segunda-feira, 8 de outubro de 2012

360



Sempre vou otimista ver qualquer produção que tenha o Fernando Meirelles envolvido, seja no cargo de diretor ou qualquer outro. Ao mesmo tempo, vou com certo receio de não ser um obra tão boa, já que expectativas altas são mais fáceis de serem frustradas. Reforça isso, o fato do diretor já ter feito algumas coisas de altíssimo nível, o que, com muita certeza, leva a comparações naturalmente acirradas dentro da obra maior de um diretor: sua filmografia.

Enfim, Fernando Meirelles já está num ponto delicado há algum tempo! Cidade de Deus é excepcional! O Jardineiro Fiel é bem legal! Blindness não tão é legal! Outras produções em que ele estava envolvido são muito boas! Daí a gente fica naquele estado, esperando o que vai vir de uma pessoa, sem dúvida nenhuma, talentosa!

Mas 360 voltou a fazer a curva subir!

Claro que não é nenhum “Cidade de Deus”, mas também, pudera! Afinal, são poucos os diretores que podem se gabar de ter em sua filmografia uma película que realizou, num só momento, uma revolução estética, cultural e social num país, além de ter, por isso mesmo, mudado os rumos do cinema nacional.

360 é baseado na peça “La Ronde” de Arthur Schnitzler, escritor e médico austríaco, segundo a Wikipédia.

Trata-se de uma série de estórias de pessoas comuns, de diversas nacionalidades, classes sociais, credos e experiências de vida que vão se entrelaçando numa trama complexa que revela as nuances do ser - humano no mundo atual.

Logo depois do filme, eu ainda conseguia repassar quase toda a trama apresentada, mas agora, depois de algumas semanas, ou talvez mais de um mês, realizar esta tarefa tornou-se um tanto impossível.

Acredito que comece com uma prostituta e sua irmã, a prostituta vai tirar umas fotos pra um site, talvez, depois a estória passa pra uma casal em que a mulher trai seu marido (Jude Law) com um fotógrafo brasileiro, interpretado por Juliano Cazarré, o Adauto de Avenida Brasil, que faz isso também por interesse profissional, mas que, por sua vez também trai sua própria namorada interpretada por Maria Flor, que descobre a traição e resolve voltar pro Brasil e encontra o personagem interpretado por Anthony Hopkins que tem algumas complicações na vida que serão mostradas mais adiante, e no mesmo vôo que eles, está um maníaco sexual recém saído da cadeia, pelo qual a brasileira se encanta, assim ela bebe um pouco mais e tenta seviciá-lo, sem saber do risco que corre, mas o cara resiste, já num outro foco a prostituta do início vai fazer um programa com um mafioso que possui um motorista que se cansa dos maus tratos do patrão e resolve jogar tudo pro alto e então sai andando de carro com a própria irmã da prostituta pois se encanta com sua inocência, esta está a ler, em dois momentos do filme, o livro Anna Kariênina de Liév Tolstói, e diz frases do livro pro motorista, enquanto eles estão andando de carro, enquanto isso o fotógrafo do início do filme entra no quarto da prostituta para tentar assaltar o mafioso e então descobre-se que os dois tinham armado toda aquela cilada, o mafioso descobre a armação um pouco antes quando resolve mexer no celular da prostituta, mas quando tenta entrar em contato com seu motorista ele não está mais na porta do hotel, então o mafioso se dá mal, acontece uma tragédia, mas a prostituta se dá bem e nisso corta pra outro ponto e outro e outro mais que vai se entrelaçando, e personagens se encontram na rua, por vezes se cruzam sem se notar, mas o expectador que vai acompanhando a trama percebe e assim tece-se o painel 360, por vezes ilustrado com cortes verticais na tela em que aparecem mais de um acontecimento ao mesmo tempo.

Enfim, é esta loucura toda!

Lembrou-me um pouco o filme “Crash, no limite”!

Neste, a trama, acredito que seja ainda maior, envolvendo personagens de outras nacionalidades, faladores de 4 ou 5 línguas diferentes. No entanto, em minha opinião, “Crash” consegue uma sinergia maior entre os pontos apresentados. Parece-me um roteiro melhor!

Há algumas sacadas de câmera! Os atores estão, em geral, bem nos personagens! É um filme bastante ousado! E foi justamente esta ousadia tão grande que me impressionou!

Gostei! Não é um filme extraordinário, afinal, a força se dá pelo volume e não pela intensidade, mas é uma experiência intrigante acompanhar todo o universo que vai se abrindo diante dos olhos!


Diretor: Fernando Meirelles
Elenco: Rachel Weisz, Anthony Hopkins, Jude Law, Ben Foster, Mark Ivanir, Moritz Bleibtreu, Jamel Debbouze, Peter Morgan, Tereza Srbova, Katrina Vasilieva
Produção: Andrew Eaton, Chris Hanley, Danny Krausz, David Linde, Emanuel Michael, Andy Stebbing
Roteiro: Peter Morgan
Fotografia: Adriano Goldman
Duração: 115 min.
Ano: 2011
País: Reino Unido, Áustria, França, Brasil
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Revolution Films / BBC Films / Dor Film Produktionsgesellschaft / Muse Productions / O2 Filmes / Gravity Entertainment / Unifilme
Classificação: 16 anos



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