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Em Março desse ano tive que limpar as frases do Celular para reinstalar alguns programas. E, para não perder as ideias que nele estavam, passei todas as anotações para um Word que, desde então, me encara diariamente do Desktop do meu computador.
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O texto a seguir se originou da última frase registrada antes da reinstalação.
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Eu não me lembro mais da frase original, mas falava sobre a ignorância que habita em todos nós encarnados.
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Trata-se de um assunto complexo com desdobramentos delicados e até mesmo perigosos. Mas mesmo assim eu tentei desdobrar.
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Partindo do princípio que todos nós ignoramos elementos da criação divina, e detemos somente partes que, de alguma forma, nos competem, teriam tido, Jesus e seu oposto, ignorâncias complementares em suas almas?!
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No momento das tentações, Jesus ignoraria, por exemplo, o futuro de suas pregações. Já seu oposto ignoraria o enorme peso consequente de suas posturas.
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Este era o ponto de investigação.
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Partindo da certeza da ignorância, eu procurei aplicar esta ignorância num dos momentos mais importantes da história, para daí tentar extrair uma possível leitura diferente.
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Nada do que está escrito é colocado como verdade. São apenas possibilidades levantadas que surgiram nos momentos em que me pus a pensar sobre isso.
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Segue o texto:
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Todo médium tem um ponto necessário e suficiente de profundidade para realizar sua missão, um limite que não pode ser ultrapassado. Toda sabedoria de seres encarnados é limitada.
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Os detentores do infinito conhecimento não mais encarnam e nem tampouco vivenciam conflitos profundos.
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As histórias dos seres encarnados, por mais sublimes que tenham sido, foram sempre escritas sobre papéis invisíveis.
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Tenho certeza que nunca esgotamos a profundidade de uma alma neste plano carnal que vivemos. Sempre há alguma estrutura mais profunda sobre a qual nos apoiamos e não a controlamos totalmente. Algum campo desconhecido sempre existirá, alguma lógica estruturante que nos escapa sempre restará em nossas energias.
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Desconhecemos tantas coisas que nos moldam, tantas forças que por nós perpassam, tantas camadas subconscientes que em nós habita sem que saibamos disso.
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Toda alma encarnada é limitada e não detém o controle absoluto de tudo que a caracteriza. Nosso poder é limitado e, em compensação, nossa culpa também.
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(Mas, toda glória de bondade é capaz de subir muito além nas esferas encantadoras!)
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Um ser encarnado, ainda que se aprofunde no conhecimento e na sabedoria, sempre terá visão parcial. Acredito que não seria possível a um corpo conter em si tamanha concentração energética que o possibilitasse deter a consciência de todas as coisas. A matéria não suportaria tamanho esplendor radiante. Toda alma que habita um corpo físico é limitada por princípio.
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Mesmo as palavras mais sábias dos mais sábios líderes religiosos são apenas belíssimas partículas resumidas de um fundamento mais amplo, mais extenso, menos traduzível em palavras, um fundamento ulterior a todas as possibilidades imagináveis de formulação.
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Mas, não é necessário que saibamos de tudo para escrever nossas histórias. Não é necessário que detenhamos conscientemente toda sabedoria, todo poder de transformação que a energia é capaz de proporcionar. Basta que saibamos o suficiente para desenhar nossas tintas sobre os tais papéis invisíveis.
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Basta que detenhamos o ponto necessário e suficiente de profundidade para realizar nossas missões, como foi defendido no início deste texto enfadonho que escolho levar adiante.
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Estendendo um pouco mais este raciocínio sobre a relatividade do conhecimento dos seres encarnados, acredito que mesmo o duelo entre Jesus e seu oposto, que possivelmente tenha sido o mais significativo embate da humanidade nos últimos dois milênios, só pôde ser interessante, verdadeiro e construtivo de uma significação profunda, pois ambos estavam em níveis compatíveis de conhecimento e ignorância, ou seja, em graus migratórios de evolução.
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Repito que os detentores do infinito conhecimento não mais vivenciam conflitos profundos como este citado. Todo conflito se esgota após determinada luz. Não haveria mais o Libertador e o tentador já que não existiria a profunda oposição.
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Jesus e seu oposto estavam imersos no conflito. Suas intenções de Construção e de destruição foram intensamente vibradas em seus conhecimentos e ignorâncias. As tentações de Cristo tocaram fundo em sua alma! Não havia a certeza de que tudo se desenrolaria em direção a vitória.
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Jesus ignorava o futuro. E seu oposto ignorava a força daquilo que estava se fazendo naquele presente.
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Não digo que Jesus e seu oposto estivessem no mesmo degrau de ascensão, mas suponho que ambos estivessem em momentos paralelos para a execução e fundação de um princípio que, em verdade, vai além do Bem e do Mal cristãos: O Princípio Fundacional de uma Nova Era que, por aqueles tempos, se iniciava.
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Se ambos soubessem de tudo, e não somente o suficiente para o duelo, o embate não teria acontecido, pois ambos caminhariam na mesma direção: a direção em que todas as coisas invariavelmente vão. Acredito que o Bem e o Mal são, ainda que duradouros, apenas colocações passageiras a serem superadas após certas fases da evolução de uma alma.
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Repito que todo médium encarnado tem seu limite de profundidade para realizar sua missão.
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Cristo e o oposto, em seus conhecimentos relativos, foram responsáveis pela renovação e pelo fortalecimento da Justiça, a ampliação do livre-arbítrio, a subida a um novo degrau na maturação da humanidade, esgarçando possibilidades e estabelecendo um novo leque de forças opostas dentro do qual os humanos, principalmente do Ocidente, pudessem se estabelecer e encaminhar suas histórias, conforme suas capacidades e escolhas.
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Talvez estes dois citados tenham vivificado, em dupla, uma tensão de opostos que gerou uma maior individuação de Deus pela maior individuação da consciência! E esta tensão não poderia ter sido estabelecida por somente um dos lados.
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Um jogo vívido de opostos complementares!
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Afinal, do que mais são feitas as grandes histórias inebriantes do que de forças que se debatem de forma equilibrada. E, como bem sabemos, um vilão fraco não faria um grande herói!
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A energia, mais ampla que o Bem e o Mal, é capaz de se transformar a ponto de formar criaturas tão complementarmente opostas e emblemáticas. E tudo isso está inserido dentro da mesma criação.
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Talvez este ponto, sim, esteja mais próximo do que possa vir a ser o ABSOLUTO.
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Tudo isso pode não passar de apenas uma tentativa fracassada de reinterpretar o que já está mais que interpretado. Um conjunto de bobagens com falsos ares de verdade. Ou não!
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No entanto, lembro-me quando, ainda pequeno, me peguei pensando: não saberia, depois de tanto tempo, o ser tentador, que seu caminho estava errado?!
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Acho que sim, mas, assim como acontece com todos que existem, uma alma nunca pode se apartar facilmente daquilo que nela está construído.
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A energia não tem caráter líquido. Tem caráter plasmático!
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