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Qual é o espírito do nosso tempo?
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Qual o espírito deste tempo que, por vezes, nem é nosso? Nem é dos outros. Não é de ninguém, não cabe em ninguém, nem cabe em todos juntos, talvez.
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Talvez!
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O espírito do tempo seria a coletividade exacerbada? A individualidade velada, sob uma constante afronta de multidões?
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Ou o espírito do tempo seria a mesma coletividade exacerbada pela mesma individualidade velada, sob uma constante afronta de multidões?
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O espírito do tempo seria jogar-se no rodamoinho da vida sem se importar consigo mesmo? Ou seria o velar de si, numa quimera de proteção pelo conjunto?
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As gangues? Os bandos?
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Como os peixes que andam em cardumes como forma de protegerem-se dos predadores maiores?
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E o predador maior dos oceanos da vida seria o próximo, ou a própria pessoa?
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O espírito do tempo são aquelas gangues ou um apartamento vazio num fim de semana de alívio solitário? Um drink arredio e enclausurado tomado num canto de um bar superlotado? O diálogo corrido, de respostas e perguntas em seqüência, num bi-monólogo de cinco minutos?
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É este o espírito de nosso tempo?
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Seriam as crianças que parecem jovens adultos? Os adultos que insistem em ser jovens ainda? Os jovens que insistem em não ser nada?
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Os emos, os coloridos?
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Justin Bieber e seus milhões de acessos e fãs de uma geração que vem? Lady Gaga e sua atualização do pop?
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A música é a imagem, e a imagem é a música.
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Será isto mesmo?
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Seria Amy Winehouse em sua volúpia suicida e condenável, mas ao mesmo tempo deliciosa? Seria o consumo mercadológico de uma genialidade, exaurida de suas belezas, culminando na morte do rei do Pop em 2009?
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Ou seria o espírito do tempo, o seu próprio oposto, ou seja, o corpo? Seria o intangível do tempo, o tangível da matéria? A ditadura da beleza? O silicone que rompe a pele? O homem que se depila? A mulher que tem músculos? Um transexual no maior Reality Show do país?
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Seria a desconstrução final da arte? Um cocô num pedestal? Um urubu na bienal? Ou a própria chatice do IBAMA que proibiu a expressão de um conceito artístico por achar que os bichinhos estavam se estressando?
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E se tivessem colocado uma pessoa? Se tivessem transferido um preso de Bangu pra dentro do pavilhão no Ibirapuera? Qual seria a reação dos direitos humanos?
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Faria parte, enfim, deste nosso espírito do tempo, a conclusão final de que a arte é, em primordial instância, a sensação construída dentro da pessoal por ela mesma, ao tomar contato com uma obra exterior que, não impõe, mas a convida a sublimar nossas condições pequeninas? Seria o espírito do tempo, múltiplo, como estas sensações causadas?
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Seria este espírito, o espetáculo do canal fechado? A série que inebria por sua irrealidade, realmente paralela, real somente em sua fantasia? A fantasia irremediável de nunca se colocar? Seria o esquivar-se de tudo? Uma esgrima contra o vácuo do horizonte futuro?
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Seria o espírito do tempo o escracho maquiando a carência? O humor dos palhaços conscientes do cotidiano, usando do stand-up para colocar em vitrines mais aceitáveis suas obsessões em criticar antes de serem criticados? Ou criticar para fortalecerem suas imagens na tentativa de não serem jamais tocados? Os intocáveis por ninguém, a irretocável jovialidade esperta e burlesca, truanesca numa pose auto-suficiente?
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Seria isto? Seria também isto? Ou nada disto?
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Seria a fome em seu imperativo que perpassa os séculos e os séculos? Seria a fome no seio da humanidade que, ao mesmo tempo, gasta milhares de cifrões com drogas e medicamentos para esquecer daquilo, que dentro de cada, sente fome?
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Seria o espírito do tempo a ditadura do estômago?
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Seria a vontade de ajudar ao próximo como forma de se esquivar da auto-crítica severa?
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Seria a negação de tudo, a negação da negação? O movimento de revolução individualista, ou a passividade fingida num olhar sem brilho?
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Seria o amor o espírito do nosso tempo? Mas não teria sido este mesmo amor a tentativa frustrada dos espíritos de outros tempos?
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Seriam as multinacionais e a pró-atividade calcada, sufocante, empurrada goela abaixo dos colarinhos fechados por gravatas compradas em lojas de departamentos? Seriam os grandes conglomerados e suas formas de maximização por minimalização da animalização natural do ser-humano-animal?
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Seria o mínimo homem, no máximo ser vivente serviente? A domesticação dos instintos? A extinção dos instintos? A morte daquilo que é intrínseco? A colocação constante da objetividade, o velar ininterrupto contra a subjetividade, tendo como fundo, a vitória do eu-sozinho? O bloco do Eu-sozinho vociferando numa avenida vazia? Do eu e só, do só eu só?
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Seria isso? Seria, ao menos, se fosse, uma parte disso? Um mínimo átomo contido no que há de comum a tudo isso?
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Eu não sei!
Qual é o espírito do nosso tempo?
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Qual o espírito deste tempo que, por vezes, nem é nosso? Nem é dos outros. Não é de ninguém, não cabe em ninguém, nem cabe em todos juntos, talvez.
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Talvez!
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O espírito do tempo seria a coletividade exacerbada? A individualidade velada, sob uma constante afronta de multidões?
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Ou o espírito do tempo seria a mesma coletividade exacerbada pela mesma individualidade velada, sob uma constante afronta de multidões?
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O espírito do tempo seria jogar-se no rodamoinho da vida sem se importar consigo mesmo? Ou seria o velar de si, numa quimera de proteção pelo conjunto?
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As gangues? Os bandos?
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Como os peixes que andam em cardumes como forma de protegerem-se dos predadores maiores?
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E o predador maior dos oceanos da vida seria o próximo, ou a própria pessoa?
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O espírito do tempo são aquelas gangues ou um apartamento vazio num fim de semana de alívio solitário? Um drink arredio e enclausurado tomado num canto de um bar superlotado? O diálogo corrido, de respostas e perguntas em seqüência, num bi-monólogo de cinco minutos?
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É este o espírito de nosso tempo?
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Seriam as crianças que parecem jovens adultos? Os adultos que insistem em ser jovens ainda? Os jovens que insistem em não ser nada?
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Os emos, os coloridos?
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Justin Bieber e seus milhões de acessos e fãs de uma geração que vem? Lady Gaga e sua atualização do pop?
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A música é a imagem, e a imagem é a música.
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Será isto mesmo?
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Seria Amy Winehouse em sua volúpia suicida e condenável, mas ao mesmo tempo deliciosa? Seria o consumo mercadológico de uma genialidade, exaurida de suas belezas, culminando na morte do rei do Pop em 2009?
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Ou seria o espírito do tempo, o seu próprio oposto, ou seja, o corpo? Seria o intangível do tempo, o tangível da matéria? A ditadura da beleza? O silicone que rompe a pele? O homem que se depila? A mulher que tem músculos? Um transexual no maior Reality Show do país?
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Seria a desconstrução final da arte? Um cocô num pedestal? Um urubu na bienal? Ou a própria chatice do IBAMA que proibiu a expressão de um conceito artístico por achar que os bichinhos estavam se estressando?
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E se tivessem colocado uma pessoa? Se tivessem transferido um preso de Bangu pra dentro do pavilhão no Ibirapuera? Qual seria a reação dos direitos humanos?
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Faria parte, enfim, deste nosso espírito do tempo, a conclusão final de que a arte é, em primordial instância, a sensação construída dentro da pessoal por ela mesma, ao tomar contato com uma obra exterior que, não impõe, mas a convida a sublimar nossas condições pequeninas? Seria o espírito do tempo, múltiplo, como estas sensações causadas?
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Seria este espírito, o espetáculo do canal fechado? A série que inebria por sua irrealidade, realmente paralela, real somente em sua fantasia? A fantasia irremediável de nunca se colocar? Seria o esquivar-se de tudo? Uma esgrima contra o vácuo do horizonte futuro?
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Seria o espírito do tempo o escracho maquiando a carência? O humor dos palhaços conscientes do cotidiano, usando do stand-up para colocar em vitrines mais aceitáveis suas obsessões em criticar antes de serem criticados? Ou criticar para fortalecerem suas imagens na tentativa de não serem jamais tocados? Os intocáveis por ninguém, a irretocável jovialidade esperta e burlesca, truanesca numa pose auto-suficiente?
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Seria isto? Seria também isto? Ou nada disto?
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Seria a fome em seu imperativo que perpassa os séculos e os séculos? Seria a fome no seio da humanidade que, ao mesmo tempo, gasta milhares de cifrões com drogas e medicamentos para esquecer daquilo, que dentro de cada, sente fome?
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Seria o espírito do tempo a ditadura do estômago?
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Seria a vontade de ajudar ao próximo como forma de se esquivar da auto-crítica severa?
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Seria a negação de tudo, a negação da negação? O movimento de revolução individualista, ou a passividade fingida num olhar sem brilho?
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Seria o amor o espírito do nosso tempo? Mas não teria sido este mesmo amor a tentativa frustrada dos espíritos de outros tempos?
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Seriam as multinacionais e a pró-atividade calcada, sufocante, empurrada goela abaixo dos colarinhos fechados por gravatas compradas em lojas de departamentos? Seriam os grandes conglomerados e suas formas de maximização por minimalização da animalização natural do ser-humano-animal?
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Seria o mínimo homem, no máximo ser vivente serviente? A domesticação dos instintos? A extinção dos instintos? A morte daquilo que é intrínseco? A colocação constante da objetividade, o velar ininterrupto contra a subjetividade, tendo como fundo, a vitória do eu-sozinho? O bloco do Eu-sozinho vociferando numa avenida vazia? Do eu e só, do só eu só?
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Seria isso? Seria, ao menos, se fosse, uma parte disso? Um mínimo átomo contido no que há de comum a tudo isso?
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Eu não sei!
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Um comentário:
Esse, então sem comentários, maravilhoso!!!
Sempre vou Te Amar!
Bjos
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