Um
clássico do realismo literário mais radical, chamado de naturalismo, que
colocava o homem bastante próximo de sua condição mais animal!
Era
pra eu ter lido este livro há mais de 10 anos atrás, mas, como eu não era um
aluno tão aplicado e nem iria fazer vestibular naquele ano, resolvi deixar de
lado.
No
entanto, há um tempo, peguei um monte de obras que deveria ter lido na época da
escola para ler mais recentemente, com mais idade. Alguns deles na verdade, eu
reli, como é o caso de um da Ligia Fagundes Telles e foi muito bom, já que
entendi coisas totalmente diferentes e mais apropriadas à intenção da autora.
Esse
também eu já havia lido até bem mais da metade, tinha até linhas grifadas, mas,
como eu não havia visto o final, peguei desde o início e fui até fechar tudo.
É
um livro muito bem escrito, publicado em 1980, mesclando a linguagem coloquial
da época com outros elementos bastante eruditos para nós de hoje em dia.
Os
conflitos múltiplos, a paciência do autor, Aluísio Azevedo (1857 - 1913), em
colocar de maneira gradual as transformações do animal cortiço, um ser de vida
própria, com suas próprias regras, em lenta transformação, é primoroso!
Não
há grandes saltos. Os múltiplos pontos são trabalhados e não existem
personagens principais. O principal personagem é o próprio Cortiço.
Enfim,
isso parece uma aula de literatura da oitava série!
Aliás,
foi isso mesmo que eu ouvi sobre a obra na época, e é isso mesmo que se tem a
dizer sobre este livro!
É
muito bem montado o tempo da narrativa! Os personagens são esféricos, não
vilões e mocinhos! Os elementos deixados de lado, surgem novamente, por vezes
intocáveis, por vezes embutidos dentro de uma lógica temporal natural que
perpassa toda a trama!
Irretocável
e imprescindível na história da literatura brasileira! Muito bom!!!

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