quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Dia 01 - 26/12 - Sexta-feira

Acordei as 7:30, terminei de ajeitar as minhas malas, comi o resto do almoço que sobrou da ceia de Natal e fui até a farmácia para verificar se as bagagens ultrapassavam o limite de 23 kilos. Felizmente, o peso estava um tanto abaixo do limite e, dali mesmo, já pedi o transporte para o local de embarque.
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Cheguei no Hotel Panamby às 10:15 da manhã e quase todo o grupo já estava no saguão. O guia verificou meus documentos e logo me sentei perto de duas senhoras muito simpáticas chamadas: Jô (Joseli) e Estér. A Ester é advogada e um pouco mais tímida, já a Jô é super extrovertida, professora de educação infantil e adora contar histórias engraçadas. Gostei das duas de cara e, com algum atraso, os dois ônibus chegaram até o local para começarmos o embarque geral: malas e mais malas, caixas com mantimentos, mochilas, estoque de água e outras tantas coisas que não consegui definir o que era.
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Partimos na direção sul para vencer os mais de 10.100 quilômetros a serem percorridos ao longo de vinte dias. Logo abri meu primeiro livro de viagem: “Os Caminhos de Nelson Mandela” do jornalista Richard Stengel que acompanhou Madiba por mais de três anos e o ajudou a escrever sua autobiografia. O começo já me tocou bastante porque o autor não santifica o grande líder da luta antiapartheid, mas o coloca de maneira franca e esférica, mostrando ser Mandela, sim, um homem de imensa humanidade, mas dotado de algumas pontuais contradições.
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Depois de uma hora e meia, paramos em um Graal para o almoço. Nessa refeição, a Jô já havia se enturmado com outra senhora e tivemos um papo muito interessante. Descobrimos que a Jô e a Ester possuem filhos com TDAH. O filho da Jô é artista plástico, tem seu ateliê dentro de uma ocupação do MTST, já o filho da Estér é adotado e começou a faculdade há pouco. Adorei essa coincidência que nos aproximou e humanizou mais a conversa.
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Depois do almoço, seguimos por mais quatro horas, indo em direção ao oeste, entrando, ainda mais, no interior do estado de São Paulo. Tentei continuar por mais um tempo em companhia do Mandela, mas não consegui, pois o sono me pegou. Mais tarde, paramos para tomarmos um café e comprarmos os mantimentos para a longa jornada noite adentro. Passaremos esta madrugada em trânsito, pegando pessoas em: Londrina (21:30), Maringá (23:30), Cascavel (3:30) e Foz do Iguaçu (7:00). No momento, não sei onde estou. O exterior está todo escuro e a internet não funciona. Sigamos em direção ao ventre da América Latina, o centro do Cone Sul.
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