terça-feira, 3 de novembro de 2009

Postagem 595

Um ser humano completo e feliz
.
Nada dói mais em mim
Meu engolir
Minha gestão de mazelas
Se calcificou
Numa caótica inconclusão
Numa eterna perversão
Indefinida
Nem perverso
Nem seu oposto
Nada dói mais em mim
Minha cabeça
Não se confunde mais
Meus olhos
Não se enchem mais de nuvens
Ao toque temporário das obsessões
Meus dedos fugazes
Obedecem ao comando
Minhas mãos não tremem
Ao toque do inimigo
Nada dói mais em mim
Meus gritos saem suaves
Minhas revoltas comportadas
Meus espasmos minguantes
Meu todo pseudo
Nada dói mais em mim
As horas correm livres demais
A natureza não me interessa
O céu é bem distante
Nada dói mais em mim
Meu querer se assentou
Meus medos se esconderam
Minhas palavras saem com coesão
Excessiva
Nada dói mais em mim
Meios termos
Meios mundos
Meios seres
Meios medíocres
Finalidade equilibradiça
Nada dói mais em mim
O abraço envolve suave
Frio
O sorriso sai lento
Morto
O choro nunca mais
Sonso
Nada dói mais em mim
A raiva nem sei
O ódio esquecido
Esquisito
A extinção de extremidades
Concentração correta
Corretamente podada
Portada
Nada dói mais em mim
Pinceladas de sublimação
Num mar de frações
Frustrações
Gerações inacabadas
Fases escorregadias
Nada dói mais em mim
Areia movediça
Que mantém a superficial indolência
Inofensiva
Colocada
Pacata
Profunda escuridão
Bárbara lassidão
Esquecível
Superável
Nada dói mais em mim
Pálpebras a meio olho
Olhares a meio ângulo
Lábios a meio tônus
Corpos a meio metro
Cumprimentos a meio palmo
Amores a meio riso
Nada dói mais em mim
Equilíbrio sentimental
Não me toque racional
Complexo cultural
Desespero seminal
Colorido abissal
Nada dói mais em mim
Status atual
Gesso boçal
Auto-crítica canibal
Sub-mundo colossal
Pós-cirúrgico ideal
Máquina ilegal
Música marcial
Pardal anal
Nada dói mais em mim
A alma santa
O corpo denso
Tenso
Nada dói mais em mim
Tudo
Simplesmente
Lateja
Lateja
Lateja
.
Nada mais dói em mim do que a minha não-dor

Um comentário:

Anônimo disse...

"Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso..."