segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Antígona



Fui ver esta peça no projeto “Primeiro Sinal” que acontece no Espaço Beta, localizado no terceiro andar do SESC Consolação. Este projeto é uma proposta que o SESC tem de abrir portas para autores e atores iniciantes que necessitam de local para mostrarem seu trabalho.

Escrita pro Sófocles em torno do ano de 442 antes de Cristo, trata-se de um dos textos que compõem a trilogia Tebana e é um marco da literatura dramática de humanidade. Vale ressaltar que, a primeira das peças desta trilogia é, nada mais nada menos que “Édipo Rei”, que dispensa apresentações...

Narra a história de Antígona, irmã de Etéocles e Polinice, que vê seus irmãos, ambos filhos de Édipo, se matarem por interesses contrários em relação a Tebas. Sem herdeiros ao trono, é coroado o tio de ambos, Creonte. Este, por sua vez, determina que os dois irmãos devem ter sepultamentos diferentes. Etéocles terá sua sepultura normal, enquanto que Polinice será largado a esmo.

Sem aceitar esta determinação, a protagonista resolve intervir e, desrespeitando a vontade do soberano, Antígona enterra seu outro irmão, mesmo sabendo que isso poderia lhe custar a vida.

O cenário era super simples, apenas umas pedras de ruínas colocadas no chão, um biombo ao fundo do palco, e cortinas pretas que delimitavam os limites a esquerda e a direita da platéia.

O que mais me impressionou foi a atuação dos 12 alunos de Artes Cênicas da UNICAMP que estavam em cena e integram a “Honesta Companhia de Teatro”.

Baseando-se numa tradução que Bertold Brecht, datada de 1947, os atores, que se situavam muito próximos da platéia, transmitiam uma força tão grande na atuação. Eu, pelo menos, tive esta impressão.

Acredito que a platéia não tenha gostado tanto quanto eu, já que fui um dos que mais aplaudiram. Mas, a proximidade, a força do texto, a atuação dos atores principais, e mesmo o verdadeiro esforço de outros tão bons, esta conjunção de forças artísticas legítimas, na minha impressão, se juntaram num todo tão bem disposto, simples e intenso que me ganhou enquanto expectador.

O ator que fez o vilão, Creonte, estava muito bem! As atrizes que se revezavam no papel de Antígona estavam muito fortes!

E vale dar um especial destaque para a cena em que um dos atores interpreta Tirésias, um famoso profeta cego de Tebas. Este entra em cena andando vagarosamente do fundo do palco e, totalmente deformado, cego, e diz profecias apocalípticas caso o corpo de Polinice não fosse enterrado com dignidade.

Uma cena fortíssima! Um personagem sobre-humano!!!

É sempre bom tomar contato com os clássicos dos clássicos!



Um comentário:

Unknown disse...

Olá, Wagner!
Meu nome é Gabriel Cruz, o ator que interpretou Creonte na montagem de Antígona da Honesta que você viu no SESC e a que se refere no seu post. Em nome da Honesta Companhia, gostaria de agradecer imensamente. Antígona nos é um processo bastante intenso, e é muito gratificante quando é bem recebido pelo público. É um contato sempre enriquecedor. Gostaria de convidá-lo a acompanhar nosso trabalho através da nossa página no Facebook (facebook.com/HonestaCia) e do nosso site (www.honestaciadeteatro.com.br). Um abraço e até mais!