segunda-feira, 8 de julho de 2019

Música que nunca será gravada...

A Marcha do Bufões
Feita para o espetáculo "O Impostor Geral"

UMA RODADA DE BATERIA

Coro: "Se sua cara é torta, não culpe o espelho."
DUAS RODADAS DE BATERIA

SOLO VIOLINO (em toda música): 
D#m7/9, Dm7/9, Dbm7/9, Cm7/9, Bm7/9

Bm7 (Nota cantada: Fá#)
CORO: Se o espelho
Bbm7 (Nota cantada: Fá)
Entorta tua cara
Am7 (Nota cantada: Mi)
Pára e repara
Bbm7 (Nota cantada: Fá)
Que teu olho mascara
Bm7 (Nota cantada: Fá#)
O defeito que está em você

Bufão:
Bm
Estive em uma ilha onde a Lua se esconde. 
Cm
Como sabem, a Lua guarda segredos de muito longe
C#m
De nossos pequenos arquipélagos distantes
Dm
Que no fundo de nossos peitos habitam errantes.
D#m
Nesta ilha que visitei, a Lua estava tão perto
Dm
E chegando ela até mim, se abriu um vasto deserto
C#m
Que me levou para dentro dele e me senti perdido
                                              Cm
E foi quando uma criança disse assim, cochichando em meu ouvido. 

Cm7 (Nota cantada: Sol)
CORO: Se o espelho
Bm7 (Nota cantada: Fá#)
Entorta tua cara
Bbm7 (Nota cantada: Fá)
Pára e repara
Bm7 (Nota cantada: Fá#)
Que teu olho mascara
Cm7 (Nota cantada: Sol)
O defeito que está em você

Bufão:
Cm
Sem compreender suas palavras, eu continuei meu caminhar 
C#m
Oh não! O que deveria eu então pensar? 
Dm
Admitir que o defeito que eu aponto no semelhante
D#m
É o que eu, sendo igual, tenho também em meu semblante?
Em
A verdade é que não há segredo e sempre devemos agir
Fm
O segredo está na verdade, no conjunto de toda ação
F#m
E a verdade é o segredo do mistério impensável!
Fm
Aquilo que me segue, persegue e me alimenta desde então.
Em
E desde então, para onde vou, levo sempre comigo
Ebm
O segredo que, lá na Lua, cochichou para mim o menino. 

Ebm7 (Nota cantada: Sib)
CORO: Se o espelho
Dm7 (Nota cantada: Lá)
Entorta tua cara
C#m7 (Nota cantada: Sol#)
Pára e repara
Dm7 (Nota cantada: Lá)
Que teu olho mascara
D#m7 (Nota cantada: Sib)
O defeito que está em você

Bufão:
D#m
Levantem-se, vocês serão meus personagens! 
Em
Afinal, para que estamos aqui nesta enferrujada engrenagem,
Fm
Fechados nessa taverna nos escondendo de tão vasto luar, 
F#m
Esperando encontrar a vida sentada, aqui, neste lugar? 
Gm
Esperando... Esperando?!
G#m
Mas, a partir de agora, serei o malas-artes que vos inflama, 
Am
Um menestrel, um trovador ou um simples poeta que declama 
A#m
Seus versos aos ventos dos mares desertos da Lua em 
A#m
Chamas

PÁRA A MÚSICA

Dono: O que é isso? O senhor entra em minha taverna e atrapalha meus negócios. Por favor, se retire! Aqui não somos bons hospitaleiros para aqueles que interrompem nossa folia.

Bufão: Caro senhor, para que serve manter essas pessoas aqui, bebendo e comendo, oferecendo um simples momento de vida, se elas mesmas não conseguem perceber como e quem elas são? Eu tenho a arte da representação que servirá como o cochicho do menino da Lua no ouvido de todos. 

Coro: "Se sua cara é torta, não culpe o espelho."

REINICIA A MUSICA

Bufão:
Bm
Para que serve o teatro senão para iluminar nossas verdades 
Cm
Que aqui tão fundo, se encontram escondidas em nós?
C#m
A partir de agora seremos todos um só!

Dm (Nota cantada: Lá)
TODOS: Primeiro Sinal!

Bufão:
Dm
Peçam desculpas aos nossos convidados dessa tarde 
D#m
E utilizem suas mesas e cadeiras para criar a atmosfera da história. 
Em
Tudo pode ser transformado e tudo será transformado.

Fm (Nota cantada: Dó)
TODOS: Segundo Sinal!

Bufão:
Fm (4 tempos)
Neste momento estamos em uma pequena vila na Rússia antiga. 
F#m (4 tempos)
Todos serão diversas almas perdidas nesse local esquecido, 
Gm (4 tempos)
Seus personagens estão nestes textos que recebem agora. 
G#m (2 tempos)                            Am (2 tempos)
E você, Dono da Taverna, será o responsável pela loucura em que todos vivem. 
Bbm (2t)                                                   Bm (2t)
E a partir de agora todos serão seus próprios espelhos.

Bm7
CORO: Se o espelho (Nota cantada: Fá#)
OUTROS: Se o espelho (Nota cantada: Si)
Bbm7
CORO: Entorta tua cara (Nota cantada: Fá)
OUTROS: Entorta tua cara (Nota: Sib)
Am7
CORO: Pára e repara (Nota cantada: Mi)
OUTROS: Pára e repara (Nota cantada: Lá)
Bbm7
CORO: Que teu olho mascara (Nota: Fá)
OUTROS: Que teu olho mascara (Nota: Sib)
Bm7 (Notas cantadas (Dueto): Fá# e Si)
TODOS: O defeito que está em você

FIM: SI MAIOR
(Notas cantadas (Dueto): Fá# e Si)
(Terceira Nota: Ré#)

TODOS: Terceiro Sinal!

O Homem de Nós!

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No amanhecer ignóbil 
De uma cidade escarrada
Brota o olhar bestial 
De um homem de qualqueres.
.
Tudo nele são qualqueres!
.
Qualqueres sonhos
Qualqueres hábitos 
Qualqueres caminhos e religiões
Qualqueres palavras
Qualqueres convicções e olhares.
.
Qualqueres são as coisas 
Que brotam deste ser:
Uma máquina regurgitante 
De influências instáveis.
.
A minimalidade 
De seu semblante apequeninado
Juntamente a seus olhares
Recurvos e entronizados
Expõem 
A incapacidade de boquejar suas ausentes coisas muitas
Expandem 
A incomunicabilidade de seus pensamentos
Aclaram 
A inferioridade de suas rasteiras sublimações 
A bestialidade 
De seus fétidos contentamentos
O hebetismo  
De suas elaborações quiméricas de anteconceitos
A inépcia
De sua inventividade de vulgarios bestas 
A estultice 
Da inimaginação que desvela, ao oposto, seu caminho.
.
Eis a horripilante alma aspirante 
De seus horizontes poucos
Que caminha por uma trivial 
E passável manhã consecutiva
Feito o exemplar de uma sintomática vida 
Fruto do recém levante de uma rotina senil.
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Suas vontades não escolhem a certeza
Seu coração não rastreia o amor
Suas mãos tateiam precipícios
Sua cabeça tomba ao mínimo embate
Seu sorriso amarela-se esquivo.
.
Suas costas são conchas inoperantes
Que envergam a derrota de encontro ao solo
Crivando de respeito o pedregulho cáustico
Que serve de sustentáculo do cotidiano.
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Eis o soldado putano do capital primário
O macaco desencaixado do Darwinismo reverso
O inaproveitamento ordinário de recursos genéticos
O escarro último da modernidade líquida.
.
Eis a metáfora de todos nós 
Batizada com nome e sobrenome
Ao mal gosto daquilo que seus pais quiseram.
.
Seus olhos fitam o sucateado alvorecer
Que teima no amanhecimento 
E que destrincha as nuvens
Enquanto seus pés solapam 
O solo urbanamente orvalhado
E as arestas são descortinares 
Erráticos de futuros esquivos.
.
Cada esquina 
Mostra o acorrentamento 
Ao qual seus passos 
Subjugados estão
Cada nova rua
É o encarceramento
De tuas vontades 
A perseguição infinita
Por algo que lhe satisfaça
Cada esquina
Apresenta o novo palco
Através do qual 
Sua alma se arrastará  
Em venenosas cedências
Aflorando cada vez mais 
Suas chagas humanoides
De bicho sôfrego do nada.
.
Este homem de nós
É o retrato irrisório dos medíocres 
A raça escassa 
Das maiorias humanas depravadas 
A inumanidade alastrada dos homúnculos.
.
Este homem de nós
É a espécie escolhida por Deus 
Para arruinar 
As coisas físicas de uma bola d´água isolada.
.
Este homem de nós
É o desperdício constante 
Daquilo que se acreditava ser
Um amanhã inquebrantável.
.
Este homem de nós 
Que caminha como quem não se desata
Tem seus pés perfazentes 
Das reentrâncias biológicas egoístas
Retratos intensos e internos dos seres
Que somos todos os que por aqui estão.
.
Este homem sou eu!
.
Este homem é você!
.
Este universo narrativo está em mim!
.
Esta cidade é aqui!
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Esta cidade 
São pedras e ares 
De uma extrema carência de libertação
Tudo nesta cidade 
É indigno de liberdade duradoura
Todas os contornos da metrópole 
São reféns de algum passado
Que não mais se pode tocar.
.
Todas os angulares trajetos
São resquícios 
De um saudoso arcaísmo impoluto
E os contornos concretos 
Escondem a desordenança
A incompletude avassaladora 
Da matéria manufaturada
As fisicalidades moldadas 
Pela força da penúria 
As formatações enrijecedoras 
De seres incompreensíveis.
.
Este homem de nós
E esta cidade aqui 
Não são dignos 
De prosseguirem em criação literária...
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sexta-feira, 14 de junho de 2019

Spice Girls - Too Much

Eu acho essa música lindíssima...
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DOLOROSAMENTE bela!
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Pra mim,
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Ela condensa:
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O espírito de um tempo meu,
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O sabor de uma época nostálgica,
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A aura de um momento nuclear,
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O cerne de uma década vital!
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Sinto isso já há alguns anos e hoje resolvi registrar!
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quarta-feira, 29 de maio de 2019

Cidadela

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Gélido e sorrateiro 
É o imaterial vento
Que suspira pelos cantos
E melindra entredentes
Os segredos desistentes
Dos secretos habitantes
Desta infinita madrugada
.
Em tudo que descanso
Os olhos de além-mar
Retocam-se edificações
Quadradas, cinzentas e duras
Formas geométricas tristonhas
Que moldam meus humores
Como sendo entes outros
Denotando-me invisível
.
Mas persigo a irrealidade
E prevejo a inexorável existência
Suprema, vã e absoluta 
Que se reconforta magnânima
Ou que dormita impoluta
Nos vivos espaços castos
Que o homem não pensa
.
São Paulo é de não ser!
.
O espaço fraco sem chão
A esquina nunca virada
A parede lenta por fazer
O caos do futuro invencível
A reinvenção do homem 
A transposição do cosmos
O toque da primeira divindade
E as trivialidades espalhadas 
Anulando a hierarquia de Deus
.
Meu eu-universo paulistano é assim
Nesta noite uterina e frígida 
De uma cidade amórfica
Que se mata cotidianamente
Na esperança de vencer
Tua sina mediocrizante 
.
São Paulo é o terceiromundanismo
A eterna categoria insolúvel
Improfícua estrutura urbana 
Intransponível irreconhecimento 
Marginália esquiva desprezível
Carência ordinária escarrada
Que faz permitir a invenção 
De tudo quanto se queira
De tudo que tanto mais se é
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Uma Macondo tropicalista
E assim prefiro pensá-la
Em sua metafisicalidade 
Em sua metafísica-cidade 
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Pensá-la-ei a meu modo
Nas pulsões das possibilidades
Que perpassam os becos e as almas
E observam o silêncio do nada
Meditando a forma inimaginada
Elaborando a perfeição destra
Esperando pacificamente 
O percurso pulsante das eras 
O modelar inviolável da energia
Na longitude epicêntrica dos pecados 
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Pensá-la-ei por estimação 
Numa forma de vivência outra
Um estado incólume de seres
Uma quase não presença
Forma intocável de matérias
De uma singeleza inédita
Nunca antes permitida
A não-palavra inexprimível
O vácuo sôfrego futuro
De uma colocação proibida
.
Querê-la-ei monoliticamente  
Uma pedra colossal impossível
Todo seu tempo neste exato instante
E sua urbanidade retalhada em versos
Feito invisíveis traçados rápidos
Colocados no poema em potencial
Nascido desta vibrátil atmosfera
Que por ser no não sido
Conseguiu exprimir a inexatidão
Da cidade inoculada em mim 
.
São Paulo é assim
.
São Paulo é gerúndio perpétuo
Tudo que existe em tudo que há 
E tudo foi presença nesta noite
Pois a cidade inteira coube aqui
Neste quarto noturno e vazio
Margeado incontestável
Do futuro de um qualquer 
.
E tantas coisas habitam o vento
O gélido e sorrateiro paulistano
Que suspira pelos cantos
E se fez presente neste laço
No redigido das possibilidades
De um significado a ser inventado
Tentando definir o que não há
.
São Paulo é impropério e beleza
Ultrajante divindade mundana
O baixio das bestialidades
Num manguezal sólido porém fértil
A quintessência das antecipações
A mágica subequatorial incauta 
A incredulidade do feto futuro
Ou o que ninguém nunca
Em nenhuma parte ou tempo
Chegará jamais a inventar 
.
São Paulo não é e nem somos...
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São Paulo não são!
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segunda-feira, 13 de maio de 2019

Ao Mensageiro dos Ventos

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Nos mais longínquos e altivos horizontes
Transcendendo o ignóbil e moderno deserto 
Pouso remanso meu renovado olhar desperto
No perpétuo, inacabado e constante alvorecer
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Importante pedaço de mim embalo ao vento
Em meio às brisas vagas de infante alegria
E quedo-me sincero na concreta epifania
De tão nova e profunda sabedoria enfim deter
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É certo que a quimérica e imensurável nova-era
Não será resultado final de jornada estanque 
Nem boa-nova que se anuncie em palanque
Ou forma acabada de humanidade madura
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Não se trata de simples caminho findável
Ou de natural formato divino mui coerente
Como se o Pai fosse vir em formato docente
Dar o ultimato apocalíptico imbuído de candura
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Mas tantos são os espúrios profetas que vociferam 
Aos quatros ventos os escárnios imaginados
E as catástrofes vis em presságios mal-acabados
Remetendo unicamente a si o celestial acesso
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Então escute calmo, pois o vento sempre balbucia 
A eternamente vindoura primavera verdadeira
Que suspira do amanhã a mensagem mais certeira
Nos dizendo que Deus é, na verdade, um ciclo-processo!!!
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sábado, 11 de maio de 2019

Água de Sarjeta

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I
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Lascas de sentido
Respingam na minha mediocridade
Devaneando palavras escassas
Que prefiro esquecer
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Sintomas trêmulos de vontade
Arriscam se aproximar sutil 
Neste átomo da estanque rotina
Onde a poeira fez habitat
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Refluxos da madrugada gélida
Vociferam balburdias belas
Nesta câmara de energia vital
Que prefiro chamar de quarto
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II
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Mas arranco a centelha incauta 
Que teima no arrebate
De pés e mãos cotidianos
Ainda magoado do que fui
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Expulso a inspiração lisonjeira
Que me acaricia os ombros
E aquece minha alma vadia
Preferindo não me fazer melhor
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Esgarço o expoente da prontidão
Neste sujo enlevo cínico e egóico
Que lanço por sobre as horas
Tecendo o homem do não-fazer
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E me faço falsamente pleno
Adulando a minha desistência
Estimando a complacência cárcere
De minhas capacidades quiméricas 
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III
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Sinto um sentido esquivo
Que demais me regurgito
E que sagaz me renego
Supervoluntariamente
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Eis o revés de uma culpa 
Que imputei aos céus
Pelos trôpegos martírios
De insolúvel sufoco passado
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Eis a prostração da mágoa
Alargada nos altares virtuais
Preguiçosamente silente
Amalgamadamente errante
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Eis a fraca e retrátil proposta
Desta suposta não carência de arte
Que enraízo fundo em minha mente
Como tentativa de se me mentir
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IV
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Passos destilados fiz trôpegos 
Sapateando as calçadas
Feito nuvens de esquecer
Que um dia sonhei demais 
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Rápido fiz sortidas formas
Rabiscos fracos de situações 
Que enovelei e desgarrei
Para mudar os meus registros
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Andanças tão inconclusas
Formatadas feito água 
Respingando o artífice
De fingir estar indo além
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V
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Era a busca do anonimato
Que em qualquer viela 
Instaurava a novidade
Numa osmose de multidões
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Era a delícia de estar vago
Feito um labirinto de mim
Que desenhei abstrato
Como para não conseguir entender
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Fui proposital no erro genérico
Quimérico mínimo na esfera da polis
Maciço convicto de não tentar
Respiro renegado de um alimento bom
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VI
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Por tanto disso é que não sei sabendo   
Onde quedaram minhas auguras verbais
Meus assombros noturnos insaciáveis
Minhas escritas qualqueres de esparramos
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Por tanto disso é que não digo dizendo
Qual foi o movimento interno intenso
De abafar a catarse dos vocábulos
Gerando quietude ruidosa nas entranhas  
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Não sei realmente sabendo se foi por não querer
Ou por não tentar fazer destrinchar
Ou por preferir esquivar de tanto trabalho
Ou por um pouco do tanto que aqui já disse
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VII
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Sou sim o reverso do não saber
Posto que sei e como sei
O que no neste silêncio fingido
Espera na eterna verdade translúcida
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E sei que minhas instâncias internas
Permanentemente indecisas
Assaltam a agonia da existência
E arrebatam-me para o medo do fim
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Para o muro invisível onipresente
Para a invalidez do vácuo posterior
Para a inconclusão aerada
Que alguns acreditam formatar
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Para a pulsão arfante do minguado peito
Para o caos instante que nunca se espera
Para a eternidade delirante e silenciosa 
Que quase nunca faz questão de se mostrar 
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VIII
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Eis a significante perversa de mim 
Aquela que nunca diz e tanto muda
Aquela que se esgueira por entre todos
Enquanto possibilidade de fronteira
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Aquela que sobrepassa pelos cantos
Que transmuta a validez ou o inverso
Aquela que transfigura o mundo
E nos leva ao bel prazer do Deuses
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Aquela que salta dos retratos antigos
Das memórias mais inspiradoras
Dos recantos mais colocados de profundez
Ou do descampado mais agônico do humano
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IX
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A MORTE!
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X
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Este é o grande elemento significador 
Que surge nas intempéries imundas
Impulsando do enovelado mais interno
A vibrátil neoforma deste homem ex-poeta
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Este é o grande ventre metafórico
Que em sonho de criança se me mostrou
Feito núcleo inalcançável por mim
Ainda que instado na terra de meus ancestrais
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Esta é a dona permanente do bafio vaporoso
Fantasmagórica alegoria do carnaval-vida
Suplente possível da realidade táctil
Reversa raiz inarrancável da árvore carnal 

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XI
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Agora vejo com a claridade suficiente
O coração amedrontador da eterna luz
A máquina perpétua da energia cambiante
Capaz de exponenciar o niilismo da fisicalidade
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Agora pressinto a despretensão de suas ações
O intrínseco vazio de seu semblante
E vejo no vácuo de seus olhos murchos
A tristeza de ser algo tão absoluto
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Ela é como uma inescapável água de sarjeta 
Que carrega o fardo de ser renegada 
Mas que, no entanto, lava, leva e até humedece
Detendo, em si, todo fim e todo recomeço
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XII
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O MAIOR ANTÍDOTO PARA A ENTROPIA HUMANA!
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quinta-feira, 18 de abril de 2019

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Diálogo Interno de Agora

 - Não sei bem como sinto quando penso em algumas coisas?!
 - Não se esqueça que estamos na Quaresma, meu amigo! 
 - Você tem razão, tinha me esquecido disso!
 - Então, procure não esquecer mais!