Sempre
vou otimista ver qualquer produção que tenha o Fernando Meirelles envolvido,
seja no cargo de diretor ou qualquer outro. Ao mesmo tempo, vou com certo
receio de não ser um obra tão boa, já que expectativas altas são mais fáceis de
serem frustradas. Reforça isso, o fato do diretor já ter feito algumas coisas
de altíssimo nível, o que, com muita certeza, leva a comparações naturalmente acirradas
dentro da obra maior de um diretor: sua filmografia.
Enfim,
Fernando Meirelles já está num ponto delicado há algum tempo! Cidade de Deus é
excepcional! O Jardineiro Fiel é bem legal! Blindness não tão é legal! Outras
produções em que ele estava envolvido são muito boas! Daí a gente fica naquele
estado, esperando o que vai vir de uma pessoa, sem dúvida nenhuma, talentosa!
Mas
360 voltou a fazer a curva subir!
Claro
que não é nenhum “Cidade de Deus”, mas também, pudera! Afinal, são poucos os
diretores que podem se gabar de ter em sua filmografia uma película que
realizou, num só momento, uma revolução estética, cultural e social num país,
além de ter, por isso mesmo, mudado os rumos do cinema nacional.
360
é baseado na peça “La Ronde” de Arthur Schnitzler, escritor e médico austríaco,
segundo a Wikipédia.
Trata-se
de uma série de estórias de pessoas comuns, de diversas nacionalidades, classes
sociais, credos e experiências de vida que vão se entrelaçando numa trama
complexa que revela as nuances do ser - humano no mundo atual.
Logo
depois do filme, eu ainda conseguia repassar quase toda a trama apresentada,
mas agora, depois de algumas semanas, ou talvez mais de um mês, realizar esta
tarefa tornou-se um tanto impossível.
Acredito
que comece com uma prostituta e sua irmã, a prostituta vai tirar umas fotos pra
um site, talvez, depois a estória passa pra uma casal em que a mulher trai seu
marido (Jude Law) com um fotógrafo brasileiro, interpretado por Juliano Cazarré,
o Adauto de Avenida Brasil, que faz isso também por interesse profissional, mas
que, por sua vez também trai sua própria namorada interpretada por Maria Flor,
que descobre a traição e resolve voltar pro Brasil e encontra o personagem
interpretado por Anthony Hopkins que tem algumas complicações na vida que serão
mostradas mais adiante, e no mesmo vôo que eles, está um maníaco sexual recém
saído da cadeia, pelo qual a brasileira se encanta, assim ela bebe um pouco
mais e tenta seviciá-lo, sem saber do risco que corre, mas o cara resiste, já num
outro foco a prostituta do início vai fazer um programa com um mafioso que possui
um motorista que se cansa dos maus tratos do patrão e resolve jogar tudo pro
alto e então sai andando de carro com a própria irmã da prostituta pois se
encanta com sua inocência, esta está a ler, em dois momentos do filme, o livro Anna
Kariênina de Liév Tolstói, e diz frases do livro pro motorista, enquanto eles
estão andando de carro, enquanto isso o fotógrafo do início do filme entra no
quarto da prostituta para tentar assaltar o mafioso e então descobre-se que os
dois tinham armado toda aquela cilada, o mafioso descobre a armação um pouco
antes quando resolve mexer no celular da prostituta, mas quando tenta entrar em
contato com seu motorista ele não está mais na porta do hotel, então o mafioso
se dá mal, acontece uma tragédia, mas a prostituta se dá bem e nisso corta pra
outro ponto e outro e outro mais que vai se entrelaçando, e personagens se
encontram na rua, por vezes se cruzam sem se notar, mas o expectador que vai
acompanhando a trama percebe e assim tece-se o painel 360, por vezes ilustrado
com cortes verticais na tela em que aparecem mais de um acontecimento ao mesmo
tempo.
Enfim,
é esta loucura toda!
Lembrou-me
um pouco o filme “Crash, no limite”!
Neste,
a trama, acredito que seja ainda maior, envolvendo personagens de outras
nacionalidades, faladores de 4 ou 5 línguas diferentes. No entanto, em minha
opinião, “Crash” consegue uma sinergia maior entre os pontos apresentados.
Parece-me um roteiro melhor!
Há
algumas sacadas de câmera! Os atores estão, em geral, bem nos personagens! É um
filme bastante ousado! E foi justamente esta ousadia tão grande que me
impressionou!
Gostei!
Não é um filme extraordinário, afinal, a força se dá pelo volume e não pela
intensidade, mas é uma experiência intrigante acompanhar todo o universo que
vai se abrindo diante dos olhos!
Diretor:
Fernando Meirelles
Elenco:
Rachel Weisz, Anthony Hopkins, Jude Law, Ben Foster, Mark Ivanir, Moritz
Bleibtreu, Jamel Debbouze, Peter Morgan, Tereza Srbova, Katrina Vasilieva
Produção: Andrew Eaton, Chris Hanley, Danny Krausz,
David Linde, Emanuel Michael, Andy Stebbing
Roteiro:
Peter Morgan
Fotografia:
Adriano Goldman
Duração:
115 min.
Ano:
2011
País:
Reino Unido, Áustria, França, Brasil
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Paris Filmes
Estúdio:
Revolution Films / BBC Films / Dor Film Produktionsgesellschaft / Muse
Productions / O2 Filmes / Gravity Entertainment / Unifilme
Classificação:
16 anos

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