quarta-feira, 31 de março de 2010

Post 663 - Mensagem de Fernando Pessoa

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Este foi o único livro de poesias lançado por Fernando Pessoa enquanto vivo. Complexo, são necessárias diversas idas e voltas para prosseguir com segurança seu desenvolvimento. Idas tantos ao glossário de termos e personagens, bem como às partes dos Lusíadas “intertextualizadas” por Pessoa, e voltas às poesias já lidas, mas que continham informações importantes para um outro ponto da obra.
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As poesias também podem ser lidas de forma independente, pois possuem corpo e beleza suficientes em si, porém, quando lidas em seqüência, formam um amplo esquema histórico e, até mesmo profético, de Portugal. Este era a intenção maior de seu autor, homem ligado aos ocultos do espírito e das estrelas, ou o que houvesse da estrela no seu próprio espírito.
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Vale ressaltar que é bastante constante a intertextualidade com Os Lusíadas de Camões, o que faz dessa obra um projeto audacioso. Muitos trechos de Mensagem fazem referência a passagens da maior obra da língua portuguesa e, assim como o grão-poeta lusitano, seu fiel concorrente exalta a nação lusitana, seus feitos e a promessa de um novo futuro promissor, ou, como ele mesmo diz: futuro do passado.
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Os estilos, porém, se diferem. Como de suposição seria natural, soa deveras Pessoa mais atual, menos intrincado, de métrica e rima menos rigorosas, sem, no entanto, desvanecer a beleza da sublime poesia de magnitude primeira que, em ambos os artistas, solo fértil encontrou. Pessoa é sucinto, Camões caudaloso, Pessoa é precisamente infinito, Camões infinitamente preciso. Não há beleza maior, há beleza diferente. O não dito, em Pessoa, faz toda a diferença. Já Camões traduz divinamente suas imagens, ainda que permanecidas ocultas.
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Posso fazer essas comparações porque, na edição comprada, organizada pela Editora Hedra, são trazidos, em parte avulsa, os trechos dos Lusíadas aos quais as poesias de Mensagem se referem. Comparando os trechos, esta foi minha impressão.
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Entrando nos pormenores do livro, este possui 3 grandes partes subdivididas de formas diferentes:
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1) A primeira delas: Brasão.
Traz o brasão de Portugal e estabelece um poema para cada elemento. É possível acompanhar a descrição pela figura anexada neste post.
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São denominados 2 grandes campos: Os Castelos (1.1) contendo 7 poemas, e As Quinas (1.2) contendo 5 poemas. Além desses dois campos, temos: A Coroa (1.3) contendo 1 poema somente, e O Timbre (1.4) contendo 4 poemas.
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(1.1) O dos 7 Castelos: refere-se a 7 personagens da história, ou, por vezes, da mitologia, que ficaram conhecidos por sua valentia nas armas e tiveram alguma ligação, ainda que fabulosa, com Portugal, como é o caso de Ulisses, herói da Ilíada e da Odisséia de Homero e que, segundo reza a lenda, teria fundado a cidade de Olissipo, hoje Lisboa.
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Os sete Castelos, e respectivos títulos das poesias, são:
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1 - Ulisses
2 - Viriato
3 - Conde D. Henrique
4 - D. Tareja
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6 - D. Dinis
7 - D. João, o primeiro, e sua esposa D. Filipa de Lencaster.
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A sétima poesia é divida em duas e Filipa é exaltada como um ventre ditoso, pois dá fruto a 4 grandes personagens da história: D. Henrique, D. Duarte, D. Fernando e D. Pedro.
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(1.2) O das 5 Quinas: refere-se a 5 personagens que se destacaram por sua bravura no enfrentar do sofrimento espiritual, não necessariamente da bravura em armas, mas em alma. A Quina central refere-se ao próprio Jesus Cristo e, cada 1 dos 5 pontos desta Quina, refere-se a uma de suas chagas. Outra dessas 5 Quinas, é bom que se diga, liga-se a Dom Sebastião, rei português desaparecido e figura central do Sebastianismo. Logo mais explico sobre este termo.
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As 5 Quinas, e suas respectivas 5 poesias, são assim intituladas:
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1 - D. Duarte, Rei de Portugal
2 - D. Fernando, Infante de Portugal
3 - D. Pedro, Regente de Portugal
4 - D. João, Infante de Portugal
5 - D. Sebastião, Rei de Portugal
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(1.3) A Coroa: como já dito, possui 1 única poesia que se refere e leva o título de Nun’Álvares Pereira, um grande chefe militar medieval, participante decisivo em batalhas decisivas da nação portuguesa. Ao fim da vida, doou seus bens, foi morar num convento. Também é considerado um beato. Enfim, uma figura forte para embasar as ambições de Pessoa.
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(1.4) O Timbre: refere-se ao animal alado pousado sobre a coroa portuguesa. A cabeça do grifo representa o Infante D. Henrique, uma das asas D. João, o segundo, e a outra asa Afonso de Albuquerque. Esses são respectivamente os 3 títulos das 3 poesias desta quarta parte da primeira parte da obra Mensagem de Fernando Pessoa.
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Outra coisa a se ressaltar é que, esses paralelos entre a história portuguesa e seu brasão são frutos da imaginação de Pessoa e não significados provenientes de registros históricos.
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A Primeira parte, de maneira mais geral, faz referência às figuras do processo de fundação de Portugal, figuras da nobreza, mitológicas, heróis de guerra, heróis nacionais.
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2) Já a Segunda grande parte desta obra, faz referência às grandes navegações e chama-se: Mar português. É aqui que se encontra aquele famoso poema: “Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal”. Esta contem 12 poemas. São eles:
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1 – O Infante
2 – Horizonte
3 - Padrão
4 – O mostrengo
5 – Epitáfio de Bartolomeu Dias
6 – Os colombos
7 - Ocidente
8 – Fernão de Magalhães
9 – Ascensão de Vasco da Gama
10 – Mar português
11 – A última nau
12 - Prece
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Aqui vê-se os nomes de alguns navegadores, faz-se referência a monstros do marinhos, o horizonte que esconde terras. A palavra colombos, no livro, está sem acento.
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Só adiantando um atrasado assunto prometido - o Sebastianismo é a crença de que o rei D. Sebastião, tímido, por alguns tratado como louco, e que foi dado por desaparecido em batalhas contra os mouros, voltará e estabelecerá em Portugal o Quinto Império, no renascimento de um passado de glórias.
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O mito do Quinto Império é baseado num sonho de Nabucodonosor que viu ruir 4 parte de uma estátua. Interpretado por Daniel (não há citação do sobrenome), a cabeça de ouro desta estátua seria a Babilônia, o peito de prata, o ventre de bronze e os pés numa mistura de ferro e barro seriam os impérios sucessores. Ao desmoronar, a estátua se mistura e forma uma montanha que aponta para a chegada de um Quinto e único império universal e infinito. Para o Padre Antônio Vieira, maior influenciador de Fernando Pessoa nesta obra, os impérios seriam: o Persa, o Assírio, o Egípcio e o Chinês. Já o Quinto, seria Portugal, que teria em D. João IV a volta velada de D. Sebastião, figura central do dito Sebastianismo. Também por isso D. Sebastião é conhecido como “O Encoberto”, por outras como “O Desejado” já que promoveria a glória.
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Numa atualização do ideal do Quinto Império, Pessoa substitui os 4 já listados, cogitados por Vieira, e propõe uma nova lista por considerar o ocidente europeu como seu foco. Assim temos: o império Grego, o Romano, o da Europa Cristã e o da Europa Iluminista. Já o Quinto, desta estruturação, seria o império dos poetas, iniciado em Portugal, teria no Padre Antônio Vieira sua grande figura, e se caracterizaria por ser etéreo, sublime, eterno e não baseado nas armas, mas nas artes, nas ciências e assim conseguiria, por disseminar uma cultura universal, a paz para todos os povos.
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Só mais uma coisa... Tive a leve impressão, lendo a introdução de Caio Gagliardi, de que Fernando Pessoa via nele mesmo o fundador deste novo império universal dos poetas, e Mensagem seria seu texto fundador.
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Bom, enfim, vamos à terceira e última parte:
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3) O Encoberto
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Esta parte fala do futuro, do Quinto império e subdivide-se em 3 partes: “Os símbolos”, “Os avisos”, “Os tempos”.
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3.1) Os símbolos, contem 5 poesias. São elas:
1 – D. Sebastião
2 – O Quinto Império
3 – O Desejado
4 – As ilhas afortunadas
5 – O Encoberto
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Note que D. Sebastião, O Desejado e O Encoberto giram em torno de uma mesma figura. As ilhas afortunadas falam da característica etérea deste novo império que não teria lugar, seria uma existência sublime, quintessencial.
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3.2) Os avisos, contem 3 poesias. São elas:
1 – O Bandarra
2 – Antônio Vieira
3 – “’Screvo meu livro à beira-mágoa...”
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Bandarra foi um aldeão lusitano que fazia quadras populares e assim disseminou profecias numa Portugal antiga. Antônio Vieira é o conhecido padre escritor de sermões e é considerado o maior orador sacro em língua portuguesa. A terceira é a única em todo livro que não contem título porque deve (deverá) ser intitulada justamente com o nome do prosador que fundará o Quinto Império.
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3.3) Os tempos, contem 5 poesias. São elas:
1 – Noite
2 - Tormenta
3 - Calma
4 – Antemanhã
5 - Nevoeiro
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Nevoeiro faz referência também ao mito Sebastianista que dizia que D. Sebastião chegaria em meio a um nevoeiro. Na verdade essa poesia vai além disso. Ela critica o marasmo português e incita a nação a um novo futuro, pois, como dito no fim, se é num nevoeiro que a glória virá:
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“Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
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É a hora!”
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Mais uma coisa...
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Como já dito, esta é uma obra poética que trás a mensagem de que será a poesia a responsável pela realização do Quinto império eterno: o império dos poetas. Desta maneira, anunciando uma profecia, este livro já realiza o que profere, pois se torna eterno enquanto arte e, para Fernando Pessoa, a arte é o único império eterno.
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Para finalizar, segue a poesia Nevoeiro, última do livro. Logo em seguida está a parte dos Lusíadas à qual ela faz intertextualidade.
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Nevoeiro
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Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
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É a Hora!
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Último poema de Mensagem - Fernando Pessoa
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Intertexto desta parte:
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No mais, Musa, no mais, que a lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
De uma austera, apagada e vil tristeza.
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(Canto X, 145, 1137-1144)
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Os Lusíadas - Luís Vaz de Camões
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O Brasão de Portugal
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terça-feira, 30 de março de 2010

Post 662 - O cemitério dos vivos

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“Sou, eu hoje posso afirmar sem temor, sujeito a certas impressões duradouras, tenazes, que me acodem todos os dias à lembrança, por estas ou aquelas circunstâncias aparentemente sem relação com o fundo delas. Não sei nunca porque me ficaram e, as mais das vezes, não posso verificar o instante em que elas me ficaram.”

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O cemitério dos vivos - Lima Barreto

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terça-feira, 23 de março de 2010

Post 661 - A metamorfose – Kafka

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É um livro pequeno, com três capítulos, setenta e oito páginas, linguagem fácil, direta, palavras simples, narrador em terceira pessoa, um pouco confuso, mas onisciente, poucos diálogos introduzidos por aspas ao invés de travessão, parágrafos e períodos de tamanho médio. É uma obra rápida de se ler, mas não tão confortável quanto pode parecer, se levadas em consideração somente as descrições feitas acima.
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O incômodo, característico das obras de Kafka, existe, mas não chega a dificultar ou impedir o prosseguimento da leitura. É um incômodo sutil, profundo, silencioso que não reside diretamente no raso da narração. As situações não chegam a ser fantasiosamente narradas, mas o desenrolar da trama vai plantando pequenos desencaixes que são, na verdade, ou talvez, a jogada de mestre do autor.
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Muito mais que a bizarrice do acontecimento de um homem acordar como um inseto, são as pequenas cenas, em que se apresenta o comportamento dos personagens, as responsáveis pela construção e sustentação do ambiente kafkiano. Personagens que mudam de conduta, reações esperadas que não acontecem, a irmã que está forte, de repente chora, cuida do irmão, de repente está contra ele, o pai fraco que por anos esteve encostado e em poucos dias se fortalece, trabalha, exige mimos das mulheres, encoraja-se e avança sobre a criatura, pessoas da família que às vezes são simples, às vezes submissas com os hóspedes, depois, num instante, pensam de forma burguesa e intolerante.
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Não há previsibilidade e, seria difícil dizer se isso estava na intenção do escritor ou se simplesmente escapou ao controle dele e assim aconteceu, foi narrada. A sutileza e a naturalidade com que essas incongruências são colocadas, não torna possível afirmar se foram intencionais ou por acaso, se é loucura ou genialidade, desvario ou precisão, sorte ou domínio total da técnica. Não é possível porque às vezes o próprio narrador tenta explicar as reações estranhas mais suas justificativas soam fracas, incapazes de convencer o leitor.
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E daí surgem as dúvidas:
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Mesmo isto foi planejado?!
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Mesmo a medíocre tentativa de amarrar a história foi milimetricamente tecida pelo escritor para que soasse de forma fraca, não convincente e assim ajudasse a fortalecer a sutil não-lógica kafkiana?!
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Será que Kafka tinha noção desta linha tênue que ele construía ou esta pseudo-desconstrução estava tão dentro dele e escapava involuntariamente em suas palavras e enredos imaginados?!
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O estranhamento era sua intenção, isto está claro, mas era controlado o trato fino deste estranhamento a ponto de colocar em cheque a própria “sanidade” do narrador ou, em segunda instância, do próprio autor?!
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Não sei!!!
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Enfim, estas são as questões principais. Fora isso, tenho mais algumas coisas dizer.
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O livro, na verdade, possui um nome equivalente a “A transformação”, pois, no original se chama: Verwandlung. Mas, como suas primeiras traduções para o português foram batizadas de “A metamorfose”, o tradutor, Celso Donizete Cruz, resolveu seguir a tradição e manter. Aliás, Celso Donizete Cruz, não é o professor de português da ESPM que se chama: Celso ALVEZ Cruz. Fui averiguar isso na internet.
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Última coisa... Já li “O Processo” e agora “A Metamorfose”, ambos de Kafka. Gostei mais do Processo. É um livro mais longo, envolve mais, tem mais tramas, maior variedade de cenários bizarros. Metamorfose é quase um conto ou, mais precisamente, uma novela. Quase gostei muito, gostei mais ou menos, a verdade. Mas, em casos de livros ícones como este, não importa se gostamos ou não, o que importa é tomar contato.
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sábado, 20 de março de 2010

5 anos de blog

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No dia 18 de março este blog fez 5 anos. Pela primeira vez não postei nada referente a esta data, mas quis comentar sobre, ainda que 2 dias depois. Esta é a postagem 660. A maioria do que está escrito aqui foi criado por mim. Não sei se a maioria dos posts, em número, mas com certeza a maioria do volume, sendo que os textos de temas livres são a divisão mais numerosa. São 185 até agora e com esta será 186. As poesias já estão chegando a 100, são 93 atualmente, mas com certeza tem mais delas por aqui, é que, como já dito, alguns posts, que tinham poema e texto, caíram em outra marcação. Além disso, são 103 frases soltas, 130 posts de coisas feitas por outras pessoas. A divisão “Além do mais” é a mais doida, qualquer tipo de combinação cabe lá. Haikais não vai muito bem. Não tenho costume, mas gosto muito de escrever no formato. Essa divisão ainda tende a crescer bastante. “Nunca nada” é um disparate qualquer de postar sem escrever absolutamente nada, mas não necessariamente querendo dizer nada. No fundo ela quase não conta. E as resenhas é uma parte que eu tenho uma afeição especial, junto com a das poesias, é claro. Gosto das resenhas porque é uma parte de textos mais colocados, que não podem sair divagando pelos caminhos que quiser. Acho um ótimo exercício. Enfim, 5 anos e 660 postagens. Logo mais chegará a postagem 666. Vixi!!! Vou colocar alguma coisa meio que no tema, algo meio cabuloso.
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Está assim atualmente:
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além do mais (121)
de outros (130)
frases soltas (103)
haikais (4)
nunca nada (2)
poesias (93)
resenhas ou quase (21)
textos livres (186)
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Aqui encerro mais um ano do blog.
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A gota

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Com muito esforço
destravei minha autocrítica severa.
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Agora,
brindo a vida e a morte como que iguais.
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Tanto faz!
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quarta-feira, 17 de março de 2010

Preciosa – Uma história de esperança

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Diretor: Lee Daniels
Elenco: Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Paula Patton, Mariah Carey, Lenny Kravitz.
Produção: Lisa Cortes, Tom Heller, Lee Daniels
Roteiro: Geoffrey Fletcher
Fotografia: Andrew Dunn
Trilha Sonora: Mario Grigorov
Duração: 110 min.
Ano: 2009
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: PlayArte
Estúdio: Lee Daniels Entertainment
Classificação: 12 anos
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CURIOSIDADES
- Indicado às estatuetas de Melhor Diretor (Lee Daniels), Melhor Atriz (Gabourey Sidibe), Melhor Filme, Melhor Montagem (Joe Klotz)
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PRÊMIOS
- Venceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Mo'Nique) e Melhor Roteiro Adaptado (Geoffrey Fletcher), .
- Vencedor de cinco prêmios no Independ Spirit Awards 2010
- Prêmio do Grande Júri, Júri Especial e Público no Festival de Sundance.
- Toronto International Film Festival - People's Choice Award.
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O que eu achei:
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Assisti no domingo, na sessão das 22 horas. Adoro a última sessão e depois voltar pra casa com as ruas vazias!!!
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É um filme bem triste, bem pesado, um filme que às vezes quase me levou a achar algumas cenas ridiculamente perversas, desnecessariamente cruéis, mas eu estava, enfim, diante de uma obra realista.
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É também um filme que possui, em sua personagem principal, um herói possível e tocante.
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As grandes qualidades de Preciosa (Gabourey Sidibe) vão singelamente sendo realçadas pelo contraste entre o que ela passou e o contexto em que vive. Assim, a força calada, e até mesmo amargamente bondosa, que ela guarda dentro de si, vai crescendo e tomando conta do espectador. Não que ela tenha um comportamento exemplar, mas, o que a envolve é construído de maneira tão brutal (principalmente na figura da mãe e do histórico com o pai), que a garota vai ganhando luz, mesmo às vezes roubando, batendo, não sorrindo, se arrastando.
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O roteiro é fantástico.
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A ascensão de Preciosa é lenta e consistente, pontuada por personagens diversos, normais, pessoas comuns, nada Hollywoodianas. Um fato diferente é a inclusão de cenas cômicas entre cenas pesadíssimas. Isto, a princípio, causa um certo estranhamento, parece um disparate desnecessário, pois às vezes não se consegue quebrar com tanta velocidade aquilo que se estava sentindo anteriormente.
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Mas essas quebras são repetidas algumas vezes, cenas de desvarios em que Preciosa se vê num mundo de glamour, e é por meio desta repetição que se vai construindo um envolvimento diferente com o filme e com seu ritmo. Parece que as cenas cômicas vão também trazendo alívio para quem assiste, o alívio da fuga que experimentamos juntos da personagem principal. No final chega-se a rir tanto pelo conteúdo da cena, quanto pela bizarrice da proposta utilizada pelo roteirista. Pelo menos comigo aconteceu assim.
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Aliás, o roteirista deve ser parente da Leila Fletcher, uma mulher que fez livros para estudo de piano. ;-)
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Que mais?!?!
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A atriz que faz a professora é lindíssima. E o personagem é apaixonante! Mariah Carey estaria até bem, não fosse o fato dela ser Mariah Carey o que, no contexto de tantos atores desconhecidos, acaba gerando um ruído. Lenny Kravitz, que aparece depois de Mariah, me pareceu que não estava trabalhando tão bem. A mãe da Preciosa está estupendamente brilhante, o que gera uma raiva enorme daquele monstro que a atriz Mo'Nique conseguiu incorporar com precisão.
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O final não é feliz. Está longe de ser feliz. Mas deixa no ar uma esperança com o esboço de um novo patamar de vida para Preciosa. Um patamar que trás dificuldades como: filhos para criar sozinha, uma doença descoberta à pouco tempo, mas também um patamar com amizades verdadeiras, retorno aos estudos regulares e a separação da mãe.
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Bonito até!!!
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Enfim, não saí do cinema leve, mas gostei muito da obra.
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segunda-feira, 15 de março de 2010

Eu fico pensando?!

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Se outras gerações passadas que aspiraram, com mais força do que nós, a mudança-renovação-melhoria do mundo em diversos aspectos como: familiar, moral, ético, sexual e etc, foram os responsáveis pelo estágio que chegamos, o que faremos nós, que nem aspirar aspiramos?! É fato que os jovens de hoje não discutem seus valores e rebeliões tanto quanto outros discutiram há algumas décadas atrás. Se pessoas formadas dentro daquele outro sonho, deixaram elas mesmas caírem em descaso, desuso, descrença, o que faremos nós que nem mesmo esta reestruturação-secundária-brilhante (a juventude/maturidade) estamos tendo?! Será que seremos mais práticos e por isso mais efetivos?! Ou melhor, menos sonhadores e por isso mais realizadores?! Menos amplos e por isso mais exatos, pontuais e eficientes?! Não sei, mas sei que não ligarei o foda-se geral!!! Não posso, não consigo!!!
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O que é, o que é o viver?!

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O que é viver senão uma tentativa de significação profunda da existência?! Aqui, naturalmente, possui uma tendência a que as coisas sejam colocadas, digeridas. Noutro plano, não! Lá há um movimento maior de superação dos incômodos, das metades, além da permanência e aprimoramento das belezas já conquistadas. E tudo isto está um pouco além do nosso controle!!!
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sábado, 13 de março de 2010

Gostei!!!

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Sorte de hoje: A melhor maneira de prever o futuro é inventar
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terça-feira, 9 de março de 2010

Chorei


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O brinquedo mais bonito
É de quem sabe inventar
Num sentido mais profundo
O que gosta de criar
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Benita Carneiro
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segunda-feira, 8 de março de 2010

OS 120 DIAS DE SODOMA


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Sinopse: Inspirado no romance do Marquês de Sade, a montagem, que contou com críticas favoráveis da imprensa e grande adesão do público, está em cartaz desde maio de 2006. O espetáculo trata de questões filosóficas e políticas colocadas pela obra sadeana, em um contexto brasileiro de corrupção e decadência das instituições sociais.
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Texto: Rodolfo García Vázquez, a partir da obra homônima do Marquês de Sade.
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Direção: Rodolfo García Vázquez.
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Elenco: Angrey Fiel, Antônio Campos, Danilo Amaral, Diogo Moura, Eduardo Chagas, Erika Forlim, Gabriela Cerqueira, Heitor Saraiva, Juliana Morelli, Luiza Valente, Marcelo Jacob, Marcelo Tomás, Marta Baião, Mauro Persil, Patrícia Santos, Rafael Mendes, Robson Catalunha, Rodrigo Souza, Samira Lochter, Tiago Martelli e Tony Sasaki.
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Quando: Domingo, 2Oh30.
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Onde: Espaço dos Satyros Dois, Praça. Roosevelt, 134.
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Quanto: R$ 30,00; R$15,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (Oficineiros dos Satyros e moradores da Praça Roosevelt)
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Lotação: 90 lugares.
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Duração: 120 minutos.
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Classificação: 18 anos.
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Temporada: 31 de Janeiro até 28 de Março
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O que eu achei?!
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Deveria ter menos putaria e mais reflexão. Havia, sim, imagens fortes que nos levavam a refletir, mas achei que o texto poderia ter mais peso, passar mais idéias, ser mais profundo e incomodar mais. O incômodo ficou excessivamente por conta da parte visual dos atores nus, das cenas de defecação onde fingiam se alimentar de fezes, cenas de orgias, estupros, atores com pênis postiço, coisas do tipo.
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A ligação do contexto sadeano ao contexto do Brasil atual também é bem legal, mas, pouco explorado. Daí, caio novamente na questão do texto que explora pouco também este aspecto.
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Outra coisa, estou pensando em escrever resenhas pequenas como esta porque às vezes vejo algum filme, peça ou qualquer coisa artística e não coloco nenhum registro aqui porque fico com preguiça de escrever algo grande e cheio das palavras e análises que esgotem minha visão da obra.
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Enfim, mais uma resenha, só que, desta vez, uma mini-resenha.
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terça-feira, 2 de março de 2010

Anúncie?!

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Vi escrito assim numa propaganda da Catho que aparece dentro da área privada do Yahoo:
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Anúncie seu CV
7 dias Grátis!
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Está errado esse acento na palavra anuncie, pensei comigo!!!
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Então fui testar a palavra com acento no Word e ele rejeitou. Ok, até aí, nada de novidades.
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Não satisfeito, fui pro Google e, quando digitei a palavra com acento, a pesquisa me trouxe diversos resultados desta palavra acentuada. Achei muito estranho, pois acreditei que não seriam tantos.
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Tá certo que os sites que trazem a palavra sem acento são mais confiáveis, maiores e mais estabelecidos. Mas, mesmo assim, a quantidade de sites trazendo o Anúncie ao invés do Anuncie me deixou palmado.
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Os números estão assim:
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Anúncie: aproximadamente 49.100.000
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Anuncie: aproximadamente 50.400.000
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Isso não quer dizer muita coisa, afinal, depois das tantas, o Google começa a trazer resultados misturados, mas, mesmo assim, são muitas páginas com a palavra acentuada.
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segunda-feira, 1 de março de 2010

Legal!!!

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“Hemingway comparava a estrutura dos textos literários à dos icebergs: “A dignidade de movimento de um iceberg deve-se ao fato de apenas a sua oitava parte estar acima da água”. A maior parte do que importa em um texto estaria oculta e, contudo, constituiria seu corpo e o sustentaria”.
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Revista Bravo! 100 contos essenciais da literatura mundial.
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Postagem 650: Utopia fatalista?!

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A revista Leituras de História, em edição especial sobre as Utopias e suas influências ao longo da história da humanidade, concluía-se com a seguinte colocação:
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“Utopia, no século XXI, continua sendo esta profunda inspiração, que torna plena a reflexão que equaciona a incontornável experiência do passado, no tempo presente, para construir o tempo futuro, sempre mais além e melhor. É, pois, uma história que não tem fim.”
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Daí, fiquei pensando!!!
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Será que ainda vai continuar sendo mesmo esta profunda inspiração, como coloca a frase? Será que teremos tempo para Utopias inspiradoras num mundo que se preocupa cada dia mais com o mínimo ato de SOBREVIVER?!?!
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A Ecologia vai aos poucos se tornando o único núcleo atrativo das atenções, restringindo processos e homens dentro de sua dura temática e realidade. A Utopia, por outro lado, nasce da idealização possibilitada por uma mínima gama de trajetos a serem seguidos pela humanidade. Se o caminho deixa, cada dia mais, o amplo campo do viver, migrando para a estreiteza do sobreviver, conseguiria, a Utopia, forças criativas neste novo e apocalíptico meio-ambiente?! E mais, ainda que existam Utopias, elas conseguiriam trazer brilho à vida? Afinal, é completamente diferente o engajamento causado pela Utopia Marxista, por exemplo, deste novo e crescente engajamento/engessamento ecológico que impõe novas condutas ao homem do século XXI. O primeiro trazia paixão, o segundo traz temor. Apesar de ambos trazerem o movimento, a mudança, as motivações internas são muito diferentes.
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Qual é a graça deste processo que estamos entrando neste ano de 2010, considerado por muitos como o marco zero da sustentabilidade?
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Toda Utopia carrega marcas do momento em que foi criada. Isto é lei. As influências do meio, no qual vivemos, escapam ao nosso controle e fluem nas obras produzidas dentro do chamado Zeitgeist, o Espírito do Tempo. As ficções científicas e a modernidade do século XX; o Socialismo Científico e as guerras sociais do século XIX; as idealizações de Voltaire, bem como o engajamento teórico de Montesquieu e o Iluminismo do século XVIII, século campeão na criação de Utopias; a obra de Thomas Morus (fundador do termo) que criou a ilha ideal da Utopia e as crises sociais na Europa do século XVI – todos esses são exemplos de Utopias e suas respectivas influências.
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Sendo assim, é possível afirmar que, as Utopias do século XXI, muito provavelmente, trarão as marcas da Ecologia, bem como um retorno ao ideal do bom selvagem. Não seria esta a tendência que o filme Avatar já está demonstrando?! A ficção científica, no século XXI, já fecha seu foco na aclamada sustentabilidade como única possibilidade de Eutopia. Bem como as Distopias que, apesar de trazerem o contrário, ou seja, catástrofes naturais, como é o caso do filme 2012, no fundo, estão apenas se apoiando sobre a mesma temática. Esses filmes não fazem sucesso por acaso. É a latência do assunto que os faz serem vistos, comentados, difundidos e participantes da Agenda Setting.
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A natureza se torna centro das especulações, mas ela é estreita, pois não estamos mais falando tanto de livre idealização do mundo. O foco cai, como já dito, na sobrevivência e isso tende a ser mínimo demais, sufocante demais.
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Utopias nos alimentam. Utopias tornam o cotidiano mais leve. As gerações vindas depois dos anos 80 não viveram grandes movimentos baseados em Utopias, ao contrário daqueles que nasceram anteriormente. Seria necessária a criação de uma nova Utopia possível, como defendeu Fernando Henrique Cardoso, entre outros?! Seria possível esta Utopia num mundo tomado pela tenção de um humano que deve, cada vez mais, se conter?! Acho que não!!!
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Seria então a questão de encarar a vida como um ato profissional?! A humanidade madura?!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

((()))

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Alguém já pensou que a palavra zorra, quando lida ao contrário, vira arroz???
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ZORRA – ARROZ
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Arruaça

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Ainda que dentro da cidade
Ainda sim à margem dela mesma
A margem de mim se desfaz facilmente
Sou peneira poeira
Zueria zuada
Permeado constantemente
Por elementos que não controlo
Um vácuo sem linhas
Um vão não angular
Carente de divisão promissora
Sou tomado pelo que fecho
Sou tomado pelo que desconheço
Sou tomado por mim mesmo
Andando pelos becos
Olhando seco pelas vidraças
Desvio de tudo que observo
Desfaço minhas feições
Nos recreios dos humanos
O humano não se sabe
E eu ainda menos por eles
Procuro reconhecer o vazio
O vazado inócuo
Que enche de malandragem
Os desvios desta vida
Procurando complicar
O que seria simples
Mas simples é complicado demais
Não sou
E acho que nem sou pra ser
Não é ainda minha sina
Sou metáforas de metáforas
De metáforas de metáforas
Um secundário promissor
Um acorde diminuto
Sem esperança nele mesmo
Lotado de nós
Desavenças plantadas
Para que deste desatar
Desacatem minhas sapiências
Explodindo convictas
Estilhaçando meus recantos
Que plantados fracos
Em mim mesmo deverão vingar
E ir e ir e ir
Mas eu não vou
Também não fico
Arrasto convicto
Sabendo que estático
Morro posto que intenso
Meu maior sereno
O sono
Minha maior guerra
O agora
Meu maior medo
O eterno
Minha maior dor
O corpo
Meu maior lamento
A infância
Minha maior risada
O caos
Meu maior sinal
O chão
Minha maior caminhada
O tombo
Isso sou
Nem todos somos
Mas muitos serão
Credulidade peculiar
Calada
Que extravasa
Nos pontilhados semânticos
Sonoros e soníferos
Sentidos todos são
Meus sentidos são demasiados
Um assalto constante
Pedante pré-paz
Exaurido extraio
Minha alma de mim
Caio no sublime esquecimento
Demoro plácido de reviver
Abro olhos e poros
Não quero
Não vou
Volto
Mas o dia renasce
E eu junto dele
Renasço por compromisso
Compromisso do dia
Libertinagem noturna
Rotina arredia
Caminhada soturna
É isso
Não é isso
Não deveria
Mas assim é
Assim faço
Desabo
Desfaleço vivendo
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Poeminha sobre poeminhas

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Um bom começo é o que basta
Um nó no peito
Uma frase bem colocada
Algum conjunto mínimo de palavras
Que me traga a sensação
De que vale a pena prosseguir
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Isto basta para redigir um poema mediano
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Os poemas não gostam de se saberem medianos
Eles gostam todos de sentir
Que você os acha o máximo
Assim eles crescem mais vistosos
Mais corados
Brotam com mais força
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É necessário acreditar nos poemas
Tanto os que os escrevem quanto os que os lêem
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As palavras são ariscas
Elas gostam de se esconder
Caso o ambiente esteja em tumulto
Elas caem em desuso
Se esquecem propositalmente
E fingem uma rebeldia ilustrada
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No fundo elas gostam de vir à tona
Deixarem-se registrar no peito
No papel ou no virtual
Jorrarem frondosas
Flexíveis, reinventadas
Potencializadas por elas próprias
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Gostam de sentir a liberdade do ser criado
Do ser jogado em cantos
Em movimento
Ou mesmo no repouso
Do silencio orgânico
No tempo crucial
Este senhor relativo da sabia memória
Que não pertence a nenhum de nós
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Palavras são como senhoritas virgens
Mocinhas no derradeiro botão da vida:
Potencialmente safadas
Mas também
Sinceramente frágeis!!!
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Poemas são para existirem
Precisamos sempre esvaziar “A Terra dos Poemas em Potencial”
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Hierarquia

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Toda hierarquia é temporária. TODA!!!
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Quarta-feira de cinzas


Ela desatinou, viu chegar quarta-feira

Acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando

E ela inda está sambando

Ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias

Os dias sem sol raiando e ela inda está sambando

Ela não vê que toda gente, já está sofrendo normalmente

Toda a cidade anda esquecida, da falsa vida, da avenida

Onde

Ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias

Os dias sem sol raiando e ela inda está sambando

Quem não inveja a infeliz, feliz

No seu mundo de cetim, assim,

Debochando da dor, do pecado

Do tempo perdido, do jogo acabado

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Perspectiva Poético-filosófico-suburbana da Causalidade Pós-moderna

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Se pá
Cê pum
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Nunca nada




Conselhos escritos

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Escrevi esses conselhos pra alguém. E como não queria perder as coisas ditas aqui, resolvi postar no blog.
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Vi você falando de depressão, obsessão, controlar pensamentos e etc.
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Sobre assuntos assim, as conclusões que cheguei até hoje são:
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Pensamento dificilmente se controla com pensamento ou com a falta dele. A não ser em casos de meditação e coisas do tipo. No dia a dia não rola muito bem. Não adianta muito tentar tirar a coisa da cabeça colocando outra. É algo mais profundo. O movimento deve vir do QUERER. O querer é a energia mais profunda que pode ser controlada por uma pessoa. O seu querer é o seu objeto mais profundo de transformação. Você deve querer MUITO tirar certas coisas da cabeça. Não é querer pouco não, é querer muito muito muito mesmo.
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Comece colocando no papel, razões são ótimas para nos balancear, mas elas nem sempre resolvem. Não desista. Não tenha preguiça de pensar friamente sobre as coisas que te atormentam. Seja o mais claro possível a respeito de suas obsessões.
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Outra coisa: vigilância!!! Trabalhe pontualmente com suas obsessões. Antes de dormir é uma boa hora. Pense nelas sem desvios, foque nelas quando estiverem muito latentes e teimosas. Cristalize, sinta em si suas melhores conclusões. No resto, seja vigilante com sua mente. É MUITO FODA ISSO!!! É difícil pra caramba, mas a gente deve sempre tentar, sem lamentar por não estar conseguindo. Vigilância é se policiar, constantemente, para não pensar naquilo que trás dor. Complete seu cotidiano com atividades que te agradam, pense em coisas boas se as obsessões vierem. Pense com muita força: “AGORA EU NAO QUERO PENSAR NISSO e eu tenho o direito de não QUERER isso”. Mas nunca fique bravo com você mesmo por estar pensando certas coisas. Ficar bravo consigo só diminui o valor que nos damos e, se estivermos em déficit com nós mesmos, estamos ferrados, pois, eternamente teremos nossa companhia e profunda solidão que pode ser somente amenizada pelo preenchimento interno de nós mesmos, dos nossos vazios. Nunca fique bravo consigo.
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Até agora dois pontos: primeiro, procurar pensar com clareza nos fatos que nos atormentam (se possível escrever sobre eles); segundo, vigilância com a mente.
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Outra coisa que pode ajudar.., Pense num dia de cada vez, pense com muita força: SÓ POR HOJE EU NÃO TEREI CRISES DE ANSIEDADE E OBSESSÕES SE AVOLUMANDO NA MINHA CABEÇA. Se elas vierem, OK, procure passar por cima e começar do zero com a maior esperança do mundo. Não estou dizendo que seja fácil, mas é um caminho de tentativas.
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Quarto e mais importante conselho: REZE. Reze com clareza antes de dormir, peça pelo fim desses tormentos, peça praquele que você mais confia. Reflita com clareza, com força, com firmeza, peça que retirem suas obsessões, que elas sejam varridas da sua memória, dê esta permissão. E ajude colocando os pensamentos nos seus devidos lugares. Reze com força, esmiúce o problema, delimite os pontos principais do seu pedido, seja específica, isso ajuda. Eles nos ouvem. Acenda uma vela, sei lá, pra quem você quiser. Velas são cartas de amor que escrevemos para as almas, já ouvi isso uma vez.
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Já teve diversas vezes que eu fiz isso, rezei com força antes de dormir e ao acordar estava bem melhor. Alguma coisa dentro de mim, que fugia ao meu controle, estava mudada. É muito louco isso!!!
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Quatro pontos principais coloquei aqui:
- Encarar de frente as obsessões e as dores
- Ter vigilância com a mente
- Tentar um dia de cada vez
- Rezar com clareza
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Se o pensamento fosse a instância final do homem, estaríamos perdidos. Seríamos um caos desvairado de seres mutantes e escravos dos pensamentos. A mente é livre, sim, os budistas pregam isso, e isso é maravilhoso, essa é uma condição inalienável dela. Mas, a mente sofre influências de camadas mais internas de nosso ser. O sentimento é uma delas, mas só uma dentre outras.
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Sei que você não acredita, mas preciso falar: a energia que nos colocamos ou que, simplesmente está em nós pelos nossos estágios de evolução de alma, são pontos básicos e anteriores às nossas mentes. Estão mais diretamente ligadas aos nossos sentimentos, mas, mesmo em relação a eles, são anteriores.
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Por exemplo, tem-se obsessões diversas, mas, consegue-se passar um dia bem, fazendo o que for, lendo, estudando, andando pra lá e pra cá, sem cair nas obsessões. De repente começa-se a pensar em coisas desagradáveis, e pensa, e pensa, e pensa mais, e mais e mais e daí já era. Você foi trazendo, pouco a pouco, novamente para a sua memória de curto prazo, para a sua energia, para o seu ser, tudo aquilo que estava adormecido e parcialmente sob controle. Se você conseguir reverter esse processo, usando-se da vigilância, por exemplo, você pode escapar das obsessões.
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E pra finalizar: NUNCA tema suas obsessões. Este é um ponto muito importante. Não sei se te serve de alguma coisa. O medo paralisa, enrijece, enfraquece, nos faz mais medíocres para enfrentar as coisas, nos poda nossas forças. Se o medo vier, caia matando encima dele. Bata de frente com ele.
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Agora pra finalizar messsmo... O ano de 2009 foi pesadíssimo. Há mais de 30 anos que não tínhamos um ano de energia tão carregada. Cada religião explica à sua maneira, outras não se importam com isso. 2010 será mais brando, um ano de prosperidade. Sinta isso em você. Isso também te influencia. Não estou dizendo para acreditar em nada, estou dizendo para sentir suas próprias sutilezas, coisas que escapam ao nosso controle.
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É isso!!! Tente sempre!!!!!!!!!!!!!!!! Mas também saiba o momento de desabar. Desabar também é preciso. O valor do luto, que já defendia Freud. Me disseram sobre isso: a importância do LUTO, se permitir o LUTO, se permitir ser fraco. Mas então, como saber a hora de ceder, de tentar, de esbravejar?!?! Isso são as sutilezas da vida. Para isso é necessário sabedoria. A nós, nos resta tentar. Suicídio é algo extremamente condenável e egoísta... Não rola essa alternativa.
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Temos a obrigação de viver!!!!!!!
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Wagner
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Memória

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Como é que podemos ter a sensação de que estamos chegando perto de alguma informação esquecida na memória? Se nós não lembramos o que é, essa sensação de estar QUASE lembrando, não deveria existir, afinal, não temos um referencial certo de chegada. É aquele pensar anterior ao pensar claramente. Aquele mais ligeiro, mais volátil. Um pensar ainda não verbal, talvez.
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Novidade

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Criei a oitava divisão de posts. Chama-se: Haikais. Assim eu me forço a escrever mais nesse formato.
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Translucidez

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Madrugada vã.
Impressionante apresso.
Penetro a manhã.
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Pansexualismo

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Madrugada vã.
Impressionante apresso.
Penetro a maçã.
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Nicotina quase Neo-barroca

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Fiz uma poesia. Ficou daquele tipo de poesia meio concretista que não faz questão alguma de ser compreendida. Fica naquele jogo de palavras que às vezes só faz sentido praquele que escreve. Talvez, por isso, essas poesias concretistas sejam admiradas, mas não realmente (decl)amada. São obras de arte, mas não de vida, não de arte-vida, de arte-viva, de arte vivida, vivível. Vai saber!!! São complexas demais, enfim...
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Trago em mim um trago

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Trago em mim um trago
Trago um trago
E trago um trago
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Trago em mim um trago
Persistente pendente
Presente nas minhas veias
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Trago em mim um trago
Que desato num destrato
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Trago em mim um trago
Que me lança em negação
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E então
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Nego a luz
Nego a voz
Nego o passo
Nego o trago
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Nego-me
Desatado destrato
Mas trago em mim um trago
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Um trago que me lança
No vão vácuo da negação
No vértice voz da alucinação
No vínculo voraz da criação
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Vazio compasso
Vasto passo
Que não sinto nos pés
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Escuro esquivo
Esquisito esquema
Sentido sensitivo
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Um passo no vão vil
Do trago que trago em mim
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No escuro esquivo
Que não escapo
Escasso descalço
Caminho contínuo
Por cômodos canônicos
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Nego o trago que trago
Nego o passo que passo
Nego o olho que olho
Nego o ouvido ouvido
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Flutuo etéreo
Do trago que trago
Reparto e reparo
Meu passo pacífico
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Meu passo não passa
Meu passo não prova
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Flutuo vazio
Flutuo valente
Flutuo inexistente
Flutuo de querências
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Demências
Do trago que trago
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Compasso de escarro
Ex-carro corrido
Num trago insano
No dorso do ver
Escuro esquecer
Do esquivo doer
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Agora
Flutuo medroso
Flutuo melindre
Futuro maciço
Furado se extingue
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Agora
Fato quebradiço
Factível nato
Fictício inteiriço
Não passo
Não passo
Fato
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Agora
Trago em mim um trago
Que trago
Pois
Trago de mim
Neste trago
O que não trago de mim:
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O meu intragável
Mal posto
E maldito
Sim!!!
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sons

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Noite mal dormida.
Ouço, caindo no poço,
Soluços de vida.
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Benita Carneiro
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CARAÇA


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I
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A noite é silêncio bruto que não se deve lapidar…
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Aqui, ali, acolá
O Caraça dorme e se fecham-nos os olhos
Para outros se abrirem em melhor olhar.
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Nos desvãos miúdos, a ninar
Que as matas nos propõem ocultar
Palpitam rincões efervescentes do natural
Seja ele lobo, jaguatirica ou coral
Que cobra, de seu igual-rival
O espaço feito, em si, seminal
De um berço singular
E que agora
Em boa hora
A lua cheia vem banhar.
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No Caraça é bem fácil ver; se ver; se olhar...
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Nesta madrugada, o difícil é enxergar...
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Mas a noite é mesmo silêncio bruto que não se deve lapidar...
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II
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Aqui é mais difícil enxergar:
O minúsculo recôndito
O perplexo centímetro
O trêmulo centígrado
O irrequieto atômico
O calado a caçar.
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Sim, agora é mais fácil se ver do que enxergar...
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À noite, o santuário transpira arisca claridade
O mistério cintilante no ar
Uma luminosidade invisível
A natalidade do silêncio indizível
Na pauta pausada do firmamento-harmonia
De uma transcrita sinfonia
Regida pela maestrina lunar.
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Esta noite é silêncio bruto que não se deve lapidar...
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O improviso educado dos insetos
O respiro brando dos humanos
E o sino da igreja marcando
O compasso amplo e inalterável do Criador.
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Sim, esta noite é silêncio bruto que não se deve lapidar...
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III
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Já tocam as doze badaladas
Toco eu agora a meia-noite, clamo-a
E, assim, vem densa dama faceira
Ler, por sobre meus ombros, primeira
Estas palavras que tento rimar.
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O Caraça me embala de vida...
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Se Deus é um amplo e profundo silêncio
Palavras podem-me errar
Portanto, para manter este frágil quebradiço sereno
Detenho-me agora, inteiriço pequeno
Na precisão do canto agudo de se calar.
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Afinal, a noite é mesmo um silêncio divino-bruto que não se deve lapidar...
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No Santuário do Caraça - Dia 30/01/10 às 00:15 a.m
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Meu segundo Haikai

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Aproveitando o embalo, modifiquei o primeiro e fiz o segundo.
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Se tentas dizer
Embalas, vil, do que falas.
Sonoro sofrer.

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Meu primeiro Haikai

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Se negas dizer
Embalas, vil, no que calas.
Calado sofrer.
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Este é um Haikai Guilhermino. Além do esquema de 5 – 7 – 5, o primeiro verso rima com o terceiro, e o segundo verso possui uma rima interna (A 2ª sílaba rima com a 7ª sílaba). Seu difusor foi o poeta Guilherme de Almeida, daí a definição de Haikai Guilhermino. É bastante praticado no Brasil.
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O início-não-início de Finnegans Wake de James Joyce

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“rolarrioanna e passa por Nossenhora d’Ohmem’s, roçando a praia, beirando ABahia, reconduz-nos por caminhos recorrentes de Vico ao de Howth Castelo Earredores. Sir Tristão, violeiro d’amores, d’além do mar encapelado, não tinha passancorado reveniente de Norte Armórica a estas bandas do istmo escarpado da Europa Menor para o violento conflito de penisoldada guerra: nem as pétreas bolotas de Sawyer ao longo do Oconee caudaloso se tinham sexagerado ao território laurenciano da Geórgia enquanto se dublinavam em mamypapypares o tempo todo: nem avoz do fogo rebellava mim-She, mim-She ao aquaqua do patripedrícioquetués: ainda não, embora desvanessido depois, um braço novilho tinha iludido um cego revelho Isaque: ainda não, embora em invernesses fantasvale tudo, as tristes esternes tinha dilaceradoo duuno nathandeãojo. Barrica nenhuma de maltescocês tinham Jhem ou Shen fermentado à luz iriada darco e a chuvosa-pestana brilhava em anel à tona d’aquaface”.
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Você leria um romance de mais de 1700 páginas que mostra, logo nas primeiras linhas, uma dificuldade estrondosa igual a essa?! Eu vou pensar muito bem antes de comprar um exemplar... Ulisses tudo bem, eu encaro, mas, Finnegans Wake, acho que só vou tomar contato depois da aposentadoria...
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Defesa

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É bom saber que nossas palavras podem chegar até o segundo céu da Umbanda. Por isso, gostaria de colocar algumas opiniões, já que, opiniões, ainda que carregadas de ignorâncias, sempre podemos ter. E com um pouco mais de cuidado, podemos até mesmo expor.
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Deveria ser suficiente dizer que nós O amamos e que Ele é imprescindível neste local. Isso deveria bastar para justificar Sua permanência: o amor. Mas nem sempre o sentimento se fecha como razão e argumento. Poderiam dizer que imprescindíveis todos somos, posto que únicos, mas, é bom dizer que: ELE É AINDA MAIS!!!
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Deixando o amor de lado, acho que talvez o ponto principal desta minha colocação deva se apoiar sobre o elo construído e alimentado durante 30 anos por Ele e nosso querido Pai de Santo. Talvez seja isso que deva ser fortemente defendido, pois, este é o ponto inicial de toda esta beleza em continuidade que vemos aqui na Tenda de Umbanda Caboclo Tupinambá. O elo não deve ser quebrado, ninguém tem este direito, pois pertence, profundamente, só aos dois.
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É justamente este elo que permite este brilhante trabalho em andamento. Uma brilhante beleza que faz jus às outras tantas belezas que por aqui passaram nestes quase 60 anos de solo sagrado e bem conduzido.
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É este elo que faz correrem lágrimas do nosso Pai de Santo ao saber que Ele poderia ser retirado. Estas lágrimas roladas no último trabalho de 2009, juntamente com as lágrimas que quase saíram destes olhos no primeiro trabalho desta lua que iniciamos, devem ter o peso de rochas. Rochas como o ônix negro e o cristal alvo. Estas lágrimas devem ter o peso da rocha da justiça, da rocha de Xangô, da rocha do passado que ainda se quer presente, da rocha humana, da rocha de um templo, pois são fragmentos saídos deste templo-homem habitado por tantos de tanta luz. Repito, estas lágrimas roladas são rochas. São rochas, pois são firmes e, enquanto rochas, carregam o peso, inalienável, de um ser que pôs sua vida a serviço da caridade. Isto vale! Isto tem que ser respeitado! Isto tem que ser levado em conta! São lágrimas decisivas!!!
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Voltando ao elo, ele deve ser preservado. Preservado, pois sustenta um dos maiores centros espíritas do Brasil, a pátria do evangelho. Preservado, pois abrilhanta uma religião já cultivada por tantos de vós: a nossa querida Umbanda, um mundo cheio de luz. Repito, o elo não pertence a ninguém, senão a eles. Isto é história concreta e em movimento, em evolução, é bonita de se ver e não merece ser interrompida.
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As assistências precisam ir adiante, as conversas devem ter suas continuidades mantidas, as incorporações firmes devem prosseguir. A concentração do médium merece ser completada pela satisfação de sentir a chegada Dele. Concentração e chegada são complementos, etapas que esperamos. São partes de um ritual pingando gota-a-gota nas nossas madrugadas de sexta e, assim, vão formando um fluxo que chamamos de gira: a nossa gira, fechada com Deus e Nossa Senhora. Estas gotas, por vezes, lágrimas, não podem faltar, estão interligadas e são daqui.
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Além disso, estamos também falando de encarnados que confiam nos dois e neste elo único. Podem existir outros elos, sim, mas, só esta comunhão fez esta história desta comunhão e, uma história de 30 anos não cabe dentro de colocações prós e contras. Ela transcende. Ainda não é totalmente passível de julgamento, posto que pode ir adiante. Todo argumento seria pequeno, toda colocação só conseguiria abarcar parte dela. Esta história se basta, ela flutua sobre as coisas, ela é etérea, ela é eterna, ela escapa até a ela mesma e é o fluido que emana deste elo já defendido neste texto. Esta história é absoluta em si!
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Que O retirassem antes de tudo isto se iniciar. Retirá-lo AGORA, sinto muito dizer, mas, para mim, soa como covardia.
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p.s: o caso foi encerrado e Ele venceu!!! Ele ficou!!!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O que é, o que é?!

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A paz...
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É uma senhora andando com seu cachorro num entardecer sereno
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Ou
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É o próprio cachorro sendo esperado pela dona enquanto faz xixi no poste da esquina?
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

OLÁ!!!

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OLÁ 2010!!!
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

ADEUS!!!

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ADEUS 2009!!!
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

De tudo isso que foi!!!

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De tudo isso que foi 2009, acho que posso dizer que foi um dos anos mais consistentes da minha vida. Parece que nunca eu cheguei ao fim de um trecho tendo marcado na minha memória uma seqüência tão grande de descobertas e conclusões e fatos colocados uns em decorrência de outros. Sinto isso! É como uma peça única que consigo sentir. Pode parecer um erro, mas acredito que não. Não me lembro de ter acontecido isso nos anos anteriores, essa sensação abrangente de um período tão longo. Confesso que não foi um ano fácil, mas isso já era esperado e muitos de nós sentimos desta mesma maneira. Mas foi um ano de esclarecimentos, colocar coisas pra mim mesmo, coisas que não conto nem pras folhas do meu caderno de capa dourada e, somente em momentos raros, chego a escrever em algum arquivo de Word e guardar na pasta secreta do meu computador de São Paulo. Aliás, não estou em São Paulo.
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Estou em Itanhandu agora!!!
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Festas, festas e mais festas. Família festeira, amigos que não via há tempos, um mergulho na cachoeira, uma ida ao dentista praquela vistoria anual, brincar com primos mais novos, dar uma olhada geral nas pessoas que gosto e tirar conclusões sobre como elas estão.
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Acho que posso dizer que sou bom em fazer isto!!!
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E sempre tenho, sob ligeiro controle, um mapa geral do que os parentes e amigos estão fazendo e como estão. Guardo esses dois tipos de informação. Faz parte de mim, simplesmente acontece. E final de ano é um momento de atualizar os cadastros, um termo ordinário para este contexto, mas tudo bem...
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Acho que este será o ultimo post deste ano. Não sei se pararei mais uma vez para escrever alguma coisa. Fico meio sem clima para textos aqui em Itanhandu. Não entendo, mas está meio assim. Se forçar vem mais, mas não é tempo para isso.
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Gostaria de colocar uma lista com duas palavras para cada mês de 2009, uma boa e outra ruim. Ficou assim.
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Janeiro – Reinício & Perda
Fevereiro – Rebeldia & Conseqüência
Março – Prazer & Sacrifício
Abril – Arte & Dor
Maio – Batismo & Cicatriz
Junho – Sonho & Marasmo
Julho – Sociabilidade & Injustiça
Agosto – Independência & Dívidas
Setembro – Calmaria & Retrocesso
Outubro – Estudos & Astral
Novembro – Descanso & Expectativa
Dezembro – Conquista & Brigas
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Resenha: O engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha

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Já escrevi algumas coisas aqui sobre este livro que acabei de ler há pouco tempo, mas, como nada do que foi escrito se configurou como uma resenha, achei que deveria produzi-la ainda este ano. Antes gostaria de dizer que é dispensável resenhar um livro desta magnitude. É dispensável falar, elogiar, comentar tramas e qualidade artística, mas, como me propus a colocar, neste blog, comentários sobre todos os romances que lesse, aí vai...
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São, ao todo, nesta edição que comprei, mais de 680 páginas, divididas em duas partes, sendo que: a primeira possui 52 capítulos, sem contar introdução, poemas em exaltação a musas, dedicatórias a reis e duques; e a segunda possui outros 74 capítulos e outras tantas exaltações e rituais de iniciação típicos das obras mais antigas.
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Dom Quixote é, essencialmente, uma paródia do romance de cavalaria, estilo que fizera muito sucesso em épocas anteriores ao seu lançamento, mas que, já estava em declínio no início do século XVII. A primeira parte, lançada em 1605, antecipou em 10 anos a segunda. O conjunto é considerado uma novela realista de tom satírico e recebeu alguns títulos, dentre eles: o romance inaugural ou seminal, pai de todos os romances, ou, a maior obra em língua espanhola, ou ainda, a maior obra de ficção de todos os tempos, que influenciou e influencia um grande número de artistas em diversas áreas da criação.
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Alonso Quijano, que se auto-denomina Dom Quixote ao sair caçando aventuras, é um pobre senhor espanhol que enlouquece após ler diversos romances de cavalaria e os tomar por verdadeiros. Ele remonta um estilo fantasioso e ultrapassado em investidas contra moinhos de ventos, rebanhos de carneiros e pobres camponeses que, sem entender suas sandices, o tomam por desmiolado, chegando alguns até mesmo a enfrentá-lo. Nestes movimentos sua fama cresce e os perigos aumentam, bem como as burlas.
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Ao todo, se me lembro bem, são três as saídas de Dom Quixote. Duas na primeira parte e uma na segunda. Logo na primeira tentativa toda sua parafernália improvisada vai ao chão, o que já nos dá o tom cômico das narrações que virão adiante. Mas Cervantes vai além de uma repetição simples desta fórmula que, para muitos, é o resumo da obra. A trama é bem construída, recheada de diálogos e alusões a obras antigas que demonstram um vastíssimo repertório por parte do autor.
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Especificamente na primeira parte, além das longas conversas, os capítulos se recheiam de digressões e casos contados por outros personagens, o que descentraliza um pouco a figura do cavaleiro da triste figura. Já na segunda parte, a narrativa não se apóia tanto em digressões temporais e circula sempre entre Quixote e Pança, o que nos aproxima mais deles e ainda mais de Sancho que cresce bastante do meio pro fim.
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É interessante dizer que o escritor incorpora a própria repercussão vinda do lançamento da primeira parte da trama no desenrolar da segunda. Nesta última, Quixote já é famoso pelas suas façanhas e muitos se aproveitam da sua fama de louco para lhe pregar peças, o que possui um lado cômico, mas, ao mesmo tempo, confere um pouco de sadismo aos acontecimentos e entristece a diversão.
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O brilho da fala cavalheiresca está em todos os cantos da obra. Mesmo Sancho, apesar de cometer erros gramaticais, consegue dar pompa aos vocábulos, além de possuir uma mania das mais graciosas que é a de se expressar por meio de ditos populares que se encadeiam um atrás do outro, o que irrita muito Dom Quixote.
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Outra característica da linguagem são os palavrões que aparecem sem rodeios. Não são propriamente abundantes, mas, quando chegam, se apresentam por inteiro. Além disso, todas as musas são as mais exaltadas e as mais belas, todos os cavaleiros são os mais honrados homens do mundo, todas as estrebarias são castelos formosos, todas as mínimas coisas são colossais aos olhos de Quixote. Pança, apesar de um pouco mais centrado, caí aos poucos na graça dos disparates de seu amo e assim a dupla se fecha em sua própria lógica.
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O autor dominava muito bem a proposta e soube levar com maestria esta empreitada grandiosa, ou melhor, corajosa se levarmos em conta o contexto e a conseqüente novidade que esta trazia para a época. É claro que não é um livro que espanta pela inovação inquieta de suas páginas, nem por impressionantes sacadas poéticas, mas, se for levado em conta o fato de ter mais de quatrocentos anos e possuir uma fluidez perfeitamente contemporânea, além do fato de ter usado a própria figura do cavaleiro para parodiar a cavalaria andante, torna-se algo genial por ainda ser simplesmente atual. Não que sua linguagem soe atual, mas, enquanto sátira, seu conjunto está bem longe de se tornar ultrapassado. A sátira, na sátira, continua irretocável.
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É um livro que deixa saudades!!!
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Realmente a figura de Quixote e Pança são muito simpáticas e encantam pela simplicidade, pela inocência e pelo sonho sempre sonhado. Não é à toa que continuam fortes no imaginário artístico e popular.
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Adorei!!!
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Incógnito

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Eu recorro ao espelho, para saber, pelos meus próprios olhos mentirosos, o fim de desconexas auto-obsessões estéticas. Eu sei que olhos mentem, mas prefiro as mentiras visíveis às mentiras obscuras e misteriosas do silêncio doloroso, silêncio cego. Eu não cogito a volta do tempo. Da feiúra, do descaso físico, sou eu longínquo excluso. Nunca mais quero, por promessa própria, requerer a visão repetitiva da memória primitiva. Isto tenho firme em mim. Mas firme naquela destreza que precisa de promessas constantes para sobreviver ao dia-a-dia. Pobre criatura. Circunscrito aos meus olhos está o que de mais real posso salientar neste momento. Fora o que está embalado por miniaturas de prazer, nada considero relevante. Vejo o que quero, vejo o que os olhos mentem, vejo o que é hedonismo incongruente. Nos momentos de maior concentração, o hedonismo pungente que não se crê, me detém hesitante. Nem lascivo, nem centrado. Nada que não seja prazer me vale. Mas o prazer me vale pouco. Arrependo-me pequenino e nunca lamento. Aprisiono-me voluntário deste universo ambivalente de dores e seus opostos para passar ileso pelas horas mais obsessivas obscenas desta minha coloquial existência. Sou cantos nos cantos. Cantos mudos, cantos nefastos. Cantos roucos, cantos sujos. Sou madrugada inteiriça nos cantos passados. Parapeitos, corrimãos, corredores e luzes para não se ver. Muitos deles se esgueiraram pelos becos motrizes de rasteiros. Ali no ângulo entre dois horizontes pude ver o que não queria mais reconhecer: eu... Encruzilhado de escapes quiméricos e covardes, eu achei-me enfim naquela rasteira banal. Caí pequeno. Nutri cerzido. Ergui castanho. Fugi ferido. O outro que ali restou, fingi não ver. Afinal, de que são feitas tais luzes, senão de luzes para não se ver. Mas não se ver por muito tempo, me recobra obsessões estéticas. Então apelo ao espelho incógnito e uma novidade aparente se mostra indefesa. Luzes de se ver me atestam os males destes instantes passageiros. Foram-se. Mas trago o trago fatal que podou a consciência, na consciência presente que trago do corpo podado. Se no ângulo entre dois horizontes pude ver o que não queria mais reconhecer; é extremamente deste recôndito rincão urbano-depravado que destituo os dias vindouros de saliência benévola, para mirar convicto a pupila reluzente do espelho descrente e saciar a obsessão estética daquele que se apartou voluntário de si. Sou fruto deste fruto que não plantei.
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sábado, 19 de dezembro de 2009

Já pensou?!

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- Alguém já pensou que a Wikipédia ou mesmo a Internet pode ser o início mais possível da Biblioteca de Babel?!
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- Acho que já pensaram nisso, sim!!!
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- Ahh, tá...
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