terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Em uma noite sem luar (Livro)

Achei esse livro próximo da porta da FESPSP. Estava encaixado num suporte para quem quisesse pegá-lo. Tratava-se de mais uma daquelas ações de desapego que muito se espalham por tantos ambientes descolados de hoje em dia.
.
Estanquei súbito atraído pela estética orientalista da imagem.
Sim, foi a estética da capa que me chamou a atenção e, seria vã a tentativa de negar que, em verdade, nela estava o elemento a me chamar para o conteúdo: a imagem da Cidade Proibida.
.
Negar que várias vezes julgamos os livros, num primeiro momento, pela capa, é demagogia. Julgamos diversas vezes livros por suas capas posto que o atrativo do olhar se adianta a ponderação da acalmada observação.
.
Li rapidamente o verso e levei o exemplar comigo na esperança de que a sorte me fizesse encontrar uma literatura diferente das que andava lendo. Além disso, o texto dizia que seu escritor, Dai Sijie, é “o aclamado autor de Balzac e a Costureirinha chinesa”, um livro bastante famoso.
.
Mas as surpresas não foram tão boas!
.
Achei o livro arrastado, com pouca ação e excessiva minúcia na descrição das coisas. Por um tempo foi interessante sentir a estética literária de bases orientais, uma maneira especial de descrever os detalhes que, até então, eu nunca havia tomado contato na arte escrita. Mas isso se desgastou ao longo das 248 páginas.
.
A narrativa desenha a estória de uma jovem francesa que se muda para a China a trabalho e também por admirar a cultura daquele país. Lá, ela conhece Tumchooq, um vendedor de legumes cujo pai, um francês, passou a vida inteira a procura da metade de um pergaminho.
.
Este pergaminho, de acordo com as lendas locais, teria sido escrito pelo próprio Buda, Sidarta Gautama, numa língua desconhecida. Após passar por diversas mãos, o objeto foi entregue ao imperador Puyi que, quando estava partindo para seu exílio forçado, após ser preso pelo governo de Mao Tsé-Tung, rasga o texto no meio e o joga fora.
.
Resta então, apenas uma das metades que diz: “Em uma noite sem luar, um viajante solitário avança no meio da escuridão por uma longa trilha que se confunde com a montanha, e a montanha com o céu...”.
.
Enfim, o mote é interessante, mas achei o autor meio perdido na complexidade do universo ficcional de sua própria obra.
.
Há diversas páginas sobre o imperador Puyi que sofria de desequilíbrio mental, sua solidão, suas bizarrices, suas manias, suas pinturas. Outras partes descrevem a protagonista e seu par amoroso. Outras falam do pai de Tumchooq que fora preso pelo regime.
.
Ou seja, os elementos são muitos e a força atrativa da narrativa não nos chama constantemente para plano ficcional que se desenrola longamente pelas páginas.
.
Também achei que Dai Sijie construiu pouca sinergia entre o casal romântico. Não saberia dizer se esta contenção amorosa não teria sido uma escolha consciente, do próprio autor, numa tentativa de retratar o que seria a reprimida realidade amorosa dos casais enamorados na China de 1979.
.
Sendo uma opção consciente ou não, fato é que não me agradou.
.
Cheguei ao fim com a impressão de que havia passado quase ileso pela obra!
.
Uma pena!!!
.


Nenhum comentário: