quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

QUINGENTÉSIMA POSTAGEM

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Auto-comiseração
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Não vejo nada além do visível
Não sinto nada além do sensível
Não crio mundos
Nem delibero de mim
Sou rente ao pífio
Utilizo-me da matéria com distância
Primeira e única possibilidade
Sou minhas curtas margens
Rio sem volume, sem paragens
Vastidão sem miragem
Não desfruto de poréns
Poucos portantos
Milhares de talvez
Vivo sem recanto
Encanto de nada
Pequenas são minhas saídas para o mar
Nunca naveguei senão por outros
Fico imaginando miudezas
Caçando novidades
Pensando-me raridade
Invento maus tratos
Na esperança de ser gente
Dotada de belezas
Mas é hostil a realeza
Escolhe seus semblantes
E se esquivou das sombras
Não gosta do vil
Não gosta do credo
Sorrateira esvaiu
Deixou-me senil
Abandono descrente
Terreno inválido
Nó instável
Provável suicídio por fracasso
Que esparso escasso
Desisto de ser
Putrefato poder
Multidão inoperante
Declinação do infante
Menino da perdição
Que antes ignorância
Agora resignação
Pungente vértice baixio
Do universo espiral minguante
Introspectivo suplício
Opaco sufocante
De sombra e vício
Degradado filho de Adão
Auto-comiseração
Serpente sem paraíso
Animado fictício
Cabisbaixo navegante
Sou eu meu pior amante
Sou eu meu derradeiro resquício
Aqui jazz-me em vida
Posto numa tentativa
De rima
Esquisita...
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