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Eu recorro ao espelho, para saber, pelos meus próprios olhos mentirosos, o fim de desconexas auto-obsessões estéticas. Eu sei que olhos mentem, mas prefiro as mentiras visíveis às mentiras obscuras e misteriosas do silêncio doloroso, silêncio cego. Eu não cogito a volta do tempo. Da feiúra, do descaso físico, sou eu longínquo excluso. Nunca mais quero, por promessa própria, requerer a visão repetitiva da memória primitiva. Isto tenho firme em mim. Mas firme naquela destreza que precisa de promessas constantes para sobreviver ao dia-a-dia. Pobre criatura. Circunscrito aos meus olhos está o que de mais real posso salientar neste momento. Fora o que está embalado por miniaturas de prazer, nada considero relevante. Vejo o que quero, vejo o que os olhos mentem, vejo o que é hedonismo incongruente. Nos momentos de maior concentração, o hedonismo pungente que não se crê, me detém hesitante. Nem lascivo, nem centrado. Nada que não seja prazer me vale. Mas o prazer me vale pouco. Arrependo-me pequenino e nunca lamento. Aprisiono-me voluntário deste universo ambivalente de dores e seus opostos para passar ileso pelas horas mais obsessivas obscenas desta minha coloquial existência. Sou cantos nos cantos. Cantos mudos, cantos nefastos. Cantos roucos, cantos sujos. Sou madrugada inteiriça nos cantos passados. Parapeitos, corrimãos, corredores e luzes para não se ver. Muitos deles se esgueiraram pelos becos motrizes de rasteiros. Ali no ângulo entre dois horizontes pude ver o que não queria mais reconhecer: eu... Encruzilhado de escapes quiméricos e covardes, eu achei-me enfim naquela rasteira banal. Caí pequeno. Nutri cerzido. Ergui castanho. Fugi ferido. O outro que ali restou, fingi não ver. Afinal, de que são feitas tais luzes, senão de luzes para não se ver. Mas não se ver por muito tempo, me recobra obsessões estéticas. Então apelo ao espelho incógnito e uma novidade aparente se mostra indefesa. Luzes de se ver me atestam os males destes instantes passageiros. Foram-se. Mas trago o trago fatal que podou a consciência, na consciência presente que trago do corpo podado. Se no ângulo entre dois horizontes pude ver o que não queria mais reconhecer; é extremamente deste recôndito rincão urbano-depravado que destituo os dias vindouros de saliência benévola, para mirar convicto a pupila reluzente do espelho descrente e saciar a obsessão estética daquele que se apartou voluntário de si. Sou fruto deste fruto que não plantei.
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Eu recorro ao espelho, para saber, pelos meus próprios olhos mentirosos, o fim de desconexas auto-obsessões estéticas. Eu sei que olhos mentem, mas prefiro as mentiras visíveis às mentiras obscuras e misteriosas do silêncio doloroso, silêncio cego. Eu não cogito a volta do tempo. Da feiúra, do descaso físico, sou eu longínquo excluso. Nunca mais quero, por promessa própria, requerer a visão repetitiva da memória primitiva. Isto tenho firme em mim. Mas firme naquela destreza que precisa de promessas constantes para sobreviver ao dia-a-dia. Pobre criatura. Circunscrito aos meus olhos está o que de mais real posso salientar neste momento. Fora o que está embalado por miniaturas de prazer, nada considero relevante. Vejo o que quero, vejo o que os olhos mentem, vejo o que é hedonismo incongruente. Nos momentos de maior concentração, o hedonismo pungente que não se crê, me detém hesitante. Nem lascivo, nem centrado. Nada que não seja prazer me vale. Mas o prazer me vale pouco. Arrependo-me pequenino e nunca lamento. Aprisiono-me voluntário deste universo ambivalente de dores e seus opostos para passar ileso pelas horas mais obsessivas obscenas desta minha coloquial existência. Sou cantos nos cantos. Cantos mudos, cantos nefastos. Cantos roucos, cantos sujos. Sou madrugada inteiriça nos cantos passados. Parapeitos, corrimãos, corredores e luzes para não se ver. Muitos deles se esgueiraram pelos becos motrizes de rasteiros. Ali no ângulo entre dois horizontes pude ver o que não queria mais reconhecer: eu... Encruzilhado de escapes quiméricos e covardes, eu achei-me enfim naquela rasteira banal. Caí pequeno. Nutri cerzido. Ergui castanho. Fugi ferido. O outro que ali restou, fingi não ver. Afinal, de que são feitas tais luzes, senão de luzes para não se ver. Mas não se ver por muito tempo, me recobra obsessões estéticas. Então apelo ao espelho incógnito e uma novidade aparente se mostra indefesa. Luzes de se ver me atestam os males destes instantes passageiros. Foram-se. Mas trago o trago fatal que podou a consciência, na consciência presente que trago do corpo podado. Se no ângulo entre dois horizontes pude ver o que não queria mais reconhecer; é extremamente deste recôndito rincão urbano-depravado que destituo os dias vindouros de saliência benévola, para mirar convicto a pupila reluzente do espelho descrente e saciar a obsessão estética daquele que se apartou voluntário de si. Sou fruto deste fruto que não plantei.
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