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Um misto de biografia e análise literária de uma vida, ou melhor, uma biografia construída, primordialmente, em torno da literatura de Clarice Lispector. O fio condutor são os romances, os contos, e o que vivia sua autora nas passagens em que estava escrevendo este ou aquele livro.
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Clarice foi totalmente sofredora, genial, espiritualmente não trabalhada. Uma mediunidade grandiosa que foi fenecendo no vácuo de uma mente inquieta que cavou seu túmulo perpétuo, inescapável, dia-a-dia, na mais imperfeita convicção aflita de estar vivendo.
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Não era tanto vida, mas simplesmente obras!
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Nascida em meio a uma guerra sangrenta, fugida de uma cidade que nunca mais visitou, pais falidos, mãe doente, irmãs loucas, ela mesma se encaminhando para tal fim, Clarice é sempre superlativo que soa belo somente enquanto arte, mas totalmente pesado de ser em si.
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Começou a escrever cedo. Inventava estórias, nomeava os azulejos do banheiro, firulava situações para divertir os outros quando pequena. Isso foi crescendo junto com ela, ou melhor, até mais do que ela. Morreu latente, a maior escritora do modernismo brasileiro, no entanto, carente e infantil...
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Nem mesmo seu psiquiatra a suportou!
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Casou-se, teve um filho que se tornou esquizofrênico, tentou e tentou a vida por anos, oscilando entre raros momentos de euforia, cercados de outros tantos e tantos de escuridão e perdição que, se valeram, não valeram em si, mas simplesmente por aquilo que eles não foram, ou seja, pela ficção que deles surgiu.
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Terá sido Clarice Lispector um erro, ou uma parábola grandiosa do sofrimento que faz transcender o reles humano?
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Não sei e não pago pra ver!
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O autor, Benjamin Moser, é explicitamente judeu. Isso fica claro no quanto ele repetidamente faz questão de falar do anti-semitismo, do sofrimento judaico, do misticismo da religião, e coisas do tipo, soando algumas vezes um pouco apelativo em ligações ou acusações construídas no decorrer dos capítulos.
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Mas é um livro muito bem escrito! Uma linguagem simples, bem colocada, fácil de prosseguir apesar do tamanho e das constantes referências contidas que remetem a bibliografia localizada no fim do livro.
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Eu recomendo a leitura e também bastante calma, porque se envolver no sofrimento de Clarice pode ser um erro bastante torturante ao leitor!
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2 comentários:
"...entre.o.sim.e.o.não,o.importante.é.escolher.Clarice.Lispector"
Muito bom a resenha ou comentário sobre "Clarice" e o trabalho que teve este autor. Abraço
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