Fui
ver esta peça no projeto “Primeiro Sinal” que acontece no Espaço Beta,
localizado no terceiro andar do SESC Consolação. Este projeto é uma proposta
que o SESC tem de abrir portas para autores e atores iniciantes que necessitam
de local para mostrarem seu trabalho.
Escrita
pro Sófocles em torno do ano de 442 antes de Cristo, trata-se de um dos textos
que compõem a trilogia Tebana e é um marco da literatura dramática de
humanidade. Vale ressaltar que, a primeira das peças desta trilogia é, nada
mais nada menos que “Édipo Rei”, que dispensa apresentações...
Narra
a história de Antígona, irmã de Etéocles e Polinice, que vê seus irmãos, ambos
filhos de Édipo, se matarem por interesses contrários em relação a Tebas. Sem
herdeiros ao trono, é coroado o tio de ambos, Creonte. Este, por sua vez,
determina que os dois irmãos devem ter sepultamentos diferentes. Etéocles terá
sua sepultura normal, enquanto que Polinice será largado a esmo.
Sem
aceitar esta determinação, a protagonista resolve intervir e, desrespeitando a
vontade do soberano, Antígona enterra seu outro irmão, mesmo sabendo que isso
poderia lhe custar a vida.
O
cenário era super simples, apenas umas pedras de ruínas colocadas no chão, um
biombo ao fundo do palco, e cortinas pretas que delimitavam os limites a
esquerda e a direita da platéia.
O
que mais me impressionou foi a atuação dos 12 alunos de Artes Cênicas da
UNICAMP que estavam em cena e integram a “Honesta Companhia de Teatro”.
Baseando-se
numa tradução que Bertold Brecht, datada de 1947, os atores, que se situavam
muito próximos da platéia, transmitiam uma força tão grande na atuação. Eu,
pelo menos, tive esta impressão.
Acredito
que a platéia não tenha gostado tanto quanto eu, já que fui um dos que mais
aplaudiram. Mas, a proximidade, a força do texto, a atuação dos atores
principais, e mesmo o verdadeiro esforço de outros tão bons, esta conjunção de
forças artísticas legítimas, na minha impressão, se juntaram num todo tão bem
disposto, simples e intenso que me ganhou enquanto expectador.
O
ator que fez o vilão, Creonte, estava muito bem! As atrizes que se revezavam no
papel de Antígona estavam muito fortes!
E
vale dar um especial destaque para a cena em que um dos atores interpreta
Tirésias, um famoso profeta cego de Tebas. Este entra em cena andando
vagarosamente do fundo do palco e, totalmente deformado, cego, e diz profecias
apocalípticas caso o corpo de Polinice não fosse enterrado com dignidade.
Uma
cena fortíssima! Um personagem sobre-humano!!!
É
sempre bom tomar contato com os clássicos dos clássicos!

Um comentário:
Olá, Wagner!
Meu nome é Gabriel Cruz, o ator que interpretou Creonte na montagem de Antígona da Honesta que você viu no SESC e a que se refere no seu post. Em nome da Honesta Companhia, gostaria de agradecer imensamente. Antígona nos é um processo bastante intenso, e é muito gratificante quando é bem recebido pelo público. É um contato sempre enriquecedor. Gostaria de convidá-lo a acompanhar nosso trabalho através da nossa página no Facebook (facebook.com/HonestaCia) e do nosso site (www.honestaciadeteatro.com.br). Um abraço e até mais!
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