu privado
Que privado, privada já, como ainda mais será
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Instrumento metido em tudo que existe por aqui
Cantarola a hesitante voz num coral desafinado, mas satisfatório
O que de mim restou sae por esses restolhos de arrependimento disfarçados de poema
A exatidão tornada inexata se corrompe ainda mais perto do fim
Desafina a harmonia num dissonante catastrófico aos ouvidos singelos
Meu instrumento mão transforma-se em derradeiro não
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A quiro–cientologia humana já não se sabe nem de mais nem de menos
Pois o excesso de linhas-palmatória aberta em exposição analítico–ocular
Traz a ida de meus andores e amores pelas trilhas da/na carne
O tempo escorre pelos vãos numa ida a-inda indo, mas finda de possibilidades
A que resta está aqui nestes versos e em tantos outros
Minhas mãos não se sabem por si, mas se acabam por mim
Nestas câimbras de desespero feroz que debulham teclas num escrever descompassado
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Sem passado, sem memória, nem esperanças
Estas minhas companheiras são fortalezas de conquistas de além mar
Porém aquém, e muito aquém de meus anseios meninos de maravilhas em bondade
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Sem passado, sem memória, nem esperanças
Restamos nós aqui jogados nesta cadeira, calados por horas a fio
De navalha na carne do pulso sustentáculo das aranhas de vida minha-própria–mente exaurida
Exaustão de ardores
Aleijado de andanças
Descrente de mudanças
Sem passado, sem memória, nem esperanças
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Fico - ficamos nós aqui
Vazios famintos de não falar
Empanturrados enjoados de tanto falhar
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