quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ao que foi

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A luz da aurora envergonhava o quarto, mas nenhum de seus contornos se deixou abater. Todos os ângulos continuaram imóveis, valentes, afinal a alma que ali repousava acordaria ao menor sinal de temor. Os cantos se entreolharam calados. Cantavam o silêncio para impedir que o ruído fizesse seu reino naquele novo dia. Dois sons não ocupam a mesma atenção do esparso. E esparso estava aquele. Plano e desfeito de consciência.
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Perambulava com preguiça no labirinto venoso uma resistente que restara da noite anterior. Cinco copos de bebida, três xícaras de chá de farinha, misturado ao descaso por si. Nunca falhava. Sentia-se menos vulgar, mas nunca se lembrava de que ao término do aquecimento, toda a receita desandava e assim era feito seu mais novo bolo.
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Sempre era e não sabia mais como se deter. Deixava estar, por reflexo. Era como andar. O itinerário, os pés sabiam por si. Simples, medíocre, mas pelo menos tinha o direito e a saudade de sempre voltar àquele ponto. Como quando se ouve uma música e uma das partes traz êxtase. Assim era o escuro e esquivo de seu já resignado sentir.
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