terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Resenha: O engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha

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Já escrevi algumas coisas aqui sobre este livro que acabei de ler há pouco tempo, mas, como nada do que foi escrito se configurou como uma resenha, achei que deveria produzi-la ainda este ano. Antes gostaria de dizer que é dispensável resenhar um livro desta magnitude. É dispensável falar, elogiar, comentar tramas e qualidade artística, mas, como me propus a colocar, neste blog, comentários sobre todos os romances que lesse, aí vai...
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São, ao todo, nesta edição que comprei, mais de 680 páginas, divididas em duas partes, sendo que: a primeira possui 52 capítulos, sem contar introdução, poemas em exaltação a musas, dedicatórias a reis e duques; e a segunda possui outros 74 capítulos e outras tantas exaltações e rituais de iniciação típicos das obras mais antigas.
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Dom Quixote é, essencialmente, uma paródia do romance de cavalaria, estilo que fizera muito sucesso em épocas anteriores ao seu lançamento, mas que, já estava em declínio no início do século XVII. A primeira parte, lançada em 1605, antecipou em 10 anos a segunda. O conjunto é considerado uma novela realista de tom satírico e recebeu alguns títulos, dentre eles: o romance inaugural ou seminal, pai de todos os romances, ou, a maior obra em língua espanhola, ou ainda, a maior obra de ficção de todos os tempos, que influenciou e influencia um grande número de artistas em diversas áreas da criação.
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Alonso Quijano, que se auto-denomina Dom Quixote ao sair caçando aventuras, é um pobre senhor espanhol que enlouquece após ler diversos romances de cavalaria e os tomar por verdadeiros. Ele remonta um estilo fantasioso e ultrapassado em investidas contra moinhos de ventos, rebanhos de carneiros e pobres camponeses que, sem entender suas sandices, o tomam por desmiolado, chegando alguns até mesmo a enfrentá-lo. Nestes movimentos sua fama cresce e os perigos aumentam, bem como as burlas.
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Ao todo, se me lembro bem, são três as saídas de Dom Quixote. Duas na primeira parte e uma na segunda. Logo na primeira tentativa toda sua parafernália improvisada vai ao chão, o que já nos dá o tom cômico das narrações que virão adiante. Mas Cervantes vai além de uma repetição simples desta fórmula que, para muitos, é o resumo da obra. A trama é bem construída, recheada de diálogos e alusões a obras antigas que demonstram um vastíssimo repertório por parte do autor.
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Especificamente na primeira parte, além das longas conversas, os capítulos se recheiam de digressões e casos contados por outros personagens, o que descentraliza um pouco a figura do cavaleiro da triste figura. Já na segunda parte, a narrativa não se apóia tanto em digressões temporais e circula sempre entre Quixote e Pança, o que nos aproxima mais deles e ainda mais de Sancho que cresce bastante do meio pro fim.
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É interessante dizer que o escritor incorpora a própria repercussão vinda do lançamento da primeira parte da trama no desenrolar da segunda. Nesta última, Quixote já é famoso pelas suas façanhas e muitos se aproveitam da sua fama de louco para lhe pregar peças, o que possui um lado cômico, mas, ao mesmo tempo, confere um pouco de sadismo aos acontecimentos e entristece a diversão.
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O brilho da fala cavalheiresca está em todos os cantos da obra. Mesmo Sancho, apesar de cometer erros gramaticais, consegue dar pompa aos vocábulos, além de possuir uma mania das mais graciosas que é a de se expressar por meio de ditos populares que se encadeiam um atrás do outro, o que irrita muito Dom Quixote.
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Outra característica da linguagem são os palavrões que aparecem sem rodeios. Não são propriamente abundantes, mas, quando chegam, se apresentam por inteiro. Além disso, todas as musas são as mais exaltadas e as mais belas, todos os cavaleiros são os mais honrados homens do mundo, todas as estrebarias são castelos formosos, todas as mínimas coisas são colossais aos olhos de Quixote. Pança, apesar de um pouco mais centrado, caí aos poucos na graça dos disparates de seu amo e assim a dupla se fecha em sua própria lógica.
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O autor dominava muito bem a proposta e soube levar com maestria esta empreitada grandiosa, ou melhor, corajosa se levarmos em conta o contexto e a conseqüente novidade que esta trazia para a época. É claro que não é um livro que espanta pela inovação inquieta de suas páginas, nem por impressionantes sacadas poéticas, mas, se for levado em conta o fato de ter mais de quatrocentos anos e possuir uma fluidez perfeitamente contemporânea, além do fato de ter usado a própria figura do cavaleiro para parodiar a cavalaria andante, torna-se algo genial por ainda ser simplesmente atual. Não que sua linguagem soe atual, mas, enquanto sátira, seu conjunto está bem longe de se tornar ultrapassado. A sátira, na sátira, continua irretocável.
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É um livro que deixa saudades!!!
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Realmente a figura de Quixote e Pança são muito simpáticas e encantam pela simplicidade, pela inocência e pelo sonho sempre sonhado. Não é à toa que continuam fortes no imaginário artístico e popular.
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Adorei!!!
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2 comentários:

Anônimo disse...

oLÁ CAMARADA BELEZA??

bom não te conheço mas te vi no blog Sentido expresso.. Porra curti mesmo vc falar desse clássico da literatura. Dom Quixote. Acho que eu já li umas 4 vezes o livro. È um mundo fantastico de como uma pessoa pode acreditar que aquilo que ela segue é o correto ("Dom Quixote ao sair caçando aventuras, é um pobre senhor espanhol que enlouquece após ler diversos romances de cavalaria e os tomar por verdadeiros."). A historia de Servantes d sua vida pessoal é bacana de se conhecer tmbm. Abços e mais uma vez parabésn pelo blog.

Dennis Lugomper

www.sentaefica.blogspot.com

Diego Marmo disse...

Wagnito! Muito bom seu texto sobre o livro. Fiquei com vontade de lê-lo e o farei. Já está na minha (imensa)lista de livros à ler hehehe

Fica a dica: a União da Ilha vai falar sobre Dom Quixote em seu enredo de 2010. Dá uma fuçada na Internet, procura o samba. Acho que vai gostar!

Abs