
Considerações sobre a mente
ou
As paredes da consciência
É como se houvessem caminhos livres e outros fechados para o desenrolar do pensamento.
São pontes que não construímos, mas, temos a liberdade de escolher, dentre as existentes, aquela que iremos passar. Não construímos facilmente as pontes, estas são feitas homeopaticamente com o desenrolar do tempo da vida.
O pensamento não é totalmente liberto. Ele depende de parâmetros emocionais, repertório de vida, estrutura física do aparato nervoso do indivíduo e outras variáveis ainda mais sutis que estas aqui enumeradas. Estas variáveis fazem parte daquele mar de coisas que, de maneira dispersiva e inexata, chamamos de energia.
A mente não somentemente dependente da emoção, do dito coração. A mente possui amarras muito sérias, e forças que podem mesmo determinar os caminhos que iremos traçar. Não há dúvidas de que, dentre os segmentos humanos mais controláveis pelos encarnados, a emoção seria aquela que mais influencia no funcionamento cerebral, no entanto, ela não resume, nem controla a totalidade dos pensamentos, nem mesmo determina o funcionamento imediato dos caminhos pensáveis.
É como se houvessem salas mentais escuras e tivéssemos apenas uma pequena lanterna para iluminar aquilo que queremos ver. Ao mesmo tempo, dentro desta sala, estaríamos encima de uma mesa giratória que não controlamos suas giradas. Nunca daremos conta de vislumbrar toda a estrutura e nem guardar na memória todas as transformações desta sala viva, nem tampouco, como já foi dito, controlar a mesa que nos direciona o canto ao qual podemos iluminar.
Uma metáfora exageradamente complexa, mas, em se tratando da consciência, os aspectos tendem a não serem resumíveis por pontos restritivos, como este texto presunçoso.
Falando de maneira prática, podemos apenas, dentro de um determinado espaço restrito, focar o feixe luminoso para este ou aquele ponto, mas dificilmente transferiremos o foco de luz inesperadamente ao lado oposto da referida “sala mental”. E, mesmo esta sala viva, não é viva dentro de nós, vivida por nós, mas tem sua própria lógica de transformação.
Que assim seja, posto que assim é!
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