segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O cortiço



Um clássico do realismo literário mais radical, chamado de naturalismo, que colocava o homem bastante próximo de sua condição mais animal!

Era pra eu ter lido este livro há mais de 10 anos atrás, mas, como eu não era um aluno tão aplicado e nem iria fazer vestibular naquele ano, resolvi deixar de lado.

No entanto, há um tempo, peguei um monte de obras que deveria ter lido na época da escola para ler mais recentemente, com mais idade. Alguns deles na verdade, eu reli, como é o caso de um da Ligia Fagundes Telles e foi muito bom, já que entendi coisas totalmente diferentes e mais apropriadas à intenção da autora.

Esse também eu já havia lido até bem mais da metade, tinha até linhas grifadas, mas, como eu não havia visto o final, peguei desde o início e fui até fechar tudo.

É um livro muito bem escrito, publicado em 1980, mesclando a linguagem coloquial da época com outros elementos bastante eruditos para nós de hoje em dia.

Os conflitos múltiplos, a paciência do autor, Aluísio Azevedo (1857 - 1913), em colocar de maneira gradual as transformações do animal cortiço, um ser de vida própria, com suas próprias regras, em lenta transformação, é primoroso!

Não há grandes saltos. Os múltiplos pontos são trabalhados e não existem personagens principais. O principal personagem é o próprio Cortiço.

Enfim, isso parece uma aula de literatura da oitava série!

Aliás, foi isso mesmo que eu ouvi sobre a obra na época, e é isso mesmo que se tem a dizer sobre este livro!

É muito bem montado o tempo da narrativa! Os personagens são esféricos, não vilões e mocinhos! Os elementos deixados de lado, surgem novamente, por vezes intocáveis, por vezes embutidos dentro de uma lógica temporal natural que perpassa toda a trama!

Irretocável e imprescindível na história da literatura brasileira! Muito bom!!!


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