O menor livro de Guimarães Rosa que eu já li.
São 21 contos que tratam de diversos universos. Neste livro foi a primeira vez que vi Guimarães saindo do meio sertanejo e sondando passagens também ocorridas na cidade.
Estes 21 contos são posicionados de maneira a haver um espelhamento entre eles, ou seja, o primeiro e o último estão ligados, o segundo e o penúltimo, e assim por diante. Sendo o décimo primeiro o centro da supra-narrativa, aquela que perpassa todo o conjunto.
Lembro-me que na época cheguei a entender este paralelo, coloquei um conto de frente para o outro para achar pontos de ligação, e cheguei a achar alguns, mas não me lembro mais destas ligações.
Os textos abaixo são um pouco meus, um pouco retirados da internet.
Os contos são:
1. As margens da alegria – este juntamente com Os Cimos (o último) formam as margens, a moldura desta obra. Apresentam as mesmas personagens no mesmo ambiente.
2. Famigerado - narrado em primeira pessoa. Constitui-se num episódio cômico.
3. Sorôco, sua mãe, sua filha - conto narrado em terceira pessoa, mas com a participação ambígua do narrador como personagem.
4. A menina de lá - narrado em terceira pessoa. Fala de uma menina que tinha visões, estava pronta em vida, por isso morreu cedo. Sua missão era curta na terra.
5. Os irmãos Dagobé – escrito em primeira pessoa. Alguém do arraial, presente no velório e no enterro, que registra suas impressões sobre os irmãos Dagobé e possíveis acontecimentos futuros.
6. A terceira margem do rio – narrado em primeira pessoa. É o conto mais famoso do autor. Fala do homem que entra numa canoa e vai navegar dentro de um grande rio. Seu filho por dias e anos e mais ainda, vê seu pai, leva comida e deixa nas margens para que ele coma e não morra de fome. Até que o homem não come mais, continua dentro do rio e seu filho não sabe se ele está vivo, se ele consegue enxergar o pai, ou se são apenas visões de fantasmas. Uma metáfora sublime da morte, esta terceira margem do rio!!!
7. Pirlimpsiquice – crianças, por meio da imaginação, realizam magia pela arte do teatro. Falam em outras línguas, incorporam personagens diversos. Lindíssimo!!!
8. Nenhum, nenhuma - No conto Nenhum, Nenhuma, a indefinição do espaço se articula com a questão do tempo, na medida em que todas as referências a espaços indefinidos misturam-se à memória perdida que o narrador tenta recuperar; o que ele talvez resuma da seguinte forma: As lembranças são outras distâncias...
9. Fatalidade - Conto narrado em primeira pessoa (testemunha), cujos personagens são: Meu Amigo, delegado filósofo, que já foi de tudo na vida, e Zé Centeralfe, caboclo perseguido por um valentão que lhe quer roubar a esposa.
10. Seqüência – é a história de uma busca incessante, um grande perseguir, ir adiante, correndo e correndo mais e mais.
11. O espelho – não por acaso este conto, o meio do livro, possui esse nome, já que os contos que se seguem depois dele possuem uma estrutura espelhada naqueles que o precedem. O narrador, em primeira pessoa, conta da sua luta para provar a falta de lógica e de sentido do mundo. Interessante pensar que o conto que faz a coesão entre todos os pontos da obra, dentro desta temática espelhada, é justamente aquele em que há o esforço para dizer que o mundo não faz sentido nenhum.
12. Nada e a nossa condição - Conto com narrador em primeira pessoa (testemunha), cujo personagem central é Tio Man'Antônio, mais um dos loucos iluminados de Guimarães Rosa. Guimarães adora a figura do louco que possui visões, que diz coisas estupendas, que revela segredos, que intriga por saber coisas que os normais não sabem.
13. O cavalo que bebia cerveja - Narrado em primeira pessoa, Reivalino, um homem do meio rural e tem como tema o mistério, a não aceitação daquilo que é diferente.
14. Um moço muito branco - Este conto é introduzido por uma precisão espaço-temporal atípica em Guimarães Rosa e pode ser classificado como fantástico.
15. Luas-de-mel - O conto, narrado em primeira pessoa, introduz o motivo, fundamental na obra rosiana, do eterno feminino.
16. A partida do audaz navegante - Conto narrado em terceira pessoa, onde há duas histórias justapostas: a que nos conta o narrador, envolvendo as crianças; e a que Brejeirinha inventa sobre o “Audaz Navegante”. Acho que esse Brejeirinha é uma criança ou um andante que encanta a todos com suas estórias.
17. A benfazeja - Mais uma vez a idéia de que "quem não está preparado para a verdade não a pode enxergar".
18. Darandina - Conto narrado em primeira pessoa, por uma testemunha do episódio, um plantonista de um hospício. Eis um exemplo de conto em que o autor sai um pouco do universo estritamente rural.
19. Substância - Este conto tem como personagem principal Sionésio, homem simples, trabalhador e calado.
20. Tarantão, meu patrão - Outro conto com anticlímax. É a estória de um "louco-iluminado" da galeria roseana, o Iô Jão-de-Barros-Dinis-Robertes, narrada em primeira pessoa por Vagalume, ajudante-de-ordens do protagonista e encarregado de cuidar dele, que, envelhecido, era dado a doideiras e desatinos.
21. Os cimos - Narrado em terceira pessoa, neste conto é retomado o mesmo tema de As margens da Alegria: a descoberta do mundo, de sua magia, dos ritos da tristeza e da alegria, dos ritos da travessia e de superação do medo e da dor.
Guimarães é sempre sempre bem vindo!!!


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