Levantei às quatro horas da manhã, vesti o máximo de roupas que tinha na minha mala e, às quatro e meia, estávamos partindo com o grupo para conhecer os Gêiseres del Tatio. Conforme a van ia subindo, a temperatura ia caindo mais e mais. Num determinado momento, eu passei a mão no vidro e havia gelo, ou seja, o vapor que o grupo estava soltando pela respiração, ao entrar em contato com a superfície super fria, se congelava.
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Chegamos num grande platô cheio de gêiseres que mais pareciam um monte de chaminés de casas subterrâneas onde os moradores estariam fazendo seus cafés. O sol ainda não havia ultrapassado as montanhas que delineavam as margens do Vale e o frio era muito intenso. Segundo o guia, estávamos com oito graus negativos, mas eu duvido. Ele me pareceu ser um jovem malandro sensacionalista que queria impressionar seus clientes.
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Fomos caminhar por esse vale, ouvir algumas explicações sobre a formação dos gêiseres, sobre o fato dos maiores campos do mundo ficarem em Yellowstone, depois na Rússia, além de tirar muitas fotos legais. Terminada essa volta, tomamos um café e fomos para o povoado de Machuca que me lembrou o filme de mesmo nome. Devo ter visto a película em 2004, na época da faculdade. Mas enfim...
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O povoado tinha apenas uma família e a maioria das casas estava abandonada. Ele se formou porque um beato havia morado naquele local e, as correspondências que recebia não tinha endereço, mas somente seu nome: Machuca. Visitamos a pequena e charmosa capela que ficava no alto de uma montanha, fizemos umas preces e depois voltamos apreciando as casas humildes e esquecidas que permaneciam naquela esquina sinuosa de um estrada de terra que passava perto de uma nascente de água.
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Após o povoado, fomos ver uns flamingos numa grande lagoa, ouvimos algumas explicações sobre os três tipos dessa ave que existiam no Chile e, por volta do meio dia, estávamos voltando para a pousada. Cheguei no local, fui desfazer-me da quantidade de roupa que havia colocado e parti para o almoço.
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Na parte da tarde, estava planejado o passeio para o famoso Vale de la Luna que fica próximo da Cordilheira de Sal. Às 15 horas, a van passou para nos pegar e, após alguns minutos de deslocamento, chegamos na entrada do vale onde havia a bandeira do Chile e a bandeira dos Povos Andinos que, segundo o guia, é baseada numa visão que um dos imperadores dos Incas teve. Nessa visão, dois arco-íris se juntavam no meio e formavam novamente a cor branca. Não sabemos o quanto de verdade existe nessa informação mas, de qualquer forma, é uma estória bastante bonita. Gostei da significação da reunião das cores, a reunificação da pluralidade gerando a harmonia e a paz representadas pelo branco.
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Entrando no parque, continuamos de carro por mais uns minutos e paramos perto de algumas formações geológicas muito diferentes. O ambiente era extremamente quente, seco e, por isso, precisávamos andar devagar, respirar devagar e buscar qualquer sombra para tomar abrigo. Andamos por trilhas ao lado de uma duna enorme, a chamada Duna Maior com suas formações rochosas espetaculares e parecia realmente que estávamos num pedaço da Lua. Era necessário tomar água e molhar o nariz a toda hora mas, mesmo assim, as narinas e a boca estavam sempre secas.
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Depois de subirmos a lateral dessa grande duna, fomos às Três Marías, umas formações rochosas icônicas, esculpidas pelo vento e pelo tempo. Com muita imaginação, consegue-se visualizar três mulheres orando para Deus com suas mãos voltadas para o céu e, por isso, receberam o nome já citado. Depois dessa parte, fomos para a chamada Gruta Vitória que, na verdade, não é uma gruta. Trata-se de uma escavação na montanha que forma um abaulado com as paredes feitas de sal e quando faz calor, o sal dilata e produz pequenos estalos, um fenômeno natural muito interessante de escutar. Ficamos ouvindo os diversos estalos das rochas e é intrigante pensar que, à sua maneira, elas também estão em movimento, como tudo no Universo extra Deus.
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Depois das visitações dentro do parque, fomos para um coquetel onde a brasileirada se arrebentou de comer e beber pisco e vinho. Foi hilário! Além da diversão, a vista estava linda de cima da montanha e a inclinação do sol dava contornos mais marcantes para o relevo do vale. Em seguida, fomos a um mirante para apreciar o pôr do sol e tudo parecia cenário do fim de um filme épico: aquele vale enorme, cheio de relevos diferentes, vulcões extintos secundários dando o contorno da região e o imponente Licancabur se destacando absoluto do lado oposto ao sol. Sensacional!
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Ver o pôr do sol do topo de uma montanha e observar a luz indo embora no deserto mais seco do mundo foi inesquecível. O pessoal da excursão estava muito animado, alguns começaram a cantar, outros dançavam, outros queriam tirar fotos o tempo inteiro e este foi mais um lindo momento da viagem que começava seu fim… Entramos na van, continuamos a cantoria, o motorista colocou músicas muito boas para ouvirmos e o grupo estava em êxtase. Chegamos de volta a San Pedro às nove da noite quando já havia anoitecido.
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Combinamos de sair para jantar às quinze pras dez, mas quase ninguém foi, pois a bateria de todos já estava acabando. Então, juntamos umas quatro pessoas e saímos para andar pelas ruas. A cidade parecia uma São Tomé das Letras no meio do deserto com malucos do mundo inteiro, gente dançando, gente fazendo pirofagia, gente tocando violão no chão, gente bebendo, gente oferecendo narcóticos, enfim, tinha gente de todo tipo. Que lugar doido! Fomos parar no bar Chela Cabur que fica na badalada rua Caracoles; o teto era forrado de camisetas de times do mundo inteiro e, como não poderia deixar de ser, várias delas eram do Brasil.
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Pedimos quatro Chopps de tipos diferentes, um para cada um. Batemos papo sobre a viagem, sobre coisas certas e erradas que aconteceram durante esse longo trajeto, sobre o que iríamos fazer quando voltássemos para nossas cidades, as expectativas alcançadas, algumas frustrações, a rotina que levamos no nosso dia-a-dia e etc. Repetimos a rodada e, por volta da meia-noite, pagamos a conta e fomos pro hotel, afinal, no dia seguinte sairíamos às quatro da manhã para os longos quatro dias de retorno até São Paulo.
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Chegamos num grande platô cheio de gêiseres que mais pareciam um monte de chaminés de casas subterrâneas onde os moradores estariam fazendo seus cafés. O sol ainda não havia ultrapassado as montanhas que delineavam as margens do Vale e o frio era muito intenso. Segundo o guia, estávamos com oito graus negativos, mas eu duvido. Ele me pareceu ser um jovem malandro sensacionalista que queria impressionar seus clientes.
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Fomos caminhar por esse vale, ouvir algumas explicações sobre a formação dos gêiseres, sobre o fato dos maiores campos do mundo ficarem em Yellowstone, depois na Rússia, além de tirar muitas fotos legais. Terminada essa volta, tomamos um café e fomos para o povoado de Machuca que me lembrou o filme de mesmo nome. Devo ter visto a película em 2004, na época da faculdade. Mas enfim...
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O povoado tinha apenas uma família e a maioria das casas estava abandonada. Ele se formou porque um beato havia morado naquele local e, as correspondências que recebia não tinha endereço, mas somente seu nome: Machuca. Visitamos a pequena e charmosa capela que ficava no alto de uma montanha, fizemos umas preces e depois voltamos apreciando as casas humildes e esquecidas que permaneciam naquela esquina sinuosa de um estrada de terra que passava perto de uma nascente de água.
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Após o povoado, fomos ver uns flamingos numa grande lagoa, ouvimos algumas explicações sobre os três tipos dessa ave que existiam no Chile e, por volta do meio dia, estávamos voltando para a pousada. Cheguei no local, fui desfazer-me da quantidade de roupa que havia colocado e parti para o almoço.
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Na parte da tarde, estava planejado o passeio para o famoso Vale de la Luna que fica próximo da Cordilheira de Sal. Às 15 horas, a van passou para nos pegar e, após alguns minutos de deslocamento, chegamos na entrada do vale onde havia a bandeira do Chile e a bandeira dos Povos Andinos que, segundo o guia, é baseada numa visão que um dos imperadores dos Incas teve. Nessa visão, dois arco-íris se juntavam no meio e formavam novamente a cor branca. Não sabemos o quanto de verdade existe nessa informação mas, de qualquer forma, é uma estória bastante bonita. Gostei da significação da reunião das cores, a reunificação da pluralidade gerando a harmonia e a paz representadas pelo branco.
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Entrando no parque, continuamos de carro por mais uns minutos e paramos perto de algumas formações geológicas muito diferentes. O ambiente era extremamente quente, seco e, por isso, precisávamos andar devagar, respirar devagar e buscar qualquer sombra para tomar abrigo. Andamos por trilhas ao lado de uma duna enorme, a chamada Duna Maior com suas formações rochosas espetaculares e parecia realmente que estávamos num pedaço da Lua. Era necessário tomar água e molhar o nariz a toda hora mas, mesmo assim, as narinas e a boca estavam sempre secas.
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Depois de subirmos a lateral dessa grande duna, fomos às Três Marías, umas formações rochosas icônicas, esculpidas pelo vento e pelo tempo. Com muita imaginação, consegue-se visualizar três mulheres orando para Deus com suas mãos voltadas para o céu e, por isso, receberam o nome já citado. Depois dessa parte, fomos para a chamada Gruta Vitória que, na verdade, não é uma gruta. Trata-se de uma escavação na montanha que forma um abaulado com as paredes feitas de sal e quando faz calor, o sal dilata e produz pequenos estalos, um fenômeno natural muito interessante de escutar. Ficamos ouvindo os diversos estalos das rochas e é intrigante pensar que, à sua maneira, elas também estão em movimento, como tudo no Universo extra Deus.
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Depois das visitações dentro do parque, fomos para um coquetel onde a brasileirada se arrebentou de comer e beber pisco e vinho. Foi hilário! Além da diversão, a vista estava linda de cima da montanha e a inclinação do sol dava contornos mais marcantes para o relevo do vale. Em seguida, fomos a um mirante para apreciar o pôr do sol e tudo parecia cenário do fim de um filme épico: aquele vale enorme, cheio de relevos diferentes, vulcões extintos secundários dando o contorno da região e o imponente Licancabur se destacando absoluto do lado oposto ao sol. Sensacional!
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Ver o pôr do sol do topo de uma montanha e observar a luz indo embora no deserto mais seco do mundo foi inesquecível. O pessoal da excursão estava muito animado, alguns começaram a cantar, outros dançavam, outros queriam tirar fotos o tempo inteiro e este foi mais um lindo momento da viagem que começava seu fim… Entramos na van, continuamos a cantoria, o motorista colocou músicas muito boas para ouvirmos e o grupo estava em êxtase. Chegamos de volta a San Pedro às nove da noite quando já havia anoitecido.
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Combinamos de sair para jantar às quinze pras dez, mas quase ninguém foi, pois a bateria de todos já estava acabando. Então, juntamos umas quatro pessoas e saímos para andar pelas ruas. A cidade parecia uma São Tomé das Letras no meio do deserto com malucos do mundo inteiro, gente dançando, gente fazendo pirofagia, gente tocando violão no chão, gente bebendo, gente oferecendo narcóticos, enfim, tinha gente de todo tipo. Que lugar doido! Fomos parar no bar Chela Cabur que fica na badalada rua Caracoles; o teto era forrado de camisetas de times do mundo inteiro e, como não poderia deixar de ser, várias delas eram do Brasil.
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Pedimos quatro Chopps de tipos diferentes, um para cada um. Batemos papo sobre a viagem, sobre coisas certas e erradas que aconteceram durante esse longo trajeto, sobre o que iríamos fazer quando voltássemos para nossas cidades, as expectativas alcançadas, algumas frustrações, a rotina que levamos no nosso dia-a-dia e etc. Repetimos a rodada e, por volta da meia-noite, pagamos a conta e fomos pro hotel, afinal, no dia seguinte sairíamos às quatro da manhã para os longos quatro dias de retorno até São Paulo.
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