.
Iniciar poema sem inspiração
Iniciar poema sem poesia
Poema raso no mínimo linear
Da linha quebradiça esguia
Destituído de se sentir mais próximo
Demente tentativa dispersiva
.
Mas...
.
Nascente minúscula sob vontade
Prazer sensível redigente
Morada vocálica da madrugada
Que nasce apenas
Pelo simples digitar
Pela simples convicção
De que palavras são capazes
De por si mesmas
Envolverem-me
Enovelarem-se de si
Ao ponto de cascatearem-se
Num processo retro-alimentável
.
Portanto...
.
Imbuído casulo lexical
Sintaxe emergente do vácuo
Influxo em potencial vívido
Espalhados vocábulos colhidos
Dizeres recém nascidos
A beleza de mínimo parto redentor
A simbiose de probabilidades
Ímpeto do fazer descartável
O lixo agônico que deslancho
.
O nada pó poético
Poeira convicta platônica
Encarnada nos versos
Debandados da simples hipótese
Convergentes nesta oração senil
.
Do sermão renasce a voz
Do senão desfaz-me o peito cálido
E pelo verso converso raso
Silêncio convertido de mim
Sou convexo de frases sinceras
Dialógico intrínseco
Sinceramente impostos
.
Agora...
.
Eis o isto indo além do aqui
O oposto poético neste inteiriço prolixo
A arte desatada da inspiração
Neste despovoado mediocrecídio
Que sigo adiante por pedante ser
.
Eu...
.
A destreza do enovelar palavro
Faz-se potente pelo contrário
Sendo, no entanto
Impotente barbárie minguante
Do escrevente indigno do agora
.
Das palavras a caça pífia
São delas as linhas sem retorno
Encantadas cegas perplexas
Pelos caminhos de minúcias
.
Somentemente por elas
Exclusivamente verbal apoético
Abrem-se as deslíneas então
Delineada infantilidade tentátil
O prosa surda da gota curva da vida curta
.
Epitáfio...
.
Da arte a memória recôndita
Vocabulário gasto desfeito
O despertar inútil de sensações
Pelo verso em calmaria sem jeito
Que agora se desfaz resignado
Neste peito redigido passado
Arfante e provável arrependido
Deste desmanche soslaio sem sentido
.
Fim...
.
2 comentários:
Gostei muito! sua escrita fica cada dia melhor! acho que chamam isso de amadurecer...
Eduardo Marinho – O artista plástico carioca falará sobre a construção de poesia e arte enquanto instrumentos políticos e de denúncia social. Eduardo Marinho é um produtor independente, que, acima de tudo, pensa a arte como elemento de mobilização para a mudança na sociedade. A arte, para ele, passa pelo filtro da personalidade de quem a materializa e adquire um bocado do seu corpo abstrato, ou seja, seus sentimentos, suas idéias, seus desejos, seus objetivos, sua visão de mundo, suas opiniões e tantas coisas essenciais que fazem parte do ser. “Eu escolhi a arte para a função de sensibilizar, esclarecer, conscientizar, causar reflexões, questionar valores”.
www.observareabsorver.blogspot.com
Postar um comentário