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Há uns dois anos atrás, estava passando em frente à livraria Saraiva do Shopping Higienópolis, foi quando vi a capa da biografia do Paulo Coelho, escrita por Fernando Morais, autor de outras biografias de personalidades importantes como: Olga Benário e Assis Chateaubriand.
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Parei, li as frases da capa e achei interessante. Dizia coisas assim: um menino que nasceu morto, teve indícios suicidas, ficou internado em um manicômio, usou diversos tipos de drogas, praticou diversas formas de sexos, presenciou manifestações estranhas que atribuiu ao Diabo, foi preso político, marcou época no rock brasileiro com suas composições com Raul Seixas e a Sociedade Alternativa, sofreu mudanças radicais e se tornou um dos escritores mais lidos de toda a história.
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Fiquei impressionado!
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Depois disso, fui pro cinema, vi algum filme que não me lembro, e, voltando com um amigo, mostrei pra ele a capa. Ele leu e também achou bastante interessante a chamada.
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Depois de muito tempo, estava eu num sebo, com dinheiro no bolso, passei por uma estante e vi a biografia novamente. Estava barata, daí pensei: “vou comprar”.
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Comprei.
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Ficou alguns meses aqui em casa, até que, por conselho de outro amigo, comecei a ler...
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A trajetória descrita na capa é pequena perto de tudo que as mais de 620 páginas do livro mostram.
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Quem não gosta de resenha descritiva, não leia a partir desse ponto porque eu começo a listar fases da vida do autor. Deixo claro que me restrinjo a simplesmente reproduzir o que está no livro.
Há uns dois anos atrás, estava passando em frente à livraria Saraiva do Shopping Higienópolis, foi quando vi a capa da biografia do Paulo Coelho, escrita por Fernando Morais, autor de outras biografias de personalidades importantes como: Olga Benário e Assis Chateaubriand.
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Parei, li as frases da capa e achei interessante. Dizia coisas assim: um menino que nasceu morto, teve indícios suicidas, ficou internado em um manicômio, usou diversos tipos de drogas, praticou diversas formas de sexos, presenciou manifestações estranhas que atribuiu ao Diabo, foi preso político, marcou época no rock brasileiro com suas composições com Raul Seixas e a Sociedade Alternativa, sofreu mudanças radicais e se tornou um dos escritores mais lidos de toda a história.
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Fiquei impressionado!
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Depois disso, fui pro cinema, vi algum filme que não me lembro, e, voltando com um amigo, mostrei pra ele a capa. Ele leu e também achou bastante interessante a chamada.
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Depois de muito tempo, estava eu num sebo, com dinheiro no bolso, passei por uma estante e vi a biografia novamente. Estava barata, daí pensei: “vou comprar”.
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Comprei.
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Ficou alguns meses aqui em casa, até que, por conselho de outro amigo, comecei a ler...
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A trajetória descrita na capa é pequena perto de tudo que as mais de 620 páginas do livro mostram.
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Quem não gosta de resenha descritiva, não leia a partir desse ponto porque eu começo a listar fases da vida do autor. Deixo claro que me restrinjo a simplesmente reproduzir o que está no livro.
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Paulo Coelho sempre teve vontade de ser um escritor lido no mundo todo, desde pequeno. Lamentava por não conseguir isso. Escrevia diários e mais diários falando da vida, às vezes lamentando, às vezes analisando, às vezes fabulando razões diversas para os acontecimentos.
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Era um ótimo inventor de histórias. Sabia contar mentiras de criança e fazia traquinagens diversas, algumas um pouco macabras, como: fazer corrida de pintinhos e matar aqueles que perdiam.
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Levou choques em algumas das vezes que esteve no manicômio. Fugiu de lá, foi parar num lugar muito distante. Namorou Renata Sorrah e dividiu o palco com diversos grandes atores brasileiros, entre eles: José Wilker. Foi diretor e escritor de peças teatrais, principalmente para o público infantil. Chegou a ganhar um dinheiro com isso.
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Levou Raul Seixas para a bebida e as drogas, segundo conta.
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Trabalhou como executivo de grandes gravadoras brasileiras. Numa delas, a CBS, foi expulso porque subiu muito encima do tamanco e, movido possivelmente por arrogância, despediu pessoas, acabou com departamentos e foi gerando inimizades até que seu chefe simplesmente o despediu sem justificativas, como é narrado na biografia.
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Tinha uma forte tendência a ser Bipolar, alternando fases de extrema euforia e outras de profunda tristeza e paranóias. Hoje em dia, parece que isto está mais abrandado.
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Em algumas partes da vida, usou-se de métodos não muito éticos para conseguir o que queria. Um de seus livros não foi escrito por ele: Manual prático do Vampirismo, mas sim por Toninho Buda, outro parceiro nas explorações da magia oculta. Pagou jabá pra divulgar seu livro em rádios do Nordeste. Traia suas namoradas, sendo que algumas aceitavam isso. Mentiu sobre supostas conversas com John Lennon e outras coisas mais...
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Fez sexo com homens, por três vezes, até se certificar de que não era gay. Foi estudante de vampirismo, satanismo, teve relações com mulheres em cemitérios. Chegou a propor para uma das namoradas que queria pegar alguns gigolos na Cinelândia para fazerem uma suruba.
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Se coisas assim foram relatadas, fico imagino aquelas que não foram pro livro ou nem sequer pro próprio diário pessoal.
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Aprofundou-se na O.T.O fundada por Aleister Crowley, mago inglês que influenciou bandas de rock como: os Beatles, Led Zepelling, Ozzy Osborne, além da própria fundação da Sociedade Alternativa.
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Quando ainda pequeno, matou uma cabra para saciar o que ele entendeu ser o anjo da morte que havia sido invocado.
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Presenciou manifestações estranhas no seu apartamento. Acordou de manhã para ir fazer caminhada na praia. De repente, começou a sentir cheiro de velas, parecido com aquele que ele sentia nas catacumbas do colégio católico que estudou, ou como aquele cheiro que sentia quando ia contar os mortos para escrever o obituário que saia nas edições dos jornais. Sentindo o cheiro muito forte, notou que o ambiente tornava-se mais escuro e esfumaçado. De repente sua namorada entra pela porta em prantos dizendo que estava se sentindo mal. Outra amiga que eles telefonaram estava também em prantos e sentindo coisas estranhas. Eles entraram em pânico. Não conseguiam sair do apartamento. Começaram a rezar e tudo foi se abrandando.
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Depois disso, sua vida começou a mudar completamente, entrando num ciclo ainda mais intenso
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Ele é preso pelos militares, sofre um seqüestro inexplicável. Os dados sobre esta passagem são bem confusos. Sai do Brasil, pois estava com muito medo. Acho que foi esta a vez que ele e Raul Seixas estavam para lançar o CD “Eu nasci a dez mil anos atrás”. Foram os dois e suas namoradas para Nova York. Presenciou a alegria dos americanos quando Nixon renunciou. Sendo que, depois de fazer parte da manifestação popular, entrou no quarto e viu Raul Seixas completamente acabado pela bebida e pela cocaína.
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Neste instante, ele decide nunca mais cheirar.
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Já era o início da transformação... Pelo menos é o que parece pelas histórias contadas...
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Passou-se mais tempo. No entanto, ele não conseguia se desvencilhar do pânico causado pelo seqüestrou feito pelos militares.
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Conhece sua companheira, Christina Oiticica...
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O pânico do seqüestro é tão grande que, ela resolve tomar uma iniciativa e propõe que eles saiam do Brasil sem rumo certo e só voltem quando quiserem. Paulo leva 72.000 dólares da época e promete voltar quando acabasse o dinheiro. Viajam muito e, num campo de concentração da Alemanha, ele tem sua primeira epifania: viu um homem que não estava fisicamente lá, lembrou-se de uns dizeres de um poeta que fazia referência a uns sinosque tocavam por uma pessoa e, realmente soavam sinos naquele instante... Sentiu que algo diferente estava acontecendo ali...
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Passados alguns dias, encontrou com aquele mesmo homem num pub. Achando que ele era uma entidade materializada, chegou com cuidado e cutucou. O homem, por incrível que pareça, falava português. Era Jean, aquele que se tornaria seu mestre num novo caminho a ser percorrido por ele para fazer parte de uma organização espiritual, a: R.A.M (Rigor, Amor e Misericórdia).
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Ele começou a passar por provações, fez rituais em partes do mundo, inclusive um deles acontece perto das Agulhas Negras, dentro do Parque Nacional de Itatiaia, em Itamonte, Minas Gerais. Neste ritual ele quase ganha a espada de mestre da R.A.M, mas Jean o repreende, pois ele não deveria ter aceitado o presente, em sinal de humildade.
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Depois disso, sua mulher recebe a missão de esconder a espada em algum lugar do caminho de Santiago de Compostela que tem mais de 700 quilômetros. Vendo assim, parece uma tarefa impossível, mas ele consegue guiado por um cordeiro que o leva até uma capela onde está Jean.
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Daí as coisas vão fluindo.
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O caminho percorrido dá inspiração para escrever o “Diário de um mago”, seu primeiro grande sucesso de vendas.
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Depois ele recebe uma nova missão no Egito.
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Lá ele presencia outra manifestação perto da Esfinge e das pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos. Vê uma moça que, desta vez, não lhe pareceu somente uma visão, mas uma materialização. Passado um tempo escreve “O Alquimista”, seu maior sucesso, lançado em 1988 e que hoje já foi traduzido em mais de 56 línguas, vendendo mais de 65.000.000 de cópias em mais de 150 países, segundo dados da Internet. É um dos livros mais vendidos da história. Lido, segundo curiosidades contidas na biografia, por terroristas da Al Qaeda, presos de Guantânamo, chefes de estado europeu e variações destes tipos, além de, é claro, pessoas comuns.
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Outra missão é dada e ele conhece Brida, que seria a personagem de seu terceiro livro de sucesso. Depois disso as coisas foram crescendo vertiginosamente. O fenômeno ultrapassa o Brasil e ganha muitos e muitos recantos do mundo.
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Em Agosto de 2007, Paulo Coelho bateu a marca das 100 milhões de cópias. Tem diversos prêmios de vendagens em muitos países espalhados pelo mundo. Ganhou casa de um Sheik do Oriente Médio. Mora na França, perto do santuário de Nossa Senhora de Lourdes. É membro da Academia Brasileira de Letras e outras coisas.
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Uma pessoa que viveu algumas passagens meio estranhas e condenáveis, mas que sempre teve coragem de ir atrás dos seus sonhos. Aliás essa é a mensagem contida no livro “O Alquimista”.
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Nossa, li tão rápido o livro que achei que não iria lembrar dos detalhes. Mas é interessante como a memória, conforme a gente vai percorrendo as coisas, outras associadas vão surgindo. E a escrita é uma ótima forma de ativar esses caminhos de maneira mais pontuada.
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Pra terminar, copiei um trecho que me fez rir muito...
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André Midani, presidente da gravadora Philips, uma das maiores do Brasil na década de 70, resolveu formar um conselho executivo com pessoas de diversas áreas para discutirem, primeiro entre si, e depois com o artista analisado, algumas mudanças na imagem, no estilo, nas composições de cada um, com o intuito de alavancar as vendas.
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Alguns não gostavam do que ouviam. Certa vez, Rita Lee, ao ser aconselhada sobre alguma coisa, se irritou, levantou da cadeira e disse em alto e bom som:
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“– Enquanto vocês decidem se devo ou não usar uma peruca Black Power, vou ali no banheiro tomar um ácido.”
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Mas, os artistas analisados desta vez eram: Raul Seixas e Paulo Coelho.
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Numa reunião em que Raul Seixas não pode comparecer, Paulo Coelho teve de responder sobre o que era a Sociedade Alternativa, já que os analistas gostariam de concluir se aquilo era um elemento que poderia ser melhor explorado.
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Segundo Paulo Coelho, ele não estava chapado na ocasião, mas, mesmo assim, sua resposta, gravada numa fita cassete, para ser depois ouvida por Raul Seixas, e depois transcrita na biografia, foi a seguinte:
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“A Sociedade Alternativa atinge o nível político, o nível social, a camada social de um povo, estão me entendendo? E ela atinge, porra, a camada intelectual de um povo que está saindo de uma curtição, que está sendo mais exigente... Tanto é que houve uma discussão lá em São Paulo sobre a revista Planeta. Eu acho que a Planeta vai falir daqui a um ano porque todo mundo que lê Planeta aprende e começa a achar Planeta uma revista boba, feito faliu na França, inventaram o Le Noveau Planet, depois o Le Noveau Noveau Planet, estão me entendendo? Acabaram fechando a revista. Assim vai acontecer também com todo esse povo que atualmente curte macumba. Não, não, não! Não o proletário, hein? Mas aquilo que a gente chama de classe média. A burguesia que, de repente, resolveu se interessar, sabe, intelectualmente? É claro, existe outro aspecto da questão que é o aspecto da fé, de você ir lá e conseguir fazer uma promessa, conseguir ganhar um terreno, enfim, outras coisas. Bom, mas em termos culturais vai haver uma mudança, entende? E essa mudança vai vir de fora, do jeito que sempre veio, tão me entendendo? E ela nunca vai ser filtrada por um produto brasileiro chamado espiritualismo. Isso, agora, já discutindo num plano espiritual, porque no plano político acho que eu fui bem claro, né?”
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Fernando Morais faz um adendo:
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“Clareza evidentemente não fora sua principal virtude, mas o grupo de trabalho parecia habituado a personagens assim. Paulo engatou uma segunda e prosseguiu:
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Então... Nem estou querendo defender colocações, nem nada. Então, vai haver essa filtragem. Na minha opinião, não é filtragem, mas nunca o sujeito vai deixar de curtir Satã, que é um negócio altamente fascinante: “Pó, Satã?” É um tabu como... Como a virgindade, tão me entendendo? Então, quando todo mundo começa a falar de Satã, mesmo que você tivesse medo do Demônio e detestasse ele, você efetivamente quer curtir essa, entende? Porque é agressão, agressão do Sistema contar si mesmo, agressão de repressões, entende? Aparece uma série de coisas dentro desse esquema e você passa a curtir essa... É uma onda que vai durar pouquíssimo, mas que ainda não pintou, a do Satã. Mas ela é um fenômeno. É resultado da agressão, da mesma coisa do amor livre, do tabu sexual que os hippies abriram.
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[...] Isso que eu dei não foi um panorama de Sociedade Alternativa. Coloquei algumas coisas mas eu procurei dar um panorama de tudo aquilo que nós concebíamos, a visão geral da coisa, certo? Bom, então, agora colocando Raul Seixas nisso tudo... A Sociedade Alternativa serve a Raul Seixas, e não se deixa influenciar porque a gente conversou dois dias sobre Sociedade Alternativa, que a gente só fala em Sociedade Alternativa, entende? A Sociedade Alternativa serve pra Raul Seixas na medida em que Raul Seixas catalisa esse tipo de movimento, entende? Ela tem sido julgada por um mito. Ninguém explica o que é Sociedade Alternativa.
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Estão me entendendo?”
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O que é a didática, não é minha gente?!
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Deve ser legal ouvir essa gravação!!!
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Paulo Coelho sempre teve vontade de ser um escritor lido no mundo todo, desde pequeno. Lamentava por não conseguir isso. Escrevia diários e mais diários falando da vida, às vezes lamentando, às vezes analisando, às vezes fabulando razões diversas para os acontecimentos.
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Era um ótimo inventor de histórias. Sabia contar mentiras de criança e fazia traquinagens diversas, algumas um pouco macabras, como: fazer corrida de pintinhos e matar aqueles que perdiam.
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Levou choques em algumas das vezes que esteve no manicômio. Fugiu de lá, foi parar num lugar muito distante. Namorou Renata Sorrah e dividiu o palco com diversos grandes atores brasileiros, entre eles: José Wilker. Foi diretor e escritor de peças teatrais, principalmente para o público infantil. Chegou a ganhar um dinheiro com isso.
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Levou Raul Seixas para a bebida e as drogas, segundo conta.
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Trabalhou como executivo de grandes gravadoras brasileiras. Numa delas, a CBS, foi expulso porque subiu muito encima do tamanco e, movido possivelmente por arrogância, despediu pessoas, acabou com departamentos e foi gerando inimizades até que seu chefe simplesmente o despediu sem justificativas, como é narrado na biografia.
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Tinha uma forte tendência a ser Bipolar, alternando fases de extrema euforia e outras de profunda tristeza e paranóias. Hoje em dia, parece que isto está mais abrandado.
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Em algumas partes da vida, usou-se de métodos não muito éticos para conseguir o que queria. Um de seus livros não foi escrito por ele: Manual prático do Vampirismo, mas sim por Toninho Buda, outro parceiro nas explorações da magia oculta. Pagou jabá pra divulgar seu livro em rádios do Nordeste. Traia suas namoradas, sendo que algumas aceitavam isso. Mentiu sobre supostas conversas com John Lennon e outras coisas mais...
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Fez sexo com homens, por três vezes, até se certificar de que não era gay. Foi estudante de vampirismo, satanismo, teve relações com mulheres em cemitérios. Chegou a propor para uma das namoradas que queria pegar alguns gigolos na Cinelândia para fazerem uma suruba.
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Se coisas assim foram relatadas, fico imagino aquelas que não foram pro livro ou nem sequer pro próprio diário pessoal.
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Aprofundou-se na O.T.O fundada por Aleister Crowley, mago inglês que influenciou bandas de rock como: os Beatles, Led Zepelling, Ozzy Osborne, além da própria fundação da Sociedade Alternativa.
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Quando ainda pequeno, matou uma cabra para saciar o que ele entendeu ser o anjo da morte que havia sido invocado.
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Presenciou manifestações estranhas no seu apartamento. Acordou de manhã para ir fazer caminhada na praia. De repente, começou a sentir cheiro de velas, parecido com aquele que ele sentia nas catacumbas do colégio católico que estudou, ou como aquele cheiro que sentia quando ia contar os mortos para escrever o obituário que saia nas edições dos jornais. Sentindo o cheiro muito forte, notou que o ambiente tornava-se mais escuro e esfumaçado. De repente sua namorada entra pela porta em prantos dizendo que estava se sentindo mal. Outra amiga que eles telefonaram estava também em prantos e sentindo coisas estranhas. Eles entraram em pânico. Não conseguiam sair do apartamento. Começaram a rezar e tudo foi se abrandando.
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Depois disso, sua vida começou a mudar completamente, entrando num ciclo ainda mais intenso
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Ele é preso pelos militares, sofre um seqüestro inexplicável. Os dados sobre esta passagem são bem confusos. Sai do Brasil, pois estava com muito medo. Acho que foi esta a vez que ele e Raul Seixas estavam para lançar o CD “Eu nasci a dez mil anos atrás”. Foram os dois e suas namoradas para Nova York. Presenciou a alegria dos americanos quando Nixon renunciou. Sendo que, depois de fazer parte da manifestação popular, entrou no quarto e viu Raul Seixas completamente acabado pela bebida e pela cocaína.
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Neste instante, ele decide nunca mais cheirar.
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Já era o início da transformação... Pelo menos é o que parece pelas histórias contadas...
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Passou-se mais tempo. No entanto, ele não conseguia se desvencilhar do pânico causado pelo seqüestrou feito pelos militares.
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Conhece sua companheira, Christina Oiticica...
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O pânico do seqüestro é tão grande que, ela resolve tomar uma iniciativa e propõe que eles saiam do Brasil sem rumo certo e só voltem quando quiserem. Paulo leva 72.000 dólares da época e promete voltar quando acabasse o dinheiro. Viajam muito e, num campo de concentração da Alemanha, ele tem sua primeira epifania: viu um homem que não estava fisicamente lá, lembrou-se de uns dizeres de um poeta que fazia referência a uns sinosque tocavam por uma pessoa e, realmente soavam sinos naquele instante... Sentiu que algo diferente estava acontecendo ali...
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Passados alguns dias, encontrou com aquele mesmo homem num pub. Achando que ele era uma entidade materializada, chegou com cuidado e cutucou. O homem, por incrível que pareça, falava português. Era Jean, aquele que se tornaria seu mestre num novo caminho a ser percorrido por ele para fazer parte de uma organização espiritual, a: R.A.M (Rigor, Amor e Misericórdia).
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Ele começou a passar por provações, fez rituais em partes do mundo, inclusive um deles acontece perto das Agulhas Negras, dentro do Parque Nacional de Itatiaia, em Itamonte, Minas Gerais. Neste ritual ele quase ganha a espada de mestre da R.A.M, mas Jean o repreende, pois ele não deveria ter aceitado o presente, em sinal de humildade.
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Depois disso, sua mulher recebe a missão de esconder a espada em algum lugar do caminho de Santiago de Compostela que tem mais de 700 quilômetros. Vendo assim, parece uma tarefa impossível, mas ele consegue guiado por um cordeiro que o leva até uma capela onde está Jean.
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Daí as coisas vão fluindo.
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O caminho percorrido dá inspiração para escrever o “Diário de um mago”, seu primeiro grande sucesso de vendas.
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Depois ele recebe uma nova missão no Egito.
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Lá ele presencia outra manifestação perto da Esfinge e das pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos. Vê uma moça que, desta vez, não lhe pareceu somente uma visão, mas uma materialização. Passado um tempo escreve “O Alquimista”, seu maior sucesso, lançado em 1988 e que hoje já foi traduzido em mais de 56 línguas, vendendo mais de 65.000.000 de cópias em mais de 150 países, segundo dados da Internet. É um dos livros mais vendidos da história. Lido, segundo curiosidades contidas na biografia, por terroristas da Al Qaeda, presos de Guantânamo, chefes de estado europeu e variações destes tipos, além de, é claro, pessoas comuns.
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Outra missão é dada e ele conhece Brida, que seria a personagem de seu terceiro livro de sucesso. Depois disso as coisas foram crescendo vertiginosamente. O fenômeno ultrapassa o Brasil e ganha muitos e muitos recantos do mundo.
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Em Agosto de 2007, Paulo Coelho bateu a marca das 100 milhões de cópias. Tem diversos prêmios de vendagens em muitos países espalhados pelo mundo. Ganhou casa de um Sheik do Oriente Médio. Mora na França, perto do santuário de Nossa Senhora de Lourdes. É membro da Academia Brasileira de Letras e outras coisas.
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Uma pessoa que viveu algumas passagens meio estranhas e condenáveis, mas que sempre teve coragem de ir atrás dos seus sonhos. Aliás essa é a mensagem contida no livro “O Alquimista”.
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Nossa, li tão rápido o livro que achei que não iria lembrar dos detalhes. Mas é interessante como a memória, conforme a gente vai percorrendo as coisas, outras associadas vão surgindo. E a escrita é uma ótima forma de ativar esses caminhos de maneira mais pontuada.
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Pra terminar, copiei um trecho que me fez rir muito...
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André Midani, presidente da gravadora Philips, uma das maiores do Brasil na década de 70, resolveu formar um conselho executivo com pessoas de diversas áreas para discutirem, primeiro entre si, e depois com o artista analisado, algumas mudanças na imagem, no estilo, nas composições de cada um, com o intuito de alavancar as vendas.
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Alguns não gostavam do que ouviam. Certa vez, Rita Lee, ao ser aconselhada sobre alguma coisa, se irritou, levantou da cadeira e disse em alto e bom som:
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“– Enquanto vocês decidem se devo ou não usar uma peruca Black Power, vou ali no banheiro tomar um ácido.”
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Mas, os artistas analisados desta vez eram: Raul Seixas e Paulo Coelho.
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Numa reunião em que Raul Seixas não pode comparecer, Paulo Coelho teve de responder sobre o que era a Sociedade Alternativa, já que os analistas gostariam de concluir se aquilo era um elemento que poderia ser melhor explorado.
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Segundo Paulo Coelho, ele não estava chapado na ocasião, mas, mesmo assim, sua resposta, gravada numa fita cassete, para ser depois ouvida por Raul Seixas, e depois transcrita na biografia, foi a seguinte:
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“A Sociedade Alternativa atinge o nível político, o nível social, a camada social de um povo, estão me entendendo? E ela atinge, porra, a camada intelectual de um povo que está saindo de uma curtição, que está sendo mais exigente... Tanto é que houve uma discussão lá em São Paulo sobre a revista Planeta. Eu acho que a Planeta vai falir daqui a um ano porque todo mundo que lê Planeta aprende e começa a achar Planeta uma revista boba, feito faliu na França, inventaram o Le Noveau Planet, depois o Le Noveau Noveau Planet, estão me entendendo? Acabaram fechando a revista. Assim vai acontecer também com todo esse povo que atualmente curte macumba. Não, não, não! Não o proletário, hein? Mas aquilo que a gente chama de classe média. A burguesia que, de repente, resolveu se interessar, sabe, intelectualmente? É claro, existe outro aspecto da questão que é o aspecto da fé, de você ir lá e conseguir fazer uma promessa, conseguir ganhar um terreno, enfim, outras coisas. Bom, mas em termos culturais vai haver uma mudança, entende? E essa mudança vai vir de fora, do jeito que sempre veio, tão me entendendo? E ela nunca vai ser filtrada por um produto brasileiro chamado espiritualismo. Isso, agora, já discutindo num plano espiritual, porque no plano político acho que eu fui bem claro, né?”
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Fernando Morais faz um adendo:
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“Clareza evidentemente não fora sua principal virtude, mas o grupo de trabalho parecia habituado a personagens assim. Paulo engatou uma segunda e prosseguiu:
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Então... Nem estou querendo defender colocações, nem nada. Então, vai haver essa filtragem. Na minha opinião, não é filtragem, mas nunca o sujeito vai deixar de curtir Satã, que é um negócio altamente fascinante: “Pó, Satã?” É um tabu como... Como a virgindade, tão me entendendo? Então, quando todo mundo começa a falar de Satã, mesmo que você tivesse medo do Demônio e detestasse ele, você efetivamente quer curtir essa, entende? Porque é agressão, agressão do Sistema contar si mesmo, agressão de repressões, entende? Aparece uma série de coisas dentro desse esquema e você passa a curtir essa... É uma onda que vai durar pouquíssimo, mas que ainda não pintou, a do Satã. Mas ela é um fenômeno. É resultado da agressão, da mesma coisa do amor livre, do tabu sexual que os hippies abriram.
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[...] Isso que eu dei não foi um panorama de Sociedade Alternativa. Coloquei algumas coisas mas eu procurei dar um panorama de tudo aquilo que nós concebíamos, a visão geral da coisa, certo? Bom, então, agora colocando Raul Seixas nisso tudo... A Sociedade Alternativa serve a Raul Seixas, e não se deixa influenciar porque a gente conversou dois dias sobre Sociedade Alternativa, que a gente só fala em Sociedade Alternativa, entende? A Sociedade Alternativa serve pra Raul Seixas na medida em que Raul Seixas catalisa esse tipo de movimento, entende? Ela tem sido julgada por um mito. Ninguém explica o que é Sociedade Alternativa.
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Estão me entendendo?”
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O que é a didática, não é minha gente?!
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Deve ser legal ouvir essa gravação!!!
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