.
Tinha a impressão de que já havia lido este livro, mas, por falta de certeza, acabei lendo de novo.
.
Um livro curto, de contos bem humorados, em sua maioria, com caricaturas dos autores na contracapa, entrevistas com cada um deles e rápida biografia. No caso de Clarice Lispector e Machado de Assis, que já haviam morrido quando da formulação da obra, as respostas foram construídas com base em outras declarações suas.
.
São 13 contos divididos em 4 temáticas...
.
O esquema geral fica assim:
.
Encontros:
- Cem anos de perdão – Clarice Lispector (sobre roubar rosas)
- A armadilha – Murilo Rubião (um cara cai numa cilada “eterna”)
- Trabalhadores do Brasil – Wander Piroli (diálogo entre um desenhista de rua e uma mulher)
.
Desencontros:
- Cego e amigo Gedeão à beira da estrada – Moacir Scliar (um cego conta lorotas)
- Dezembro no bairro – Lygia Fagundes Telles (uma turma arranjando dinheiro pro Natal)
- Conto de escola – Machado de Assis (palmatórias e meninos desbravando a vida)
.
Fantasias:
- Teleco, o coelhinho – Murilo Rubião (bicho que vira outros bichos)
- Nós, o pistoleiro, não devemos ter piedade – Moacyr Scliar (um duelo faroeste)
- Um apólogo – Machado de Assis (conversa entre uma linha e uma agulha)
.
Descobertas:
- Macacos – Clarice Lispector (filhos e macacos)
- Natal na barca – Lygia Fagundes Telles (uma mãe, seu filho e Deus)
- Festa – Wander Piroli (um negro e seus dois filhos famintos comendo)
- Meninão do caixote – João Cândido (guri campeão de sinuca)
.
3 contos me chamaram mais atenção:
.
Macacos – Clarice Lispector
.
O ritmo da narrativa é estranho, as frases não parecem terem sido escritas umas após as outras. Às vezes, dá a impressão de que houve pulos, quebras leves de ritmo. E o fim, aliás, a frase do fim é muito bem colocada. Pelo que entendi, passa uma mensagem meio cômica e, porque não, frustrante!
.
Natal na barca – Lygia Fagundes Telles
.
A própria escritora se coloca numa barca, na véspera de Natal, e conversa com uma mãe que já havia perdido um filho e carregava o outro doente no colo. O incômodo, por vezes inexplicável, da autora-personagem, é estranho e incomoda também o leitor que não entende o porquê dela se doer tanto em cada mínima passagem. Isso se torna um recurso muito interessante. O final é lindo, lembrando-nos que tudo aquilo se passou no Natal!
.
Meninão do caixote – João Cândido
.
O que mais me marcou neste conto é a linguagem, muito próxima da de Guimarães Rosa. Um jeito simples de dizer as coisas, a sabedoria popular, as relações de um adolescente com o sub-mundo das jogatinas, os personagens da boemia, as apostas narradas num tom rasteiro e ingênuo, com paixão e pesar; o clímax próximo do desfecho e o final singelo daquela cena indo à distância, numa tarde de domingo. Lindo!
.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Para gostar de ler – Vol. 9
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário