quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Dia 09 - 03-01 - Sábado

Depois de conseguir dormir somente das 22:30 à meia-noite, saímos da cama às cinco da manhã, tomamos banho, café e ajeitamos as malas para a parte que, para mim, era o trecho mais importante da viagem: o caminho até Machu Picchu. Deixamos nossas malas num espaço do hotel e levamos somente o mínimo para os próximos dois dias que se iniciavam. 
.
Pegamos as vans, começamos a subir rumo a periferia de Cusco e logo paramos num lugar chamado Manos de la Comunidad. Nesse espaço, o grupo alimentou os quatro tipos de camelídeos sul-americanos, que são: os guanacos, as vicunhas, as lhamas e as alpacas. Vimos também um viveiro enorme com três grandes condores e posso dizer que o bicho é feio, mas seu tamanho é impactante. Vimos também umas senhoras tecendo tapetes em teares andinos e, por fim, entramos numa galeria linda, cheia de objetos artísticos com a temática da região. Os quadros, as tapeçarias e as roupas eram de primeira qualidade e, como era de se esperar, os preços também eram de primeira grandeza. Um dos ponchos lá exposto custava quinze mil dólares.
.
Após essa primeira parada, continuamos andando pelo Vale Sagrado dos Incas e fomos ao Mirante de Taray. Esse era um trecho da viagem que eu não me atentei em saber como era e me surpreendeu positivamente. O vale continua sendo cultivado pelos descendentes dos Incas, as planícies são todas coloridas, bem cuidadas e o Rio Urubamba reina soberano entre a população por séculos e séculos. Depois desse trecho, fomos para o sítio arqueológico de Pisac que é cheio das escadarias de plantação nas suas montanhas.
.
Paramos num restaurante muito chique chamado: The 14 Inkas. Entrou tanta gente no restaurante que pensei que a equipe não fosse dar conta de repor toda a comida do buffet, mas tudo correu bem. Fomos então adiante, nos aprofundando mais e mais no Vale Sagrado dessa que foi, em número de pessoas e extensão territorial, a maior civilização das Américas.
.
Chegamos, enfim, ao último sítio arqueológico do dia: Ollantaytambo. As ruínas subiam longamente as altas montanhas e as construções eram cheias de significados místicos e científicos. Além disso, pedaços altíssimos das montanhas estavam entalhados ou modificados pelo homem, delineando rostos voltados para os solstícios ou silos de armazenagem de alimentos para a população do Império do Sol. Embarcamos, então, no trem para Águas Calientes ou Machu Picchu Pueblo. A fila se formava no meio de uma rua pequena e era possível ver pessoas do mundo inteiro, uns atrás dos outros, esperando o momento de embarcar.
.
Foi uma grande festa! Um grupo de jovens vestidos de Incas dançavam alguns temas típicos e tocavam umas conchas marítimas que soavam notas altas e longas pelo espaço. O grupo brasileiro ficou, quase que inteiro, no primeiro vagão que era bastante envidraçado, o que facilitava a visão do espaço ao redor e, após alguma espera, enfim, o trem partiu. No começo do trajeto, a paisagem era bastante parecida com as outras partes do Vale Sagrado que havíamos visto nesse mesmo dia mas, conforme fomos aprofundando e descendo a encosta leste do Andes, o espaço entre as montanhas foi de afunilando, a vegetação foi se tornando mais tropical e as montanhas foram crescendo em tamanho. 
.
Havia pontos em que, ao olharmos para a frente, parecia que o vale acabava de repente, não havendo espaço de passagem entre as montanhas mas, no entanto, conforme o trem ia adiante, notava-se que os caminhos continuavam por entre os espaços estreitos que restavam no meio das gigantescas pedras que delimitavam o leito do Rio Urubamba. Foi um passeio fantástico! Senti-me seguindo um caminho secreto, adentrando um recanto sagrado das partes altas da bacia amazônica, me aproximando de um possível eldorado fantástico, um rincão do interior da Terra, uma passagem secreta guardada pelas altas magias dos Incas.
.
Imaginações à parte, acho que o fascínio exercido por Machu Picchu vem também deste trajeto tão lindo que os turistas têm que percorrer para chegar até ela. A mudança de cenário é drástica. Saímos de um terreno amplo e seco para um estreito e profundo vale equatorial. O recôncavo derradeiro de uma natureza em seu estado primitivo, o último espaço mais possível de um mundo que desterra suas belezas fundamentais, o útero onde tentarão resistir os elementais guardiões da Biosfera... Não sei direito, mas aquele lugar tem uma magia!!!
.
Depois de duas horas cruzando uns dos vales mais lindos que já vi na minha vida, chegamos ao fim da linha na cidade de Águas Calientes ou Machu Picchu Pueblo. Trata-se de um vilarejo puramente turístico, onde não se chega de carro, as ruas são estreitas, íngremes, com pessoas de todos os cantos do mundo se cruzando numa estrutura encravada no meio de imensas rochas, fontes de águas termais e um rio caudaloso. Uma atmosfera fascinante.
.
Fomos para o hotel, deixamos as malas e, às 20 horas, fomos a um restaurante com karaokê para comermos e festejarmos o dia que se iniciaria em algumas poucas horas. Tomamos Pisco Sour, jantamos e logo todo o espaço era brasileiro. Cantamos samba, MPB, funk, axé e outros gêneros; pessoas de outras partes do mundo se juntaram a nós e ficamos até o momento em que o dono desligou o microfone. Que delícia cantar! Estava precisando fazer isso para poder vencer a caseira, relaxar e me preparar para o objetivo maior dessa viagem: conhecer a cidade sagrada de Machu Picchu.
.
.

Nenhum comentário: